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Ano novo, sério?

14 de janeiro de 2022 às 9h46

Parecia que as férias de verão deste ano significariam o resgate do nosso saudoso “velho normal”. Período em que íamos para a praia por alguns dias para confraternizar com os amigos, descansar a cabeça aturdida pelo medo depois de dois anos de pandemia e a proliferação de más notícias. O sonho, no entanto, precisou ser adiado. Uma nova variante, menos letal, porém mais contagiosa, soterrou com a areia do litoral os planos meticulosamente traçados ao longo de 2021.
O mais irônico – e dolorido para quem curte a beira-mar – é que estamos diante de um “verão de rachar” como não se via há algum tempo. Temos a conjunção demoníaca de altas temperaturas prolongadas com a escassez crônica de chuvas. O resultado é o agravamento da situação financeira do Estado, cuja economia dava indícios de recuperação.
Castigados pelas leis do instável mercado internacional, os produtores rurais a cada dois anos deparam com a estiagem que compromete a saúde do setor primário. A espiral econômica, que no interior do RS é emulada pela agropecuária, murcha diante da quebra histórica de safras de diversas culturas.

2022 engatinha, mas se parece com os anos
anteriores por falta de novidades otimistas

A dolorosa fórmula não tem mistério. Se resume a: pandemia + seca = pobreza no campo que se alastra aos diversos segmentos produtivos. Como comércio e serviços, por exemplo. 2022 reserva muita emoção, radicalização e notícias nem tão boas.
Em outubro serão disputadas eleições para escolher o presidente da República, além de senadores, deputados federais e estaduais. Não é preciso ser pitonisa para prever radicalização ainda mais raivosa nas redes sociais, na cobertura da mídia e nas mesas de bar ou encontros de família.
Quase no final do ano, excepcionalmente em novembro, teremos a disputa de mais uma Copa do Mundo, onde haverá a divisão evidente entre aqueles que torcerão pelo Brasil (ou a bandeira verde-amarela) contra os que “secarão” o time canarinho. Será, sem dúvida, um ano de enfrentamento ideológico, característica que tornou-se rotina, fazendo dos verdadeiros problemas do país detalhes quase sempre ignorados.
A pandemia com milhares de mortos foi incapaz de unir o país na busca de um bálsamo para minimizar o luto. Por certo não será a disputa eleitoral – ou mundial de seleções no Catar – que terá o condão de disseminar juízo, equilíbrio, sensatez e solidariedade Brasil afora
2022 ainda engatinha, mas parece que se assemelha aos anos que recentemente o antecederam. Por favor, prezado leitor, não se trata de pessimismo, mas de livre exercício de realismo doloroso.

Por daiane