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Inflação reduz poder de compra dos consumidores

, 13 de maio de 2022 às 9h45

A inflação oficial de abril bateu recordes históricos desde a implantação do Plano Real em 1994, quando atingia incríveis 42,75%. Nos últimos 12 meses o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 11,30%, o maior desde outubro de 2003 (13,98%). Só em abril foram 3,20%.
A alta da inflação é uma realidade global devido à pandemia e à guerra. Mas a taxa registrada no Brasil permanece bem acima da média observada nas maiores economias do mundo. De acordo com relatório divulgado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é a terceira maior do G-20, ficando atrás somente da Turquia e da Argentina. Na América Latina a Venezuela que não faz parte do G-20 chegou a uma inflação de 686,4% no ano passado.
No Brasil, já são oito meses seguidos com a inflação rodando acima dos dois dígitos, o que reforça as apostas de que a taxa básica de juros (Selic) será elevada em 2022 para além de 13% ao ano. Na semana passada o Banco Central elevou a Selic para 12,75%.
A maior alta em abril, de acordo com Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), foi da cesta básica, que atingiu 6,34% no RS e passa a custar 69% do salário mínimo (R$ 780). Dos 13 produtos que compõem o conjunto de gêneros alimentícios essenciais, 11 ficaram mais caros. O tomate puxou a alta (25,79%), seguido pela batata (14,63%), o leite (13,46%), a farinha de trigo (10,07%), o óleo de soja (7,15%), o pão (7,07%), a manteiga (6,30%), o arroz (3,87%), o café (3,04%), a carne (3,01%) e o feijão (2,51%).
Os transportes vêm na sequência com 3,02%. Só na gasolina a alta foi de 30,7% em 12 meses, segundo monitoramento da ValeCard, empresa especializada em soluções de gestão de frotas, feito em mais de 25 mil postos em todo o país. Os combustíveis são considerados o maior vilão, pois acabam gerando efeito em cadeia nos demais serviços e, inclusive, nos produtos como a cesta básica.
A energia elétrica também sofreu reajustes de até 24% em diversas regiões do país. No RS o reajuste da tarifa de energia elétrica ocorre em 19 de junho, a partir de índice definido e autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Na proposta apresentada em consulta pública, está previsto que o efeito médio para o consumidor será de +6,45% a +19,83%.
Já o botijão de gás de cozinha de 13 kg está sendo vendido a um valor médio de R$ 113,48, segundo a Agência Nacional de Petróleo, representando 9,4% do salário mínimo, o patamar mais elevado desde março de 2007 – quando o botijão custava R$ 33,06 e o salário mínimo era de R$ 350.

Inflação de abril

2,42% – Alimentação e bebidas
1,15% – Habitação
0,57% – Artigos de residência
1,82% – Vestuário
3,02% – Transportes
0,88% – Saúde e cuidados pessoais
0,59% – Despesas pessoais
0,15% – Educação
-0,05% – Comunicação

Já a inflação de serviços ficou em 0,45% em março ante 1,36 em fevereiro.


Aluguel de imóveis reage

O corretor imobiliário Joner Frederico Kern, revela que durante a pandemia foram feitas muitas renegociações de aluguel de salas comerciais, devido à dificuldade dos empreendimentos. O atual momento segue sendo de diálogo entre locatários e inquilinos. Mas segundo Kern, os imóveis bem-localizados seguem bem-valorizados, e nos demais, a negociação segue sendo pontual. A tendência é que os valores reajam à medida que alguns segmentos retomem vendas. Já a procura por aluguéis residenciais segue alta em Arroio do Meio.


“Abrimos mão de muitas necessidades básicas”

A industriária Salete Pedroso dos Santos, 36 anos, moradora de Palmas e mãe de seis filhos, revela que a situação está difícil para as famílias que pagam aluguel e dependem do salário para as demais despesas que também estão elevadas. “Não é possível nem mais comer carne direito. Abrimos mão de muitas necessidades básicas”.


