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Após descontentamento, municípios do G-18 deixam a Amvat

, 17 de junho de 2022 às 8h59

Na segunda-feira, os municípios de Encantado, Roca Sales, Anta Gorda, Arvorezinha, Putinga, Relvado, Doutor Ricardo, Vespasiano Corrêa, Muçum e Ilópolis confirmaram saída da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat). A decisão ocorreu em reunião extraordinária do Grupo dos Municípios da Região Alta do Vale do Taquari (G-18) no Auditório Brasil, na prefeitura de Encantado, que ratificou a insatisfação expressada em manifestos, no último sábado, pela falta de apoio às demandas da região alta quanto ao plano de concessão das rodovias estaduais.

Segundo prefeitos do G-18, a Amvat, que foi fundada há 60 anos em Encantado, com o tempo esqueceu a parte alta do Vale do Taquari. O estopim foi a manutenção da praça de pedágio em Palmas, na ERS-130, e a não inclusão da ERS-332 no plano de concessão. Dos municípios integrantes do G-18, 13 são filiados à Amvat. Apenas Capitão e Itapuca decidiram ficar na entidade.

Em nota oficial, a Amvat reiterou que sempre buscou a representação dos municípios da região em suas diversas demandas. Citou o incessante acompanhamento, orientação e representação junto ao Estado no curso da pandemia da Covid-19, bem como na recente conquista da alteração de metodologia de cálculo do ICMS sobre integrados para o exercício de 2021, com impacto direto nos orçamentos dos municípios do Vale do Taquari.

No que tange à concessão do Bloco 02, que integra as rodovias ERS-128, ERS-129, ERS-130 e RSC-453, a Amvat afirmou que proporcionou diversos espaços de debates com os Secretários de Estado, buscando dirimir dúvidas e apresentar as demandas regionais. Todos os prefeitos foram convidados a participar deste processo, realizado especialmente no exercício de 2021.

Contudo, entende que a decisão final do Estado pela modelagem da concessão não pode ser atribuída à Amvat. “Esta é uma conclusão simplória, que busca encontrar um culpado do resultado da falta de articulação dos diversos segmentos do Vale do Taquari. Foram inúmeras representações de entidades ou grupos organizados que buscaram demandas individuais junto ao Estado do Rio Grande do Sul para modelagem da concessão do Bloco 02, mas aparentemente somente a Amvat foi responsabilizada pela decisão do ente licitante – o Estado do Rio Grande do Sul”, diz a nota, que reitera o respeito à decisão individual de integrar ou de se retirar da entidade, bem como a continuidade do trabalho com a mesma solidez e coerência que adotou nos seus 60 anos de história.

Precipitados

Em entrevista ao AT, o presidente da Amvat, Sandro Hermann, revela que aguarda a desfiliação oficial que pode impactar no funcionamento de várias entidades linkadas, como o Concisa e a Amturvales. Ele revela que a Amvat e outros municípios lindeiros às rodovias não foram convidados para os protestos, que em sua avaliação tiveram pouca participação popular. “Todos os municípios têm as suas frustrações. Não era um momento interessante para ruptura. Mesmo de forma mais enxuta vamos continuar trabalhando pelo Vale do Taquari”.

O prefeito de Arroio do Meio, Danilo José Bruxel, acredita que o mais prudente seria que os municípios tivessem pedido a desfiliação da Famurs, que tem influência maior no embate com o Estado. “O ideal seria medir forças com o Estado. Não entendo o descolamento dos demais municípios. Se o pedágio vir para Arroio do Meio, ou para divisa com Lajeado, os motoristas que vêm de Encantado ou demais locais vão ter de pagar igual. Também estamos sendo contemplados na totalidade. Nosso viaduto contempla todo Vale do Taquari. Além disso, a Famurs não vai permitir mais de uma associação por região”.

O prefeito de Encantado, Jonas Calvi, que liderou as desfiliações, foi procurado pela reportagem do AT para comentar a decisão e impactos futuros, mas não retornou o contato.

Por daiane

Manutenção da praça de pedágio em Palmas e a não inclusão da ERS-332 no plano de concessão do Bloco 02 motivaram desfiliações da Amvat. Na próxima semana, reunião proposta pela Casa Civil vai buscar reaproximar os municípios para evitar a ruptura