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Languiru projeta auxílio a 1,2 mil famílias com R$ 800 mil mensais

, 21 de janeiro de 2022 às 10h11

Na última sexta-feira, o presidente da cooperativa Languiru, Dirceu Bayer, apresentou para a imprensa e líderes regionais o programa Pró-Leite Languiru, a queijaria, a unidade de recebimento de grãos em Rio Pardo e a certificação Sisbi para venda de cortes de bovinos em todo o Brasil. O ato ocorreu na associação dos funcionários (Mimi) na presença do Conselho de Administração. O plano projeta R$ 50 milhões em investimentos e 35% de crescimento em 2022, chegando a R$ 3 bilhões em faturamento.

Com o Pró-Leite, a intenção da cooperativa é auxiliar com até R$ 800 mil mensais, cerca de 1,2 mil famílias que atuam no segmento mais afetado pelas últimas duas estiagens, antevendo ainda que a continuidade do calor pode impactar em queda da produtividade e a falta de chuvas pode comprometer a produção de alimentos.
O projeto insere uma série de novos indicadores à remuneração do produtor e soma-se aos já existentes. O primeiro bônus foi pago na primeira quinzena de janeiro, retroativo, ao leite entregue no mês de dezembro do ano passado. Cada quesito tem faixas de alcance, conforme o grau de desenvolvimento do produtor. Alcançando a maior faixa de desempenho em cada aspecto, o produtor pode subir em até 15%, o valor médio que vem recebendo pelo litro de leite.

As faixas de remuneração envolvem diferentes aspectos vinculados ao contexto da atividade leiteira. Um dos destaques é a bonificação por investimentos no bem-estar do rebanho como a instalação de aspersores e ventiladores. Para completar, acrescenta os bônus por implementação dos sistemas free stahl e compost barn.
Não menos importante, outro elemento fundamental, são as bonificações por qualidade da matéria-prima. O programa contempla indicadores como ordenha canalizada e robotizada até a certificação por Boas Práticas de Fazenda (BPF). A fidelidade do associado é reconhecida pelo programa, por meio de bonificações, pela compra de insumos em unidades da Cooperativa. Inclusive, o programa mostra engajamento em causas ambientais, oferecendo bônus pela proteção de fontes da água. Também é projetada a inclusão de investir em captação da água de telhados e coberturas.

O programa ainda apresenta um bônus de relevante caráter social e inclusivo. Associados que produzem até 500 litros de leite por dia, com o intuito de estimular o crescimento destes pequenos produtores, receberão um bônus diferenciado.
No ato, o presidente também detalhou o programa de fidelidade que dará a oportunidade ao produtor, que deixou a cooperativa, de voltar. No entanto quem deixar o quadro terá que esperar um ano para retornar. A medida é vista como importante, considerando o investimento da cooperativa em qualificação dos integrados e assédio das multinacionais que oferecem preços mais atrativos sem garantias. A cooperativa já tinha mais de dois mil associados. “A nossa função, nesse momento, é oferecer amparo e mostrar que fases difíceis não podem frear o ímpeto do investimento e profissionalização do produtor. Nosso diferencial é que nós produzimos e processamos a matéria-prima. E não vendemos apenas commoddities que geram retorno lá fora”, disse.

Bayer também compartilhou alguns projetos que estão previstos para este ano, com destaque, para a instalação de uma queijaria, junto a Indústria de Laticínios, para diversificação de produtos e a unidade de recebimento de grãos que deverá ter investimentos de R$ 6,5 milhões.
Com 28 unidades de agronegócio (10 supermercados, 6 agrocenteres, 2 postos de combustíveis, 2 farmácias e 1 agromáquinas), 6 mil associados, 3,2 mil funcionários e 40 mil envolvidos indiretamente, a Languiru também projeta dar um aporte de R$ 20 milhões nas unidades de frango e suínos.
Outro foco está na ampliação do programa social de produção de alimentos orgânicos que atualmente envolve 70 integrados, para diminuir a dependência da Ceasa que ainda é superior a 75% dos itens comercializados no varejo de hortifrutigranjeiros.

MUDANÇA TRIBUTÁRIA PREOCUPA – O presidente da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (AMVAT), Sandro Herrmann procurou valorizar o expressivo crescimento da Cooperativa. Mencionou os benefícios gerados, com essa expansão, para todo o setor primário. “Essa força e tamanho demonstram a importância da Languiru para a região e nosso Estado”, enalteceu.
Herrmann se disse preocupado alterações na distribuição da tributação dos impostos gerados por integradoras, que estariam prejudicando municípios dependentes do setor primário. “Em Colinas vamos perder 25% da arrecadação. Isso vai mudar a política de incentivos na agricultura. Contamos com a ajuda da Languiru nesse pleito”.

BONIFICAÇÃO PODE CHEGAR A 20% – O único arroio-meense integrante do Conselho de Administração, Valmir Rauber, que já foi secretário da agricultura, avalia que o Pró-Leite poderá gerar incremento de até 20% no faturamento dos produtores. Associado a Languiru desde 2010, Rauber é integrado na atividade leiteira e suinocultura. Ele é membro do Conselho há dois anos. Entre outras pautas do dia, estiveram o socorro da Languiru à Cooperativa Piá de Nova Petrópolis, que passa por dificuldades.

Por daiane