Setor do vestuário reage após dois anos de retração

O proprietário da rede de lojas Bade, Airton Rogério Bade, estima que o vestuário num geral teve um reajuste entre 8% a 10%, neste período. As exceções são grifes e marcas mais conceituadas, onde há dificuldade maior de substituição por similares. Ele observa que até produtos chineses encareceram porque estão sendo confeccionados com melhor acabamento, e, consequentemente, com mais valor agregado. No geral, revela que há pouco estoque nas fábricas e fornecedores de atacado, o que restringe a compra de peças por preços antigos. Contudo, avalia que o retorno dos eventos e convívio social tem levado os consumidores de volta às lojas de roupas, após dois anos de retração nas vendas. “Na pandemia ocorreu o aumento da poupança em mais de R$ 300 bilhões no Brasil. Agora as pessoas estão tirando dinheiro da poupança para comprarem o que precisam e esqueceram da crise. Entretanto, se percebe que os consumidores estão fazendo pesquisas de preço e de condições de pagamento”.

A gerente da loja Reggla, Priscila Britto, revela que as vendas já atingiram os patamares de 2019, mas observa que os consumidores não estão comprando por impulso e sim produtos necessários.


Movimento normal nos restaurantes, com menos margem e vendas de bebidas

O proprietário da churrascaria Trevo 2, do Bairro Aimoré, Clairton Steffens, 48 anos, revela que muitos alimentos básicos que compõem o cardápio dos restaurantes aumentaram de preço e existe uma oscilação no varejo que não era habitual antes da pandemia. Essa variação de preços torna interessante uma pesquisa mais aprofundada e até maior a frequência em atacados. “É importante comprar bem para manter o valor das refeições atrativo para os consumidores. Infelizmente tivemos de reduzir a margem”, explica. Segundo Clairton, também há uma redução drástica do consumo de bebidas em geral, que sempre agregavam valor ao segmento, o que evidencia que as pessoas estão evitando gastar. O movimento continua normal.


Inflação expõe enfraquecimento da agricultura familiar

O morador de Lajeado, Décio Picolli, 64 anos, vereador em Forquetinha pelo PTB e ex-vereador de Sério, avalia que o efeito cadeia gerado pela alta dos combustíveis e a concentração da produção de alimentos nos grandes produtores, são os principais motivos para a inflação. Ele lamenta a inviabilidade de se manter mão de obra qualificada no interior. “Sou natural de Arroio Alegre, Sério, localidade onde moravam 200 famílias e havia mais de 500 bois. Se fazia dinheiro plantando fumo e colhendo 150 sacos de soja. Hoje mal daria para despesa. As contas não fecham. Todos os dias as despesas aumentam. A inflação está fora de controle. Estamos num ano eleitoral e é difícil termos uma opinião formada a respeito dos nossos representantes. A gente vota e vota, e sempre fica pior. É preciso refletir muito bem. Sofri um acidente em que fui atropelado andando a cavalo. Vim de ônibus fazer a tomografia em Arroio do Meio, porque está inviável circular de automóvel pelo preço da gasolina”.


Consumidores não abriram mão da alimentação saudável

O proprietário da Fruteira do Centro, Maicon Cardoso, revela que a seca atrelada a alta mundial dos insumos, elevou o preço hortifrutigranjeiro a patamares históricos. Apesar do alto custo de compra, os consumidores não abriram mão da alimentação saudável. As vendas inclusive aumentaram, com mais presença de agricultores nos estabelecimentos, que deixaram de colher no verão.

Cardoso afirma que a cotação de muitos produtos já está em deflação, contudo acredita que nunca mais atinjam o preço de torra-torra devido ao custo de produção que deve ficar elevado. “A cenoura só não passou de R$ 10 porque seguramos a margem. Outros produtos de chão, como batata e repolho também estiveram elevados”, considerou.


“Sem perspectivas com esse governo”

Ilmo Kunzler, 63 anos, morador do Centro de Arroio do Meio, também tem a opinião que as eleições serão decisivas para o futuro da economia brasileira. “Não há perspectivas com esse governo. Não temos um presidente da República. Ele só briga, cria cortinas de fumaça e não resolve nada. Está sendo manipulado pelo Centrão. Não tem luz própria e fica atacando as instituições e a democracia. Está querendo achar problemas nas urnas eletrônicas que são confiáveis, porque sabe que vai perder a eleição”.

Por daiane

Preços de verduras já estão em deflação, mas não devem voltar aos patamares anteriores devido ao aumento de custo de produção