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Carta Branca

PROMESSAS DE ANO NOVO

14 de janeiro de 2022 às 9h35

Estamos dando os primeiros passos neste novo ano. Quem imaginou que tudo agora seria diferente, deve estar se sentindo logrado. A expectativa de ingressar em outro mundo foi muito viva na hora dos brindes, mas, talvez, tenha mais relação com o espumante do que com a vida real… Perder peso, praticar atividade física, comer mais verduras, racionar o açúcar, evitar estresse, ler muitos livros, dormir melhor, aprender inglês, viajar, eis aí a fieira dos propósitos que frequentam a lista de quase todo o mundo, na virada do ano.
Pena! Não haverá mágica capaz de garantir que as promessas se cumpram. Como sempre, para a mudança ocorrer, será preciso suar a camisa. Que jeito?
Isto abre espaço para uma pergunta. Por que a gente gosta tanto de listar resoluções para o ano seguinte? Por que não nos contentamos em fazer planos para o dia ou para esta semana? Se fôssemos mais modestos, talvez houvesse mais chance de sucesso. Não sei.
Eu aqui matutando. Será que esta vontade de prometer teria ligação com a ideia do “me-engana-que-eu-gosto? Neste caso: “me-engano-que-eu-gosto”?

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Nem sempre publicamos nossas resoluções. Pode ser que sequer falemos em casa. Mais uma prova de que não temos muita firmeza. Nossas resoluções se parecem com as promessas eleitorais, pelo descompromisso. Nós subimos no palanque da nossa intimidade e proclamamos o que vamos fazer, mas depois… ah! depois, é capaz quem nem lembremos mais, até chegar um novo dezembro. Do mesmo jeito que os candidatos esquecem – ou descobrem que não era tão fácil fazer, como foi fácil falar no discurso.
O problema é que entre as resoluções de ano novo e sua concretização a vida real mete o bico.

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Hoje estou de implicância com as promessas. Lá vai mais uma queixa. Se gostamos tanto de promessas, por que nos concentramos em itens que só impactam a nossa vidinha individual?
Por que não pensamos de forma um pouco mais ampla? Por exemplo, produzir menos lixo e, igualmente, separar melhor o lixo de casa, para que seja mais facilmente reaproveitado? Por que não prometemos ser mais gentis com as pessoas? Quero dizer, com todas as pessoas? Por que não botamos na nossa lista fazer barreira contra preconceitos? Até os preconceitos de aparência tão inocente, como esses que fazem rir nas piadas?

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Bom, pode ser que melhor que fazer promessas é começar o novo ano com o pensamento de Lorezo de Médici. No ano de 1490, ele disse assim:
“Que todos bailem e cantem, que o coração arda de doçura, sem azares, sem dores! O que tem que ser, que seja. Quem quiser ser feliz, que seja; do amanhã não há certeza.”

Por daiane