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Martinho Lutero, um defensor da salvação por meio de Jesus

, 29 de outubro de 2021 às 10h45

No domingo, 31 de outubro, comemora-se 504 anos da Reforma Protestante. Da data em que Martinho Lutero proferiu as 95 teses até os dias atuais muitas coisas mudaram. Contudo, o que não muda para a Igreja formada após o movimento desencadeado por Lutero é o seu fundamento, o Evangelho.

Para o pastor Valmir Simon, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) de Arroio do Meio, a igreja em si está em constante reforma, acompanhando o mundo; mas sem deixar de avaliar, criticamente, as relações políticas, sociais e econômicas à luz das Escrituras Sagradas. Por igreja, lembra o pastor, deve se considerar dois aspectos: o corpo de Cristo, aquele que crê, e a instituição, que é a estrutura, feita de pessoas, pecadoras, imperfeitas e com modos de pensar diferentes. E foi justamente por isso, que houve a Reforma.

Lutero foi um monge, sacerdote e professor universitário de Teologia que viveu na Alemanha entre 1483 e 1546. A partir dos estudos teológicos, acreditava que a maioria das pessoas tinha uma ideia deturpada sobre o arrependimento cristão. Discordava da venda de indulgências como forma de os cristãos se eximirem dos seus pecados. As 95 teses acadêmicas contra essa prática foram divulgadas no dia 31 de outubro de 1517, que passou a ser o dia da Reforma Protestante. Nas teses, Lutero defendia que Deus perdoa de graça e o que salva é a fé e não as boas obras feitas. A fé e a crença em Jesus Cristo levam automaticamente a boas ações como resposta de gratidão pela misericórdia de Deus.

O conteúdo das teses se espalhou e a ação do teólogo não foi bem vista pela Igreja Católica Romana. Como Lutero não revogou as teses e seu posicionamento, foi considerado um herege e excomungado da Igreja e proscrito, não considerado mais cidadão do Império Sacro Romano. Martinho Lutero, segundo o pastor Valmir, não foi excomungado por causa das 95 teses em si. Mas por argumentar que o Papa e os Concílios são falíveis, que erram e já tinham errado. Contrariou o dogma da infalibilidade do Papa e dos Concílios.

A ideia de Martinho Lutero, explica o pastor, nunca foi fundar uma nova Igreja. Pelo contrário. Ele pretendia que a Igreja se renovasse, a partir da leitura da bíblia como única fonte de a autoridade na Igreja. Contudo, havia um cenário de descontentamento com a classe eclesial da época, além de questões econômicas e políticas relativas a Roma, que contribuíram para a formação da nova Igreja.

As 95 teses foram elaboradas no ambiente acadêmico. Não eram escritos populares. Mas a prensa inventada por Gutemberg anos antes, que permitia a impressão de folhetos, juntamente com o clima de insatisfação econômica e política ajudaram a fazer com que o conteúdo se espalhasse. “Quando se tem um contexto de descontentamento qualquer palavra gera uma reação”, afirma o pastor, destacando que nos dias atuais também é assim. A diferença é que as redes sociais trazem imediatismo e o risco de ações impensadas e desmedidas, as vezes incitadas por pessoas que se protegem no anonimato.

Radical no Evangelho

Após o movimento provocado pela Reforma, a criação de uma nova Igreja se tornou inevitável pelas rupturas com o que estava posto e, ao mesmo tempo, pelo grande apoio às ideias de Lutero. As bases da nova Igreja, a única autoridade, deveria ser o Evangelho. “Lutero era radical neste conceito. Não abria mão de que a estrutura da Igreja deve ser Cristo, filho de Deus vivo. Entendia que Jesus é o único salvador da humanidade, que a salvação se dá pela fé, e que os fundamentos do Evangelho devem nortear a Igreja”, explica o pastor.

Inclusive, Lutero resistia à denominação Luteranos, pois considerava inadequado já que a Igreja era, antes de tudo, Cristã.

IECLB no Brasil

No Brasil o vínculo com a fé evangélica é antiga. O escrivão alemão Heliodor Hesse, filho de um amigo de Martim Lutero, chegou ao Brasil por volta de 1554 e residiu em São Vicente (SP) e, Hans Staden, que cantou hinos de Lutero e erigiu a primeira capela evangélica enquanto estava prisioneiro dos índios em Ubatuba (SP), também em 1554, estão entre os primeiros evangélicos-luteranos chegados ao Brasil.
De início foi um grande desafio, já que a única religião permitida no Brasil era a católica apostólica romana. As demais eram apenas toleradas em casas, desde que não tivessem qualquer semelhança com um templo. Assim, os evangélicos tiveram dificuldades, já que casamentos e batismos não eram reconhecido e até sepultamentos eram um problema.
O cenário só mudou com a chegada dos primeiros imigrantes alemães, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, em 1824. As duas levas de imigrantes passaram a ser assistidos por pastores contratados pelo Brasil. No início os pastores eram da Alemanha. Mas, com a entrada do Brasil na II Guerra Mundial (1939/1945) muitos pastores acabaram voltando para o país de origem, já que os alemães e outros estrangeiros foram perseguidos pelo governo brasileiro.
Com o passar dos anos outros pastores vieram e também se implantaram casas de formação no Brasil. Hoje existem casas de formação no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Quem foi Martinho Lutero

Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, na cidade de Eisleben, na Saxônia, Alemanha. Pouco tempo após iniciar os seus estudos de Direito, Lutero resolveu abandoná-los e tornar-se monge, entrando para o Mosteiro Agostiniano de Erfurt. A sua ordenação foi em 1507. Em 1512, tornou-se Doutor em Teologia. Após certa idade, Lutero começou a ser afligido por uma angústia que pode ser sintetizada numa pergunta: Se o coração da pessoa é dominado pelo pecado, como pode esperar salvação diante de Deus? Lutero, então, redescobre o grande consolo que traz a Bíblia: o pecador é salvo mediante a fé, sem depender de boas obras, méritos próprios, sacrifícios ou mesmo indulgências. Conforme Romanos 1.17 “O Justo viverá por fé”. Em 1525 casou-se com a ex-freira Catarina Von Bora, com quem teve seis filhos. Lutero faleceu na sua cidade natal, em 1546.

Por daiane

Pastor Valmir Simon destaca que Martinho Lutero não tinha a intenção de fundar uma nova Igreja, visava apenas a renovação