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Jornal da Semana
Dia da Mulher

Mesmo sem encontro, mulheres são chamadas à reflexão

, 4 de março de 2022 às 9h15

Pelo segundo ano consecutivo o tradicional encontro, que reúne mulheres de Arroio do Meio, Capitão e Travesseiro, foi cancelado em função da pandemia. Realizado pelo Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR) desde os anos 1980, com apoio do STR e dos municípios, o evento sempre reforça a luta das mulheres por seus direitos. Mais do que um dia de comemoração, é um momento de reflexão.

Neste ano a atividade iria ocorrer em Travesseiro, mas o município optou pelo cancelamento em virtude do aumento dos casos de covid-19. Como não havia tempo hábil para que a coordenação do MMTR organizasse outra programação, o 8 de março não terá atividades. Contudo, o Movimento preparou um manifesto (veja abaixo), no qual explana sua luta e objetivos.

Para o 8 de março a principal temática seria o salário mínimo. Uma das palestras, inclusive, seria com o economista Carlos Giasson, que abordaria a temática. Em boletim que será distribuído para mulheres em encontros comunitários nos municípios, o MMTR destaca a luta histórica para que as mulheres da roça tivessem direito a aposentadoria de um salário mínimo. “Mostrou a coragem e a organização destas mulheres”.

O documento chama atenção para o fato de que desde 2016 o mínimo vem perdendo valor. Compara que em 2012 valia 400 dólares e em 2021 caiu para 187 dólares. “Uma política de valorização do salário mínimo é urgente para garantir o mínimo de dignidade para quem dele depende. É também uma importante medida para aquecer a economia, colocando mais dinheiro para circular no comércio e a população poder comprar comida, viabilizando a agricultura familiar”,

Marlene Grassi, que integra o MMTR, ressalta que este é um ano importante, ano de eleições e que as mulheres nunca se intimidaram na busca por seus direitos. Observa que desde os anos 1980 o encontro mantém um público de 500 a 600 pessoas e esta trajetória não pode ser desprezada. “As mulheres gostam de se encontrar e querem aprender. Temos um compromisso de manter os encontros, nem que sejam em reuniões menores, com pequenos grupos”, avalia.

Manifesto do 8 de março – Dia Internacional da Mulher

“A felicidade, a luta e a garra para conquistar nossos sonhos é a certeza de que não vivemos inutilmente, mas juntas faremos a mudança”. Dorcelina Folador

O dia 8 de março é um marco na manifestação histórica, em memória das 129 trabalhadoras queimadas vivas no ano de 1857 em Nova York em uma fábrica têxtil pois reivindicavam redução da jornada de trabalho que era de 16 horas por dia, lembrado como uma marca mundial em que as mulheres, para além da comemoração, se mobilizam em luta e reivindicação dos seus direitos e por igualdade.

Na participação, organização e na luta, as mulheres da roça vão conquistando espaços e direitos. Na Reforma da Previdência de 2017, fizemos abaixo-assinados, audiências públicas, passeatas e diferentes formas de pressão para manter os direitos da trabalhadora e trabalhador rural da agricultura familiar alcançados até aqui.

O Movimento das Mulheres nunca se intimidou em denunciar as situações de discriminação e injustiças, de não atendimento das questões básicas de saúde e educação, e direitos previdenciários. O Movimento tem seu maior compromisso defender as mulheres, em especial a trabalhadora rural, mas também todo o trabalhador.

Os objetivos para 2022 são a luta pela valorização do salário mínimo, que em função da defasagem no reajuste, e inflação atual, perdeu muito do seu valor nos últimos anos; bem como o combate à violência de gênero, em defesa da sua dignidade, a plena vacinação contra a covid-19 e derrotar o fascismo.

Convocamos todas as mulheres para participar das atividades deste ano, reuniões nas comunidades, distribuição do boletim, encontros de formação, pois somente unidas temos força!

Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais

Arroio do Meio, 22 de fevereiro de 2022.

Por daiane