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Agricultura

Calor intensifica transtornos e prejuízos com a estiagem

, 14 de janeiro de 2022 às 10h21

Uma forte onda de calor atingiu toda a Região Sul do Brasil nas últimas semanas. O efeito, que entre os meteorologistas é conhecido como aquecimento pré-frontal, é um bloqueio atmosférico, que impede a passagem de frentes frias, favorece a atuação de uma massa de ar seco e quente, e deixa o tempo firme, aberto e com ventos quentes soprando sobre todo o estado.

De acordo com institutos de meteorologia, o avanço de uma frente fria prevista para o início da próxima semana vai forçar o vento a soprar do quadrante norte/noroeste sobre o Sul do Brasil, o que favorece ainda mais o aumento nas temperaturas, que podem chegar próximas aos 40 graus no fim de semana.

Na agricultura, apesar da homologação do decreto de emergência no município de Arroio do Meio na Defesa Civil Estadual no dia 10, o calor intensificou ainda mais os transtornos e prejuízos. Diversos piscicultores tiveram que realizar a despesca precoce devido a secagem dos açudes e estocar os peixes nos freezers.

O secretário da Agricultura Élcio Roni Lutz avalia que será um desafio realizar a Feira do Peixe da Semana Santa. Lutz também revela que as perdas na safra de milho chegam a 70% e na soja são imensuráveis, pois 40% das lavouras sequer foram plantadas devido à falta de umidade no solo e na área plantada, houve problemas de germinação e desenvolvimento de plantas. A crise hídrica também prejudicou as pastagens e obrigou cortes na nutrição animal, especialmente na ração que está mais cara, o que reduziu a produção de leite em mais de 30%.

Para amenizar os impactos, a secretaria da Agricultura tem feito a abertura de poços em propriedades para possibilitar o consumo aos animais e feito atendimentos com o caminhão pipa. Até o momento, duas granjas estão sem o abastecimento de água.
Uma delas é o estabelecimento de recria de suínos de Vilson Horn em Linha 32, que aloja 500 matrizes e 1,5 mil leitões. Segundo ele, não há resquícios de água nas fontes superficiais como arroios e córregos da localidade. “Só estamos ligando o motor do nosso poço artesiano algumas horas por dia, para não esgotar a água. Estamos recorrendo a rede da associação da comunidade e ao caminhão pipa da secretaria da Agricultura que consegue abastecer 18 mil litros por carga. A situação é preocupante. Como as matrizes são caras e de ciclo de 18 meses, não temos como diminuir o alojamento vendendo o plantel a preço de carne. Além disso, temos que absorver os impactos econômicos da diminuição da cotação dos suínos e aumento do custo de milho”, pondera o produtor independente, que também reduziu o confinamento de gado de corte para 60 cabeças em decorrência da seca. “A silagem vai render apenas 30% em comparação com uma safra normal”.

Outro produtor que está passando por uma situação crítica é Vanderlei Biasibetti do Morro Tico-Tico, que está com leitões de 60 dias, e também recebe água do caminhão pipa.
O secretário da Agricultura não descarta a criação de um programa de socorro emergencial para os agricultores.

Por daiane

Secretaria de Agricultura tem abastecido propriedades com caminhão pipa, além de abrir poços para o consumo animal