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Educação

Professor, o profissional que transforma vidas

, 15 de outubro de 2021 às 9h48

Muito mais do que ensinar a ler, escrever, somar e dividir, os professores têm um papel crucial na vida dos seus alunos. Nas salas de aula, inspiram e instigam crianças, jovens e adultos a desbravar o mundo e buscarem seus sonhos.

Às vezes são um ombro amigo, a pessoa de confiança, o olhar e a palavra de acolhida. Às vezes são o pulso firme que cobra e abre os olhos para um caminho melhor. O professor tem a capacidade de transformar vidas. Quem de nós não tem boas lembranças dos seus professores? Quantas lições para a vida são aprendidas por meio deste mestre?

Neste 15 de outubro, quando se comemora o Dia do Professor, este profissional indispensável para a sociedade e que enfrenta muitos desafios, o AT ouviu quatro professores que contam de onde veio a inspiração para a escolha da profissão.

Escolha feita na infância

Professora Carla Helena Graff Scherer, pedagoga com especialização em Educação Especial e Neuropsicopedagogia Institucional. Leciona na Escola Municipal de Ensino Fundamental Itororó, em Palmas

Lembro com muito carinho que, desde pequena, sempre quis ser professora. Não tenho muita certeza do que, em si, me inspirou. Mas, nas brincadeiras com minha irmã e primas, que eram quase todos os dias, brincávamos de escolinha e eu queria sempre ser a professora. Era muito difícil para mim ser a aluna na brincadeira.

Depois, no Ensino Médio, gostava de auxiliar os meus colegas a fazer as atividades, principalmente as de matemática. Deixava de fazer as minhas atividades e passava a aula inteira auxiliando eles. Quando chegava na hora de corrigir, o meu caderno estava em branco, mas o colega que eu tinha auxiliado tinha conseguido fazer todas as atividades. Essas coisas eu lembro com muito carinho e acredito que devem ter sido ingredientes muito fortes para minha escolha. Quando terminei o Ensino Médio, fui para a Pedagogia e, depois, busquei as especializações.

Durante a minha trajetória trabalhei em Educação Infantil, no Ensino Fundamental, no turno inverso, sempre buscando projetos que as crianças se interessassem. Nestes mais de 10 anos que eu estou na educação, por dois momentos desisti. Mas não adiantou, eu não me completava. Muito grande foi a minha alegria quando retornei. Quando voltei para a sala de aula, voltei a fazer algo que acordo todas as manhãs faceira da vida porque estou indo trabalhar. Essa motivação tenho até hoje.

Converso bastante com algumas pessoas e vejo como é bom quando se trabalha em algo que a gente gosta. Porque aí, você levanta todas as manhãs disposta, mesmo que esteja cansada e tal, você gosta de trabalhar, quer ir e isso não tem preço. E estar com crianças, estar com alunos que desejam aprender, que têm curiosidade, é fantástico. Não há palavras para descrever como é maravilhoso quando a gente traz um assunto, algo para ser estudado e eles ficam curiosos, buscando, fazendo perguntas, pesquisando em casa, interessados. É muito gratificante.

Ver e sentir a vida brotar

João Carlos Siebert, formado em Licenciatura Plena de Ciências, com habilitação em Biologia; Especialista em Bases Ecológicas para Gestão Ambiental; Especialista em Supervisão Escolar; Mestre em Qualidade Ambiental; Doutor em Tecnologias Ambientais. Trabalha atualmente como supervisor e vice-diretor na E.E.E.M. Monsenhor Seger

São várias as coisas que me inspiram a ser professor, entre elas, a possibilidade de marcar a vida de meus alunos de uma forma positiva, de ver a felicidade e a curiosidade deles frente aos desafios da vida e os ajudar a sonhar e a buscar seu espaço.

O que me inspira é ver e sentir a vida “brotar” e, consequentemente, inundar a sala de aula de felicidade, de dúvidas, de desafios e, principalmente, de esperança em um presente e futuro melhor.

Nesses 18 anos de profissão, tenho gratidão aos meus eternos mestres, em todas as fases de minha vida escolar, que me ensinaram cada um do seu jeito, que me inspiraram a ser um profissional melhor.

