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“Vamos trabalhar até o último dia pela população”

, 3 de setembro de 2021 às 9h50

Os 13 funcionários da Companhia Rio Grandense de Saneamento e Abastecimento de Água (Corsan) que atuam em Arroio do Meio estão apreensivos com o desfecho em torno da privatização que foi aprovada terça-feira, por 33 votos favoráveis e 19 contrários, na Assembleia Legislativa do RS.

O gerente Jaime Luís Bersch revelou que a principal surpresa já havia ocorrido em abril, quando a Corsan foi incluída no pacote de privatizações e concessões. “Já sabíamos, que pela forma que o Governo Estadual negociava com o parlamento, na modalidade ‘toma-lá-dá-cá’, que seria aprovado. O problema é que não temos informações sobre a transição, se ainda fizemos parte dos planos dessa nova estrutura e de como vai ficar a previdência privada. Além disso, a população gaúcha não tem informações sobre a negociação, sobre questões econômicas, técnicas, burocráticas e de atendimento. Não sabemos o que vai vir. Só sabemos que vamos trabalhar até o último dia pela população. Essa insegurança afeta nossa vida profissional e pessoal”.

Atualmente a Corsan de Arroio do Meio atende sete mil economias, sendo tratamento de água sete dias por semana. 55% da água tem origem de cinco poços artesianos e 45% do rio Taquari. Jaime também destaca que todos os funcionários têm raízes com a comunidade, o que traz um comprometimento melhor para um atendimento qualificado, com sempre profissionais de sobre aviso. “Fizemos o melhor pela empresa, para atender bem a população, agora o Estado do nada vai nos dispensar. Não sabemos como será nossa previdência, nem a comunidade tem informações sobre a operação. A tendência é regionalizar, como a RGE Sul. A qualidade também não está garantida. Em alguns municípios a qualidade da água piora com municipalizações”, complementaram funcionários indignados.

Bersch complementou que a companhia não está sucateada e que só não está melhor pela falta de interesse político de alguns governos, mas sabe que não há reviravolta. Avalia que em breve prefeito e vereadores terão que estar atentos em torno da legislação municipal.

O PROJETO

O Palácio Piratini justifica a privatização, alegando que, sob controle público, a Corsan não teria capacidade para cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento, sancionado em 2020 pelo Governo Federal.

A lei exige que, até 2033, as empresas garantam 99% do tratamento de água e 90% do tratamento de esgoto. Atualmente, a Corsan oferece água potável para 97% das áreas urbanas. No entanto, apenas 17% dessas áreas são conectadas a uma rede de esgoto.

Em 2020, a Corsan obteve receita líquida de R$ 3,2 bilhões e lucro líquido recorrente de R$ 480 milhões, segundo relatório da administração. O governo aponta a necessidade de investimentos superiores a R$ 10 bilhões para atender a demanda da empresa, enquanto o plano de despesas de capital prevê investimento anual de R$ 1 bilhão.

A empresa, fundada em 1965, tem quase 5,7 mil empregados e atende pouco mais de 300 dos 497 municípios do Rio Grande do Sul.

COMO VOTARAM OS DEPUTADOS:

Favoráveis (33): Rodrigo Maroni (PV), Aloísio Classmann (PTB), Dirceu Franciscon (PTB), Elizando Sabino (PTB), Kelly Moraes (PTB), Luís Augusto Lara (PTB), Eric Lins (DEM), Adolfo Brito (PP), Ernani Polo (PP), Frederico Antunes (PP), Issur Koch (PP), Marcus Vinícius (PP), Sérgio Turra (PP), Neri O Carteiro (Solidariedade), Ruy Irigaray (PSL), Tenente Coronel Zucco (PSL), Vilmar Lourenço (PSL), Fran Somensi (Republicanos), Sérgio Peres (Republicanos), Gaúcho da Geral (PSD), Beto Fantinel (MDB), Carlos Búrigo (MDB), Clair Kuhn (MDB), Gilberto Capoani (MDB), Vilmar Zanchin (MDB), Faisal Karam (PSDB), Mateus Wesp (PSDB), Pedro Pereira (PSDB), Zilá Breitenbach (PSDB), Fábio Ostermann (Novo), Giuseppe Riesgo (Novo), Paparico Bacchi (PL), Any Ortiz (Cidadania)

Contrários (19): Edegar Pretto (PT), Fernando Marroni (PT), Jeferson Fernandes (PT), Luiz Fernando Mainardi (PT), Pepe Vargas (PT), Sofia Cavedon (PT), Valdeci Oliveira (PT), Zé Nunes (PT), Eduardo Loureiro (PDT), Gerson Burmann (PDT), Juliana Brizola (PDT), Luzi Marenco (PDT), Luciana Genro (PSOL), Dr. Thiago Duarte (DEM), Capitão Macedo (PSL), Patrícia Alba (MDB), Dalciso Oliveira (PSB), Elton Weber (PSB) e Airton Lima (PL)

Não votaram (3): Tiago Simon (MDB), Franciane Bayer (PSB) e Gabriel Souza (MDB) – Presidente da AL, só vota em caso de empate

Por daiane