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CRIE Smart Cities e o desafio de pensar o futuro das cidades

, 3 de setembro de 2021 às 9h15

Depois de cinco dias e mais de 80 horas de transmissões ao vivo, o CRIE Smart Cities, promovido pela Univates, chegou ao fim na noite da sexta-feira, 27, quando foram realizados os painéis Efeitos Colaterais do Uso de Telas digitais; e Nova Economia, Startups e Transformação Digital. O encerramento das atividades, assim como a comemoração pelo Dia do Estudante, ficou por conta da Banda Ultramen, que subiu ao palco do Teatro Univates depois de um ano, oito meses e 13 dias sem atividades culturais presenciais.

Conforme o coordenador do evento, professor Leonel de Oliveira, além do grande número de inscritos, houve um índice muito bom de participação nas atividades. “As diferentes áreas conseguiram ser contempladas, transversalizando a discussão que foi ampliada e que atingiu diferentes atores regionais e a comunidade como um todo. Tenho a percepção de que as discussões não irão parar no evento e que o CRIE aparece como oportunidade de demarcar o momento de um dos mais importantes debates em torno do futuro da cidade”, analisou, acrescentando que houve um claro nível elevado de satisfação dos participantes dos eventos.

Na sexta-feira também foram realizadas as premiações do concurso Um Parklet para Lajeado e do 2º Concurso Arte na Cidade. Destaque para o arroio-meense Samuel Hergessel, que terá sua arte estampada no Setor 1: Muro Presídio Estadual de Lajeado. Na sequência, entrevista exclusiva para o AT com Leonel José de Oliveira, coordenador geral do CRIE Smart Cities:

AT – Qual a importância de falarmos sobre os conceitos e processos das cidades inteligentes? Podes nos explicar a amplitude do tema, quais aspectos que podemos entender como integrantes deste conceito?

Leonel de Oliveira – Entendendo que o conceito de cidades inteligentes se relaciona a pensar soluções para melhorar a qualidade de vida das pessoas, falar sobre esse conceito é fundamental às cidades que estão atentas ao desenvolvimento sustentável e buscam melhorar suas condições para a vida de todos que nelas habitam. A avaliação do quão inteligente uma cidade é, geralmente é mensurada por indicadores pré-determinados, dentre os quais podemos destacar: governança; gestão pública; planejamento urbano; tecnologia; ambiente; alcance internacional; coesão social; mobilidade e transporte; capital humano; economia.
Mas cada cidade deve, no seu contexto, entender quais seriam os indicadores que fazem mais sentido e defini-los a partir da realidade e das demandas e potencialidades locais.

AT – Aqui em nossa região, como isso pode se aplicar e quais as vantagens que podemos ter?

Leonel de Oliveira – Para começar é necessário identificar onde as soluções não estão sendo adequadas ou suficientes para atender as demandas cotidianas da população. Para muitas dessas demandas, podemos lançar mão de tecnologias que possam facilitar o dia a dia das pessoas, estreitar a comunicação entre poder público e cidadãos. No entanto, é fundamental detectar também as demandas reprimidas. Ainda estamos em um contexto onde parte da população não tem acesso a saneamento básico, mobilidade urbana eficiente, inclusão digital. Para esses gargalos são necessários políticas e investimentos públicos. Por outro lado, uma cidade (ou região) inteligente também deve saber identificar os potenciais apresentados e, a partir deles, criar oportunidades para desenvolver e manter seu capital humano, oportunidades de empreendimento, novos negócios… e a tendência é que atuar em diferentes esferas gere um processo de retroalimentação que poderá potencializar o desenvolvimento local e regional.

AT – Muitas pessoas consideram que pensar e cuidar do meio ambiente diz respeito apenas a questões como reduzir o lixo e preservar as áreas verdes. Como podemos mostrar que isso é mais amplo? O que podemos mudar (nós como pessoas ou empresas) para contribuir?

Leonel de Oliveira – Temos muita informação disponível. Sabemos do nosso grande impacto no meio ambiente… é importante que tenhamos mais campanhas de conscientização para uma mudança de hábitos massiva e, muitas vezes, legislação mais rigorosa e fiscalização mais responsável são necessárias para promover essas mudanças.

AT – Em um cenário de pós-pandemia, muitos hábitos e formas de viver mudaram. Como podemos pensar isso em relação a avanços e formas de melhorar nossa qualidade de vida?

Leonel de Oliveira – Oportunizar meios de as pessoas terem mais contato com a natureza, adotarem hábitos mais saudáveis, seria uma forma… investimento em infraestrutura de praças, parques, arborização urbana, ciclovias, calçadas mais seguras e confortáveis é outra dessas formas.
Oferecer atividades de lazer, de integração à comunidade, espaços para práticas de esporte e atividades que proporcionem bem-estar físico e metal, assim como tornar serviços prestados à população mais eficientes também melhora a qualidade de vida.

Por daiane

Professor Leonel José de Oliveira, coordenador geral do Crie Smart Cities