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Uma ligação próxima com a ERS-482

, 7 de outubro de 2021 às 16h16

Apesar da desconfiança de parte da comunidade, também existe a ansiedade e otimismo, por parte dos políticos. Em meio a isso, histórias de vida que se misturam aos bastidores das grandes obras da região.

O operador de máquinas pesadas da prefeitura de Arroio do Meio, João Batista da Silva tem uma relação peculiar com a ERS-482. Ele era um dos funcionários da Empresa Construtora Beter S/A e participou da equipe que executou os trabalhos entre 1998 e 1999. Na ocasião as obras estavam avançadas, com as sub-base presente em boa parte do trajeto, tanto do lado de Arroio do Meio quanto de Capitão. “Faltava apenas o pó de brita e a camada asfáltica. De lá para cá, apenas as galerias não foram perdidas. Mas era evidente que, independente do candidato que vencesse a eleição, a obra seria interrompida. As contas do Estado não estavam equilibradas e havia mais de 120 obras em andamento em todo o RS”, relembra.

Natural de São Francisco de Paula, região dos Campos de Cima da Serra, João Batista tem em seu currículo a certificação de operar praticamente todos os tipos de máquinas pesadas. A relação com a profissão ocorreu por acaso. Como perdeu os pais na infância, foi morar com a irmã em Montenegro e seu cunhado era funcionário de uma empreiteira. Na adolescência, João já estava autorizado a levar os veículos à garagem. O aprendizado foi uma consequência. “Quando tinha 17 anos, uma empreiteira que asfaltava a rodovia entre Montenegro e Mariante, precisava de um operador. Acabei sendo indicado pelo meu cunhado e ganhei a vaga”.

Aos 19 anos veio para Arroio do Meio, trabalhar no asfaltamento da ERS-130, no trecho de Palmas. Depois disso, integrou a equipe que executou a Ferrovia do Trigo, que conta com diversos túneis e viadutos, como o V13, Mula Preta e Pesseguinho. Entre 1980 e 1995 foi funcionário do Porto de Estrela.

Depois da experiência na Beter, que segundo ele pagou os salários em dia para os funcionários, João Batista pediu emprego para o então chefe de gabinete do prefeito Paulo Steiner, Sidnei Eckert. “O Alemão disse que só abriria vagas após concurso público. Porém, acabou me ligando no outro dia, para uma vaga de CC. Fiz o concurso e passei. Estou na secretaria de Obras há mais de 20 anos. Já atuei em todas as frentes, desde a retirada de cascalhos dos rios, a terraplanagens de empreendimentos. Há dez anos atuo no britador. Mas, sempre que requisitado, presto serviços em outras frentes, com muito gosto. Inclusive, ajudei na terraplanagem na ERS-482 em Arroio Grande. Além disso, todo o rachão (material britado) vem daqui. Eu sinceramente não acreditava que esta obra um dia ainda seria concluída”.

Para estar bem para desempenhar a função de operador de máquinas, João faz questão de manter uma vida saudável. Pratica hidroginástica três vezes por semana, além de exercícios funcionais. “Quando trabalhava em Estrela, eu pedalava mais de 900 km por mês para ir ao porto. Também gostei muito de jogar futebol. Não bebo e nem fumo. Sem mãe e nem pai, eu mesmo me eduquei. Infelizmente perdi minhas duas esposas para o câncer. A primeira, Rosmari Beneduzi da Silva, com quem tive quatro filhos, faleceu aos 53 anos. Minha segunda companheira, Renate Höffler da Silva, com quem fiquei por 13 anos, faleceu no ano passado”, lamentou.

João revela que está muito adaptado e inserido na cultura comunitária de Arroio do Meio. Além da vida saudável, também se preocupa com a aparência, inclusive para trabalhar nas máquinas pesadas. Gosta de estar bem-vestido. Compra pelo menos uma peça de roupa nova a cada fim de semana e tem coleções de tênis e botas de diferentes marcas e grifes. “Gosto de mim, assim como gosto de fazer o serviço bem-feito”.

Por daiane

João Batista da Silva, além da vida saudável, também se preocupa com a aparência, inclusive para trabalhar nas máquinas pesadas