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Carta Branca

A favor ou contra

13 de maio de 2022 às 10h15

Todos vimos acompanhando a crescente polarização na política brasileira. Polarização, entendida como o posicionamento em campos opostos: a favor ou contra quem está no poder.

A polarização não se resume a um comportamento pessoal. Estudiosos têm se dedicado a entender o fenômeno e têm desenvolvido formas de medi-lo. Os métodos principais de medição são dois. Um, verifica a presença do componente afetivo; o outro, observa a distância social.

A presença do componente afetivo aparece quando a adesão a este ou a aquele partido se liga ao rechaço do rival. Pouco importam argumentos ou ações. A pessoa é pró ou contra simplesmente. O fator determinante do lado em que está é a aversão ao outro lado.

A outra forma de medir a polarização é a chamada “distância social”. A distância social aparece quando a pessoa se sente mais e mais desconfortável em conviver com simpatizantes do partido adversário. Amizades podem ser rompidas, relações profissionais e familiares sofrem sérios abalos e isso configura a tal distância social.

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O fenômeno da polarização política não é brasileiro. A mesma coisa tem se encontrado nos mais diversos países. Nos Estados Unidos, por exemplo, é possível verificar que a partir de 1980 os Democratas e os Republicanos votam de forma cada vez mais divergente. Se um vai para um lado é bem provável que o outro partido opte pela via oposta.

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Não vamos aqui pensar que a polarização é positiva já que todo mundo a pratica. Pelo contrário. Ela mostra que somos levados a uma simplificação forçada. Cá conosco, sabemos que os meios-tons existem, que o mundo não é feito só do preto ou só do branco. O mais provável é que fomos aprendendo a ignorar a multiplicidade da vida.

Se queremos lançar um outro olhar sobre o assunto, precisamos aceitar que temos problemas para conviver com o questionamento, com a dúvida. É mais fácil, é mais simples caminhar sobre o terreno firme das certezas. Terreno firme é como podemos chamar as certezas que oferecem uma confortável sensação de segurança.

O caso é que certeza é coisa que não existe de verdade. A única certeza que existe é a morte – diz o ditado popular. Na vida real, a transformação é permanente. A dúvida, a multiplicidade são parte essencial.

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Se pudéssemos trazer para o campo da política um pouco de incerteza e de hesitação que somos forçados a reconhecer na vida prática, talvez pudéssemos acrescentar alguma coisa à polarização que é tão pobre e tão irreal.

Em qualquer lado da polarização que a gente esteja, em todo o caso, é sempre conveniente lembrar a conhecida afirmação: quando todos pensam igual, é porque ninguém está pensando.

Por daiane