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Segurança

Presídio investe em melhoria da segurança e condições humanitárias

, 17 de setembro de 2021 às 9h35

O Conselho da Comunidade de Execução Penal da Comarca de Arroio do Meio, retomou, dia 14, as reuniões mensais que estão programadas para serem realizadas sempre na primeira terça-feira de cada mês. O encontro ocorreu no auditório do Presídio Estadual de Arroio do Meio (Peam), no bairro Bela Vista e foi conduzido Márcia Garibotti Lorenzon – secretária de Assistência Social de Nova Bréscia. Também participaram representantes de Coqueiro Baixo, Travesseiro, o município anfitrião, Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), do Núcleo Estadual de Educação de Jovens e Adultos (Neeja) e voluntários. O único prefeito presente foi o de Nova Bréscia, Ângelo Barbieri.

Na ocasião foi apresentado um relatório das atividades voltadas para ressocialização dos apenados, considerando que a entidade que dá suporte à Susepe não teve reuniões em 2020 em decorrência da pandemia, o que também impactou na rotina da Casa Prisional.

Atualmente são 61 presos, lembrando que chegou a ter 72, e a capacidade de lotação é para 28 detentos. Destes, 16 são de Arroio do Meio, um de Pouso Novo e um de Travesseiro e os outros são de fora da Comarca.

O coordenador do Neeja, Adalberto Koch explicou que as aulas presenciais foram retomadas em 25 de agosto, com 12 alunos matriculados, sendo nove no Ensino Fundamental e três no Ensino Médio. As aulas ocorrem cinco dias por semana, e incluem disciplinas de educação física, artes e inglês. Há a perspectiva de mudanças na grade curricular, com progressão por etapas e não por semestre. Lembrando que a frequência nas aulas implica na redução da pena. Aulas a distância também estão previstas para serem retomadas. Entre os destaques do corpo docente está o envolvimento da ex-coordenadora regional de Educação, Greicy Weschenfelder, um aluno de 76 anos recebendo alfabetização e a inscrição de 12 apenados para o próximo Enem.

No âmbito religioso, está sendo retomada a atividade pastoral carcereira.

No momento, apenas uma empresa está oferecendo trabalho – montagem de sacolas – para 25 apenados. Entretanto, os presos também estão envolvidos em atividades voluntárias, como a construção de casinhas de cachorros para Ongs e artesanato, que é comercializado pelos familiares.

No entanto, diversas empresas são parceiras em doações que foram intensificadas durante a pandemia. Os itens envolvem alimentos, material de higiene e limpeza, e mudas para a horta.

Em decorrência da pandemia, diversas medidas em torno da higienização dos ambientes e distanciamento, motivaram alterações na rotina. Inclusive, foi construída uma sala covid-19 para isolar presos novos por 14 dias, antes de serem integrados aos demais internos. Ainda durante a pandemia, um pequeno surto contagiou 12 detentos, sendo cinco assintomáticos, mas que levou o apenado mais jovem a óbito.

As visitas íntimas e sociais foram reduzidas a uma mensal, e os atendimentos em saúde foram ampliados por meio de uma parceria com o governo municipal.

A assistente Social de Arroio do Meio, Leopoldina Oliveira falou do empenho do Cras em atualizar o mapa familiar dos apenados, para dar suporte psicossocial às famílias, o que é entendido como de suma importância para os filhos terem outras oportunidades, por meio do Jovem Aprendiz e outros programas. Segundo ela, o ideal seria o preso encontrar uma estrutura familiar sólida após o cumprimento da pena, porém, em alguns casos, os vínculos familiares se rompem. Apesar dos desafios, atividades internas com as famílias, têm ajudado no fortalecimento de laços afetivos.

O administrador do presídio, Rogério Tatsch, também destacou que a paralisação das atividades do Conselho trouxe desafios em torno de melhorias e investimentos na estrutura, que garantem melhor segurança e questões humanitárias. “A Susepe depende do Conselho e o conselho do MP e Judiciário”. Entre as obras, está a construção de um muro na parte frontal, um hall de entrada, a ampliação de uma cela, a colocação de piso no pavilhão de trabalho e salas de aula, sistema de videomonitoramento, fechaduras eletrônicas e instalação de vasos sanitários, que contaram com ajuda dos municípios, judiciário e Ministério Público e doações de empresário”, pontuou.

Além do surto de covid-19, os agentes penitenciários locais conviveram com a tensão de receber um apenado de alta periculosidade preso em flagrante por tráfico em Pouso Novo, juntamente com outros cinco indivíduos. Este detento acabou sendo transferido para Lajeado e, posteriormente, para Caxias do Sul, onde veio a matar um agente penitenciário durante uma tentativa de resgate. “Poderia ter ocorrido aqui”, comentaram os agentes.

A presidente do Conselho ainda frisou que a entidade, juntamente com a Susepe e voluntários, está cumprindo com a função de proporcionar aos presos direitos básicos ao trabalho, educação, religiosidade e interação com a família, para garantir a ressocialização. Márcia foi homenageada pelos demais integrantes do Conselho, assim como foi lembrado o nome do primeiro presidente Assello Frehlich, que assumiu a entidade quando não havia interessados.

Atualmente o presídio conta com a mão de obra de 19 servidores da Susepe, a guarita é monitorada pela Brigada Militar, além do apoio de parceiros voluntários.

Aulas reiniciaram em agosto, com 12 alunos matriculados

Por daiane