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Jornal da Semana
Resenha do Solano

REALIDADE ANUNCIADA + SOLIDARIEDADE

, 14 de janeiro de 2022 às 9h28

A estiagem, pelo terceiro ano consecutivo, só escancarou o que as projeções de mais de uma década já apontavam: a inviabilidade da produção de grãos em minifúndios devido ao custo de produção que envolve maquinário muito caro para se dar ao luxo de ser utilizado em poucos hectares. Além da competitividade da própria bovinocultura de leite, que já está em cheque desde que eu me conheço por gente – falo com propriedade por ser filho de um ex-leiteiro.
Nessa tríplice, a tendência é o avanço do arrendamento e da terceirização da mecanização e que os plantéis de bovinos sejam incorporados pelos bovinocultores mais estruturados. Lembrando que as dívidas com financiamentos não são culpa exclusivas dos governos. O maquinário excedente terá colocação nas novas fronteiras agrícolas, claro, com valorização depreciada.
Os demais até poderão manter apostas em lavouras e produção leiteira por hobby, mas vão ter que buscar renda fixa na horticultura, olericultura, fruticultura de alta precisão, eficiência e sustentabilidade, em sistemas semelhantes à produção integrada de frangos e suínos, só que com muito menos impacto ambiental.
A Languiru já faz isso, mas essas parcerias serão uma tendência global das redes de varejo que vão querer se manter competitivas. É o que vai salvar a pequena propriedade e manter a alimentação barata para as famílias urbanas de baixa renda. Afinal, todos dependem de todos e convivemos num mesmo planeta – ninguém toma samba sem refrigerante de cola, um pequeno exemplo.
No momento, o pessoal da construção civil – fornecedores, prestadores de serviços e consultores – devem se manter ‘acima da carne seca’ por um bom período que iniciou na pandemia e melhorou com a seca, pois nenhuma obra parou e as projeções continuam positivas. Lembrando que todos que vão investir em sustentabilidade, seja na agricultura ou fora dela, vão ter que gastar com esse segmento e parceiros, pois não existe fórmula mágica, num primeiro olhar.
No entanto, ainda há espaço para ‘forasteiros’, especialmente para aqueles que souberam ajudar melhor quem agora está na pior. Margem por margem, o sorriso mais bonito não é daquele que tem a conta mais recheada e sim de quem saber fazer mais gente sorrir e prosperar, sem pensar em si.
A lucratividade dos demais nichos dependem do equilíbrio da economia. A forma como queremos nos incomodar são escolhas. Qual a sua?

DOCUMENTÁRIO

Foi lançado em 7 de janeiro, pelo pastor auxiliar João Edson Reis Aires, o documentário São Caetano – Nossa Querida Terra. O material de 2h27min56s conta a origem dos nomes das localidades São Caetano, Dona Rita, Morro da Ventania, Salto do Rio Taquari, Morro Gaúcho e do Morro São José. Tem relatos de pessoas da própria comunidade e a participação do padre jesuíta e arqueólogo Pedro Ignácio Schmitz.

FUNÇÃO DO CONAR

Nas reuniões finais da Câmara de Vereadores em 2021, situacionistas questionaram oposicionistas a respeito do peso dos pareceres do Conselho de Desenvolvimento Agropecuário (Conar), que não teriam sido relevados em posicionamentos e decisões da Casa Legislativa. Em conversa com produtores também no ano passado, alguns que já integraram a entidade reconheceram a função apenas consultiva, que restringe avanços mais incisivos em problemas reais. Segundo relatos, o Programa Bônus Produção, por mais bem intencionado que seja, é apenas assistencialista. Uma sugestão, dentre várias, é a construção de composteiras ou biodigestores comunitários. Pois por mais que no ‘papel’ a destinação dos dejetos em lavouras listadas esteja ok, num futuro próximo entendem que uma superprodução de suínos resultará em mais fiscalização em torno da fermentação e rastreabilidade, que atualmente ocorrem na base da confiança. “Algumas localidades já não têm mais lavouras suficientes para os dejetos, que são direcionados a localidades vizinhas”, relataram.

FATALIDADES

A tragédia que tirou a vida de uma jovem, prestes a se formar em RH e cheia de sonhos com o futuro, só evidencia que fatalidades acontecem (página 18). Não há como exigir um laudo geológico para prestação de serviços simples de máquina, assim como cobrar uma avaliação estrutural constante das benfeitorias, imóveis e estabelecimentos. O país que já perde para burocracia iria travar ainda mais. Além do mais, a sensibilidade do que é prioridade para cada família, propriedade ou investimento é particular. Não vejo má fé de nenhuma das partes, pelo contrário. Muitos empresários que têm café no bule, ‘desobedecem’ de uma forma muito ‘elegante’ o Plano de Prevenção de Combate ao Incêndio (PPCI) e outras coisinhas, e o próprio poder público tem ‘dificuldades’ em cumprir tudo à risca. São pequenos exemplos. Cabe a nós, nas nossas individualidades, escolher o risco que queremos correr. Não precisamos concordar com todas as leis e convenções sociais. Mas temos a escolha de pegar um ônibus fiscalizado pelo Daer ao invés de Blablacar num veículo com pneus carecas e retrovisores danificados. O melhor é confiar em si.

Por daiane