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Agricultura

Adversidade climática prejudica lavouras de trigo

, 7 de outubro de 2021 às 16h39

A instabilidade climática das últimas duas semanas reduziu o potencial de produção em lavouras de trigo nos municípios de Travesseiro e Marques de Souza. A alta umidade do solo prejudicou o enraizamento da planta e as rajadas de vento trouxeram mais perdas às lavouras.

Nesta safra, o agricultor Fernando Lamm, 32 anos, de Picada Felipe Essig, interior de Travesseiro, destinou cinco hectares de área para o trigo. O plantio ocorreu no final de maio faltando, agora, aproximadamente 10 dias para encerrar o ciclo. “A instabilidade prejudicou o desenvolvimento da lavoura. A umidade afetou o enraizamento e o vento derrubou praticamente 80% da lavoura, o que pode representar uma queda de até 50% na colheita”, afirma.

Lamm, pela primeira vez, apostou na cultura do trigo. O preço da saca foi o maior atrativo. Atualmente, grãos com PH de qualidade destinados para farinha estão cotados em R$ 83 a saca de 60 quilos. Nos demais, pode haver uma diferença negativa de R$ 5. “O preço cobriria os custos de produção (R$ 2,5 mil/hectare). Fizemos a aplicação de adubos, fungicidas, mas mesmo assim a perda será grande”.

A estimativa do produtor era de uma colheita recorde, em torno das 70 sacas por hectare. No entanto, com a instabilidade do tempo, a projeção caiu para as 40 sacas, número que pode se equivaler aos gastos no plantio, com a terceirização de máquinas na colheita e no transporte dos grãos.

Assim como a propriedade de Lamm, outros produtores em Travesseiro calculam prejuízos nas lavouras de trigo. Neste ano, o trigo foi plantado em aproximadamente 40 hectares, praticamente o dobro dos 20 hectares destinados à cultura na safra 20/21. De acordo com o extencionista da Emater/RS-Ascar, Carlos Dexheimer, aproximadamente 20% das lavouras foram afetadas com as mudanças climáticas. “A umidade afetou o enraizamento da planta, com grãos cheios, o vento derrubou parte das lavouras”.

O trigo também serviu para ocupação da lavoura e silagem para alimentação do gado leiteiro no período de entressafra.

Em Marques de Souza, o trigo ocupou cerca de 24 hectares das lavouras. A estimativa do técnico agrícola da secretaria da Agricultura, Michel Batistti é de uma queda de até 20% na produção.

POUCOS DANOS

Em Capitão, de acordo com o técnico agropecuário da Emater, Luciano Braga Cavaletti, cerca de 15 hectares de trigo foram plantados nesta safra, toda ela destinada para silagem. No município, poucos danos foram registrados pois a colheita ocorre antes do previsto.

Em Arroio do Meio, a estimativa da Emater é de uma safra recorde nos 350 hectares. O clima não afetou muito a cultura. A colheita deverá iniciar em menos de 10 dias. O técnico agrônomo da Emater, Elias de Marco revela que o aumento em relação à última safra é de 100 hectares e a boa cotação do grão no mercado internacional fez com que muitos produtores apostassem na cultura.

Por daiane

Vento forte atingiu a lavoura de trigo de Fernando Lamm em Picada Felipe Essig. Agricultor estima uma queda de até 40% na colheita da safra, que deve ocorrer em 10 dias