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Em Outras Palavras

Era uma vez…

7 de outubro de 2021 às 15h59

Ética, trabalho, dedicação, honestidade, solidariedade.

Passei a infância e adolescência ouvindo que isso é fundamental na vida. Se não fosse o suficiente para enriquecer seria uma garantia, ao menos, para ter noites de sono tranquilo. “Podemos enganar todos sobre tudo o dia inteiro. Menos o nosso travesseiro”. Bordão que costurei com os primeiros preceitos que aprendi dentro de casa.

Com mais de seis décadas na “janela da vida” estas dicas simplórias são, além de atuais, cada vez mais difíceis de serem cultivadas. As tentações se renovam a cada dia.

A avalanche tecnológica reduziu o contato humano, característica levada à última potência nestes quase 20 meses de pandemia, confinamento e de terror espalhados pela mídia. A mesma mídia que abusou do termo “empatia”, jamais empregado na cobertura jornalística. Assistimos a milhares de imagens de covas abertas – a maioria jamais usada –, de mortos em macas na UTI e com depoimentos de baixo nível com o sofrimento explícito de famílias órfãs. Isso tudo era mesmo necessário?

São tempos novos, diferentes da minha infância
e que pouco têm a ver com valorizar o fator humano

Tarefa árdua manter a sanidade mental diante de tanto oportunismo à base de “sentimentos” comerciais, políticos e outros impublicáveis. Elogiar é temerário porque o personagem, no dia seguinte, atropela o bom senso e o respeito optando pelo vale-tudo por segundos de fama no noticiário.

Uma boa ideia, defendida por determinado grupo, vira motivo de crítica feroz ao ser adotada pelo segmento concorrente. O autor da iniciativa é sempre mais importante que os objetivos propostos.

Elogiar “A” nos faz, automaticamente por determinação do sindicato do ódio, simpatizantes de “B”. Não há espaço para o meio termo, muitas vezes sinônimo de bom senso. Radicalizar virou moda, comportamento irracional que cavou abismos dentro de milhares de famílias, sepultou amizades de décadas, enterrou biografias, apagou competência.

O festival de insanidades é turbinado pelo peleguismo de parte da imprensa tradicional que desaprendeu a apresentar argumentos – a favor e contra para que o público tenha o direito de formar a sua opinião, e não da empresa jornalística. São tempos novos, diferentes da minha infância. Muito ruins para quem privilegia o fator humano acima de tudo.

Por daiane