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Hábitos saudáveis

5 de agosto de 2022 às 9h26

Sou fã da colega colunista do nosso O Alto Taquari, a sempre professora/mestre Ivete Kist. Ela discorreu na última edição sobre as profissões em extinção. A modernidade – leia-se avalanche de tecnologia – ceifou atividades consagradas e saudosas, especialmente para pessoas sexagenárias, como eu.

Ivete lembrou com propriedade o que significava ostentar na parede da sala o diploma de datilografia com moldura de vidro. Era o primeiro passo para disputar em igualdade de condições com a concorrência na disputa de uma vaga no mercado de trabalho. Qualquer função burocrática exigia destreza com os 10 dedos das mãos. Sem isso era perda de tempo entregar o currículo escrito no capricho, dentro de um envelope, o que era rotina para qualquer calouro no mercado de trabalho.

Meu esforço para concluir o “curso de datilografia” nas instalações da Associação Comercial e Industrial de Arroio do Meio valeu a pena. Aliás, vale até hoje. Afinal, passo muitas horas todos os dias no computador para digitar, termo moderno para substituir o antigo “datilografar”. Com frequência colegas perguntam como consigo escrever com tamanha rapidez. Este tipo de observação é comum entre os jovens que utilizam os dedos sem a lógica de antigamente.

Lembro com exatidão o dia da prova final do curso de datilografia. Era um final de tarde de muito calor. Não havia ventilador ou ar condicionado na sala. Cerca de 10 pessoas esperavam ansiosas a ordem de início das tarefas a serem cumpridas no teclado coberto por meia folha de ofício, hoje conhecida como A4.

Sempre usei os princípios da datilografia, empregando
corretamente todos os dedos e sem olhar para o teclado

Eu suava muito. O excesso de transpiração era normal para mim, situação agravada pela ansiedade, nervosismo e medo de ser reprovado, o que sempre era motivo de vergonha. Tive sorte de pegar uma máquina de escrever regulada. Muito diferente daquelas em que se pressionava uma tecla, mas a falta de sincronismo fazia avançar dois ou três espaços, comprometendo o resultado final.

Terminada a prova, uma sensação de alívio tomava conta dos candidatos. Mas era apenas a primeira etapa. O anúncio do resultado demorava dias, o que aumentava o temor. No final do processo fui aprovado, gerando grande alívio.

Durante toda a minha vida profissional sempre usei os princípios da datilografia, empregando corretamente todos os dedos. E sem olhar para o teclado. A rotina de digitar aperfeiçoou o trabalho, facilitado pelos computadores modernos e ergonômicos.

Aos que criticam as rústicas máquinas de escrever costumo dizer que foram “os primeiros computadores com impressora acoplada”. Eles demoram, mas acabam entendendo e “sorriem amarelo”.

 

Por daiane