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VIDA, DÚVIDAS, ROTINA

10 de setembro de 2021 às 14h00

Aproveitar a vida “a milhão” ou ir tocando a rotina como faço há 61 anos esperando o chamado divino?

Diariamente sou assaltado por esta dúvida. No imaginário do “mundo ideal”, viagens, mudança de domicílio para uma praia do Nordeste, aposentadoria “de verdade” – ao invés do home office de 18 meses imposto pelo confinamento obrigatório – ou sair porta afora sem escolher o destino pilotando “meu auto”, como falamos aqui na colônia.

De outro lado, a responsabilidade de provedor da família, o medo de arrependimento, de perdas, do desconhecido. Brabo é ouvir que pior arrependimento é aquele fruto do que não fizemos. A vida está cheia de filosofia, ditados, frases bonitas de efeito e de mensagens de bem viver, mas que no cotidiano nem sempre têm eficácia.

Os amigos/amigas devem receber, via WhatsApp, avalanches repletas de conselhos “para uma existência melhor”. Como repito ao longo da vida, “a gente sempre cria melhor o filho dos outros”. Isso significa que os problemas, desafios e impasses dos nossos amigos são sempre fáceis de resolver. Todos têm solução… para os outros. A coisa muda de figura quando a decisão está em nossas mãos, envolve a nossa vida.

Pequenas alegrias do dia a dia por vezes
têm o efeito de um bálsamo reparador

Sempre fui irresponsável sobre o futuro. Coisas como aposentadoria, planos para uma velhice confortável e zelo pela saúde parecem distantes quando somos jovens. Alô amigos queridos, adolescentes e jovens adultos: a velhice chega para todos ou pelo menos para quem consegue chegar à enganosa “melhor idade”.

Criar bem os filhos é um desafio comum que tira o sono dos pais. Dosar amor e cuidados – com ajuda e apoio irrestrito – requer muita sensibilidade para não exagerar na dose. Proteção em excesso gera adultos inseguros, “mal-acostumados” e irresponsáveis porque podem contar com a retaguarda familiar.

Ausência por parte dos pais gera jovens revoltados, carentes e que, não raro, buscam em outros lugares menos saudáveis o apoio inexistente dentro da família.

E assim segue a dança da vida. Pequenas alegrias do dia a dia por vezes têm o efeito de um bálsamo para minimizar o desânimo. Nem sempre presenciar tragédias à nossa volta serve de estímulo. O desafiador é buscar forças em nós mesmos para viabilizar nossos sonhos. Independentemente da idade.

Por daiane