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Cristina Fuchs: concentração e persistência na montagem de quebra-cabeças

, 14 de setembro de 2021 às 11h13

Alguns dos quebra-cabeças de Cristina Fuchs, 30 anos, demoraram meses para serem concluídos. Outros apenas semanas. O dom apurado para montagem de milhares de pequenas peças foi percebido desde cedo pela família, que reside no distrito de Tamanduá, em Marques de Souza.
Cristina é filha dos agricultores proprietários de uma agroindústria, Rudimar João Fuchs e Marlete Degasperi Fuchs. Os primeiros quebra-cabeças começaram a ser montados em 2012, com uma imagem de Romero Britto que durou aproximadamente 10 meses para ser concluída. A montagem segue até hoje com muita concentração nas imagens e no formato das peças. O exercício mental também é praticado no computador.
O tempo de montagem de cada imagem depende de alguns fatores como cores, desenhos, tamanhos e quantidade de peças que variam entre 500 e 1,5 mil. Cristina monta todas as obras e quadros em uma mesa instalada na sala de estar, sozinha, com muita concentração, sem receber auxílio. “Cada quebra-cabeça é montado pela borda. Gosto muito de montar estes quebra-cabeças”.
Alguns dos trabalhos até já foram vendidos. Um dos mais difíceis para ser montado, de acordo com ela, foi uma imagem de diferentes cachorrinhos. Já um dos mais fáceis e rápidos foi a imagem de araras em um fundo único azul, exposto na sala de casa.
Cristina sofre da síndrome Prader-Willi, doença rara que atinge uma a cada 30 mil crianças no mundo, causando obesidade, deficiência mental, perda de estatura e dificuldades para leitura e escrita. Conforme o pai Rudimar, não há cura para a doença, porém Cristina possui alguns dons muito apurados como a memória, possui uma boa concentração e é muito determinada.
Segundo os pais, a descoberta ocorreu logo após o nascimento. Cristina desde cedo recebeu acompanhamento com pediatras. A síndrome foi confirmada oficialmente aos oito anos de idade após um diagnóstico realizado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
De lá para cá, Cristina, com o apoio dos pais, recebe acompanhamento da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e tratamentos com remédios controlados para ansiedade.
Além dos quebra-cabeças com 1,5 mil peças, Cristina também ocupa o seu tempo livre ao lado dos animais de estimação como cachorros, gatos, porcos, galinhas e auxilia os pais no desmame de terneiros.

Por daiane

Cristina é filha dos agricultores proprietários de uma agroindústria, Rudimar João Fuchs e Marlete Degasperi Fuchs. Os primeiros quebra-cabeças começaram a ser montados em 2012