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Resenha do Solano

Racha, democracia ou transição?

, 5 de agosto de 2022 às 9h25

Pessoas próximas a mim sabem da minha ‘admiração’ pelo economista e baterista Eduardo Cunha, que presidiu a Câmara dos Deputados de 1º fevereiro de 2015 até 7 de julho de 2016.

Minha admiração não é pela pessoa, até porque eu não o conheço pessoalmente. Sim, pelo seu conhecimento detalhado da Constituição Federal e articulação política. Conseguiu unir o maior partido do país, que geralmente está dividido por questões democráticas, liderou a bancada evangélica e conseguiu o apoio do Centrão, para instaurar e conduzir o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Quero deixar claro que não sou antipetista. Na época, todos tentaram, mas ninguém derrubou o Cunha. Depois de cumprir sua missão, ele renunciou e como muitos outros acabou sendo cassado. Antes de figurar no MDB, ele estava no partido do Collor (PRN) e do Maluff (PPB). Agora se filiou ao PTB de Roberto Jefferson, sob a alegação de que não há possibilidade de se candidatar no partido em que militava. Pois o MDB apoiou, patrocinou e foi protagonista no impeachment, e agora está em situação dúbia, envolvendo inclusive líderes que tiraram o PT do Planalto. Tornozeleiras a parte, poucos acreditam a essa altura que Simone Tebet será uma surpresa.

Em âmbito estadual, os 212 votos favoráveis à candidatura própria e 239 contrários, também dividiram opiniões. Gabriel Souza será vice de Eduardo Leite. A campanha não começou. E o MDB, de fato, estava no governo de Leite, não tem nada tão errado assim se não olharmos para os bastidores de um partido tão grande.

As pessoas gostam de alimentar rachas. Inclusive em âmbito municipal. Ainda tem gente que traz à tona que os 7286 votos feitos pelos vereadores da coligação em 2020 não foram estendidos a majoritária, além de análises comportamentais de indivíduos. “Estão mais rachados que o PDT”, é o que se escuta.

Todos os partidos tracionais e grandes têm as mesmas dificuldades em se renovar. Acolher novos líderes, mesmo que sejam pessoas experientes, com credibilidade e potencial eleitorado. Nem todos que estão acostumados com a liberdade estão dispostos a conquistar espaço em meio a territórios dominados por caciques e estruturas que ineditamente tem que pensar no poder. Por isso, partidos novos e menores tem se mostrado mais atrativos para inovar. Em Capitão deu certo. Em Arroio do Meio, ainda não existem interessados e talvez nunca haverá.

DIETA EQUILIBRADA NOS COCHINHOS – Na semana em que Vanderlei Majolo (PP) apresentou estudo da Conab sobre a queda do consumo de carne no país que deve chegar a apenas 25 kg em 2022, o candidato a AL/RS Douglas Sandri (NOVO), apresentador do Gente Que Produz, se disse contra os fundos eleitorais e partidários (página 10). Muitas pessoas estão deduzindo que alguns candidatos vão usar essa verba para as eleições de 2024, redirecionar dentro do partido, trocar de carro, construir uma piscina, promover igualdade ou integração social.

Já vejo diferente. Depois de escândalos de Caixa 02, devido ao financiamento político por multinacionais e estatais, não há como mudar radicalmente a nutrição dos ‘cochinhos’, que são parâmetros ideológicos e de estilos de vida da maioria das pessoas. São líderes que inspiram a sociedade nos mais diversos sentidos. Além do risco de perder lotes inteiros – o que para uns é visto como solução dos problemas – a engrenagem, com menos ‘lubrificação’, poderia parar de vez e não teríamos ninguém para culpar por nossa própria incompetência.

“TUDO VIROU PÓ” – O secretário da Administração de Arroio do Meio, Áurio Paulo Scherer, avalia que somente após o resultado das eleições e a posterior definição do futuro da Corsan, vão trazer novidades em torno de obras de saneamento básico. Segundo Scherer, todo encaminhamento feito junto à Funasa na década passada para acessar recursos na ordem de R$ 32 milhões do PAC 2, ‘virou pó’, após o impeachment e trocas de governo. Entretanto, avalia que o estudo contratado pela Funasa na época em que foi vice-prefeito (2013/2016), segue atualizado, e será uma boa base para projetos futuros. O prazo até 2030 é visto como desafiador, não só para Arroio do Meio.

SUPRESSÃO NO MORRO SÃO JOSÉ – A Fiscalização Ambiental de Arroio do Meio, num primeiro olhar, não encontrou nenhuma irregularidade em árvores exóticas da espécie Pinus Ilhotes, extraídas numa das encostas do Morro São José. Alguns moradores se disseram preocupados com a supressão de nativas e outras intensões em área de terceiros, e contataram as autoridades. Servidores não descartaram nova vistoria para averiguar a ‘intencionalidade’ de eventuais danos a sub-bosques. Segundo ambientalistas, o local é tido como corredor ecológico dos macacos e tucanos.

Por daiane