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Produtor do Passo do Corvo investe em melhoramento genético de ovinos

, 15 de outubro de 2021 às 9h59

Há cerca de um ano, o morador da localidade de Passo do Corvo, Rogério Jacó Schmitz, 50 anos, tem investido no melhoramento genético de seu plantel de ovinos. A paixão pelas ovelhas vem da infância. Seu pai, Breno, 85 anos, já havia introduzido a ovinocultura.

A decisão pela profissionalização do hobby culminou com o encerramento das atividades no setor de mecânica de veículos leves em Lajeado, onde atuou por 22 anos. Rogério mantém uma oficina para serviços programados na propriedade, mas agora curte mais a lida rural.

A escolha pela raça Dorper Pura de Origem (P.O.) se deu por diversos fatores: rusticidade, qualidade da carne, menos lã e queda natural no verão, sem a necessidade de tosquia, e facilidade de manejo. O investimento no reprodutor foi de R$ 5 mil e, em cada uma das quatro matrizes, R$ 3 mil. Ele ainda mantém algumas matrizes da raça Suffolk, mas a intenção é transformar todo o plantel em Dorper.

O foco é a venda de matrizes e eventuais reprodutores. Apesar do mercado da carne estar em alta, a inexistência de abatedouros na região dificulta a comercialização. Por isso é necessário uma programação dos ciclos reprodutivos para venda de lotes inteiros para frigoríficos da fronteira.

A venda de matrizes, entretanto, é mais atraente. Enquanto um borrego de oito a dez meses para carne de 20 kg atinge a cotação de, em torno de R$ 600, uma matriz é vendida a R$ 1,2 mil.

A distinção de uma matriz ou reprodutor ocorre no nascimento, pelo porte dos animais, que acabam recebendo ainda uma nutrição especial com silagem, feno, farelo de soja e sal mineral. Os demais são direcionados apenas ao pastejo. “No nascimento de gêmeos, geralmente um nasce mais fraco. E em trigêmeos, um acaba sendo rejeitado pela mãe. Sendo necessário o uso de mamadeira. Acabam se tornando muito dóceis, como cachorros”, revela.

Na primeira temporada, Schmitz já obteve como resultado outras quatro matrizes da raça Dorper, para incorporar ao plantel. “É necessário evoluir aos poucos”.

Para quebrar o ciclo de vermes, considerados os vilões da ovinocultura, dividiu o pastejo em piquetes, para que o rodízio em cada um seja uma semana por mês. “Nos dias mais úmidos, ele fica na ponta das folhas de grama. Por isso o ideal é soltar da estrebaria mais tarde ou deixar confinadas.

Outra forma de controlar a incidência de vermes é o método Famacha, que consiste em analisar a coloração das pálpebras. Diminuiu a necessidade de aplicação de vermífugos, que acabam fortalecendo os vermes e diminuindo a imunidade das ovelhas. “Já em situações de problemas de casco, infelizmente, às vezes é necessário sacrificar os animais”, lamenta.

No alojamento também há diversos cuidados. Além do ripamento suspenso, os cochos foram confeccionados com PVC de 700mm, o que permite uma higienização mais eficiente.

Schmitz aponta que o consórcio da ovinocultura com a equinocultura seria ideal para menor incidência de vermes. Além das ovelhas e silagem, ele produz algumas cabeças de angus e uma lavoura de 18 hectares de soja. O principal desafio é a falta de assistência técnica privada e pública.

Por daiane