Gratidão a todos os meus alunos que tive o prazer de ensinar e aprender com eles. Gratidão pelos milhares de amigos que eu fiz. Gratidão pelos meus colegas, pessoas maravilhosas que tive a honra de conviver e aprender todos os dias.

Capacidade potencializadora de transformar

Fabrício Agostinho Bagatini, professor na Escola Estadual de Ensino Médio de Capitão e Escola Municipal de Ensino Fundamental Construindo o Saber, formado em Licenciatura em História, mestre e doutor em Ensino pela Univates

Sou professor há 21 anos e minha escolha pela profissão deve-se ao fato de minha tia também ser professora de História e, claro, também à presença marcante de meus professores no Ensino Fundamental e Médio. E, se tivesse que escolher novamente uma profissão, seria professor. Acredito no ser professor. Acredito na potência que ele carrega e na sua capacidade potencializadora de transformar. O professor é aquela pessoa que procura compreender e demonstrar que o humano é o que mais importa.

Como mencionou Paulo Freire: “ninguém começa a ser professor numa certa terça-feira às quatro da tarde”. O professor está em constante processo de transformação.

É aquele que estuda e se forma no estudo. Que é curioso e que ensina e aprende com a curiosidade de seu aluno. É aquele que tem a capacidade de aprender cada dia algo novo, na prática, com os desafios e dificuldades que lhe são impostas. É alguém que faz com que o outro compreenda a importância do saber, dos livros, da vida. Que desperta no outro o desejo pelo saber a fim de compreender e transformar a própria vida e outras vidas. É alguém que tem a capacidade de retirar o outro de sua apatia, de sua comodidade, fazendo-os sentir a importância de entender e entender-se como parte de um todo social.

A pandemia, de certa forma, veio demonstrar a importância da escola e do professor e a valorização que merecem. Do olhar que há de se ter para com a educação pois, se desejamos um mundo melhor, de pessoas conscientes com o seu entorno, com o próximo, com o meio ambiente, isso só vai acontecer a partir do momento que cada um de nós valorizarmos o saber, o conhecer e que o que vale a pena, são as mínimas coisas do ser.

Ser professor é ser alguém que conduz o outro até si mesmo, que ajuda o outro a descobrir quem é, é alguém que, “sem exigir imitação e sem intimidar, mas suave e lentamente, nos conduziu até nossa própria maneira de ser”.

Ser professor é trabalhar com amor, carinho e dedicação pois só com e através disso é que se consegue ensinar e aprender.

Professora com muito orgulho

Naiara Regina Tres, professora e atual diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Bela Vsita

Conta minha mãe que quando eu tinha uns 5 ou 6 anos, ao iniciar minha vida escolar, ainda em Palmeira das Missões, minha cidade natal, imediatamente minha brincadeira preferida mudou de brincar de casinha para, brincar de escolinha. Minha mãe, como sempre muito perspicaz, aproveitou o momento para me motivar a seguir a busca pela minha futura profissão.

Finalizei o Ensino Fundamental na Escola Estadual Guararapes e, a seguir, já fui matriculada no Colégio São Miguel, que na época oferecia o Curso Magistério em nível médio. Dois anos após a conclusão do mesmo, estava eu, juntamente com minha família comemorando meu ingresso na Univates, no Curso de Pedagogia- Séries Iniciais. Após seis anos, cursando a universidade e trabalhando como professora, finalizei a graduação. A seguir busquei especialização na área da gestão escolar e, assim, sigo aprendendo todos os dias e buscando ser melhor a cada dia.

Este ano completo 25 anos de concurso público no município de Arroio do Meio e quero aproveitar o espaço para dizer o quanto a vida foi generosa comigo, pois em cada etapa da minha formação e a seguir, do meu trabalho, sempre estive cercada por muitas pessoas que dividiram suas experiências comigo e que permitiram que eu tivesse um espaço de protagonismo, que eu fosse autora da minha história como educadora.

Sou professora, com muito orgulho. A educação é a minha vida, a educação é a minha história.

Por daiane