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Educação

Projeto Amigos do Coração mostra que a união e a empatia fazem a diferença

, 10 de setembro de 2021 às 14h10

Tendo entre seus objetivos, oferecer uma rotina diferenciada e contribuir de forma significativa para questões cognitivas, emocionais e afetivas, mais especificamente com dificuldades de aprendizagem, foi idealizado na Emef João Beda Körbes, Arroio do Meio, o projeto Amigos do Coração.

A responsável pela iniciativa é a professora Vanessa Salton, do 3º -B, que se emociona ao explicar como surgiu o Amigos do Coração, ainda em 2019, e toda a mudança que já se percebe com ele. “Trabalho há muitos anos com Ensino Fundamental e Educação Infantil e penso que o olhar do professor é essencial em todas as formas. Em 2019, percebi a necessidade de fazer algo diferente, meu desejo era de que todos estivessem alfabetizados no terceiro ano. E aí é preciso contar um pouquinho da história do aluno Vítor Müller, 11 anos, que chegou nesta série não reconhecendo todas as letras. Pensei, preciso fazer algo onde possa estar colaborando com ele. Então criei o projeto, com auxílio dos alunos”, relata.

Diariamente, a primeira meia-hora de aula era destinada ao projeto para aquelas necessidades encontradas na turma. Em 2019, uniram-se no intuito de ajudar Vítor a ler e escrever. A professora explica que neste exercício de ajudar o colega, toda a turma saía beneficiada, pois todos aprendiam junto. “Propus a eles que pesquisassem o que gostariam de ensinar, então todos eles auxiliavam. No início, pesquisavam sílabas simples, depois foram para sílabas complexas e, por fim, para a escrita de frases. Os alunos que pesquisavam iam ajudar no quadro, então esse momento era de muita satisfação para eles”, conta Vanessa, acrescentando que foi organizada uma escala para que todos os alunos da sala tivessem a oportunidade de ajudar e que eles ansiavam muito por sua vez, trazendo de casa as palavras que iriam mostrar, anotadas, cheios de empolgação. “Não existe uma descrição para a sensação de tu conseguir fazer com que essas lacunas sejam preenchidas, porque eu sempre me coloco no lugar da criança e me coloco no lugar da família. Até então, em 2019, eu ainda não era mãe, mas eu sempre digo que tudo que eu faço é pensando como se ele fosse meu filho”.

Os resultados do trabalho deixaram a educadora muito orgulhosa. “Em certo momento, ele (Vítor) chegou com um bilhetinho escrito, que tenho até hoje. Não é um simples bilhete para mim, é como uma joia, onde diz que ele está aprendendo, que está escrevendo e que aprendeu a ler”. A comoção também veio por parte da família do aluno. O pai, Flávio Eduardo Müller, 51 anos, não conteve as lágrimas ao lembrar como foi ver o filho, que foi diagnosticado com autismo leve, progredindo. “Aquele foi o ano em que a gente conseguiu os auxílios, conseguimos juntar dinheiro para fazer o primeiro laudo dele, começar a usar medicação, ele começou a se focar”, acrescenta. Flávio descreve o filho como uma criança muito curiosa, inteligente e sonhadora. A partir do diagnóstico, ele começou a se identificar com as situações que o filho relatava ou mostrava. “Eu sabia o que ele estava dizendo, eram familiares aquelas coisas na infância”, recorda, concluindo que tem a mesma condição.

Devido aos resultados satisfatórios, o projeto ganhou continuidade em 2021, agora com a parceria do 3º – A, juntamente com a professora Claudia Siascia. O projeto pretende observar e interagir de modo a proporcionar um ambiente acolhedor, favorável às aprendizagens e ao convívio social; acompanhar os alunos diante de necessidades e dificuldades apresentadas, possibilitando mecanismos capazes de auxiliar neste processo de aprendizagem; e, proporcionar momentos de incentivo às capacidades de cada um, valorizando e fortalecendo a autoestima por meio de atividades atrativas, lúdicas, diferenciadas. Para a idealizadora, o sonho é de que, no futuro, possam expandi-lo para toda a escola. “Enquanto existe esperança, enquanto existe educação, acho que a gente precisa fazer a diferença. É uma inspiração, acho que o professor precisa ser isso, motivar, ver as possibilidades de cada um”, completa.

Momento dedicado ao projeto, diariamente, era muito esperado por todos

Professora Vanessa Salton

Flávio Eduardo Müller, pai de Vítor

Por daiane