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Convenção confirmou
apoio do MDB à candidatura
de Eduardo Leite

5 de agosto de 2022 às 9h05

Depois de meses de negociações, a convenção do MDB, no último domingo, acabou oficializando e cedendo o apoio do partido que, desde a democratização, nunca havia ficado sem candidato ao Palácio Piratini, para apoiar o nome de Eduardo Leite para concorrer à reeleição. Foi uma votação apertada, 239 foram a favor da aliança e 212 contrários.

Nas eleições de 2018, Eduardo Leite teve apoio do PTB, do vice Ranolfo Vieira Junior, que agora está no PSDB, PP e outros partidos menores, protagonizando um embate forte com o MDB de José Ivo Sartori. Durante o mandato, Leite se aproximou de lideranças do MDB na Assembleia como Gabriel Souza que será seu vice, e abriu espaço para cargos no seu governo que foram fundamentais. Como deputado, Edson Brum, um dos principais articuladores desta proximidade, assumiu cargo de Secretário de Desenvolvimento Econômico, em março de 2021, tendo viajado pelo estado para defender agendas do governo do PSDB. Em junho deste ano, assumiu como Conselheiro no Tribunal de Contas.

Esta composição vinha sendo articulada há mais tempo, embora uma ala mais raiz do MDB entre os quais, Osmar Terra, José Ivo Sartori, Pedro Simon, prefeito de Porto Alegre Sebastião de Mello, foram contrários e trabalharam até o final para que Gabriel Souza concorresse pelo MDB em candidatura própria, com temor deste recuo, enfraquecer a sigla. O racha no partido iniciou quando uma ala, principalmente vinda da base do MDB teria preferido no período de possíveis candidatos ao governo gaúcho o deputado federal Alceu Moreira, mais alinhado com o governo de Bolsonaro. Com a indicação do candidato a vice, o MDB, maior partido do RS, segue a orientação nacional que tem como candidata a presidente, Simone Tebet.

• Registro oficial – Encerradas as convenções, começa hoje o registro oficial dos candidatos a governador e seus vices, e candidatos a presidente da República, que podem ser conferidos em matéria nas páginas 10 e 11.

• CAMPANHA DE DOIS MESES – Será uma campanha rápida e curta. Muitos candidatos terão dificuldade para encontrar e convencer o eleitor. As mídias digitais ajudam, principalmente, quem é mais conhecido, mas também dispersam. Candidatos a deputado estadual e federal terão de ter uma base, experiência para somar votos em diferentes colégios eleitorais. Um dificultador é com o número do candidato, uma vez que vários candidatos mudaram de partido.

• Carta pela Democracia – Uma Carta pela Democracia será apresentada oficialmente no dia 11 de agosto, na Faculdade de Direito da USP. A Carta tem assinatura de juristas, artistas, banqueiros, empresários, políticos e já reuniu mais de 700 mil assinaturas, vindas de diferentes setores da sociedade. Houve quem entendeu o manifesto como mais uma crítica velada ao presidente Bolsonaro que tem feito manifestações públicas a favor da transparência das eleições e reiteradas vezes dito que as urnas eletrônicas precisam ser aperfeiçoadas. Defender um sistema eleitoral seguro é democrático. Aliás, muita gente confunde democracia sob o ponto de vista teórico e prático. Falam uma coisa e fazem outra.
O que temos visto é que o presidente da República tem sido um dos mais efusivos defensores das liberdades individuais, seguidor dos preceitos da Constituição e da Democracia. Só não enxerga quem não quer.

Terceiro mandato

Em entrevista ao Valor, o candidato a presidente da República, Ciro Gomes (PDT), que já concorreu ao Planalto em 1998, 2002 e 2018 e que se coloca como uma opção de terceira via diante da polarização pela reeleição de Jair Bolsonaro e do ex-presidente Lula, em suas falas, tem feito críticas aos dois.

Nas intenções de voto tem aparecido com percentuais em torno de 8% na corrida eleitoral e na entrevista disse que “um eventual terceiro mandato de Lula será uma tragédia. A margem, para aumentar os juros não existe mais. Ele não tem lucidez disto, não quer ouvir e o quadro técnico ao redor dele, é de oitavo nível. Quando chegar lá, terá uma conta impagável com Renan Calheiros, Eunício Oliveira, Guilherme Boulos, com ministérios e cargos. Com esse papo furado de picanha e cerveja numa memória afetiva, parece um candidato Kinder Ovo: vem uma surpresa dentro. Tudo num cenário completamente diferente de 2003. Ele vai botar um banqueiro na Economia, e entregar as políticas de mulher, índio, negro, para o PT se divertir; entregar a política e o Orçamento para o Centrão e vai passear no estrangeiro. No programa Globo News disse que, se chegasse ao segundo turno, aceitaria o apoio do PT, mas não subiria no palanque com Lula. “Não há mais caminho para apoiar, já paguei um preço muito alto, sou visto como uma espécie de petista, de tanta ajuda, que já dei ao Lula. Daqui para frente, sabendo o que sei, falei, passaria a ser cumplicidade. O Lula é responsável, pela tragédia que está acontecendo no país”. Disse que considera difícil Lula ficar fora do segundo turno. “O Lula tem 30% de fanáticos. Pode bater na mãe, chamar Jesus de palavrão e as pessoas relativizam”, afirmou.

Entre as muitas propostas, defende, caso eleito, uma lei para igualar salário de homens e mulheres.

Por daiane