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Jornal da Semana
Dia dos Pais

“Os filhos são nosso amor maior”

, 6 de agosto de 2021 às 17h10

O motorista de caminhão, Fábio Kreutz, 39 anos, morador de São Caetano, foi mais um pai de família que esteve entre a vida e a morte, em decorrência de complicações de saúde provocadas pela covid-19. Agora, neste Dia dos Pais, será ocasião de dar ainda maior valor à data, em família, comemorando a vida. “Tudo pode mudar de uma hora para a outra, por isto, é preciso dar valor ao essencial”, diz.

Ele sofreu o contágio com o vírus no início de março, após sua esposa Mariane, ter contraído a gripe, provavelmente no ambiente de trabalho. “Fora das obrigações profissionais, estávamos evitando aglomerações. Apenas do trabalho para casa e, nos fins de semana, para casa da minha mãe, Rovena, em Arroio Grande”.

Sua esposa fez o teste após sentir muitas dores no corpo e cansaço, mas não precisou de internação hospitalar. Fábio, também fez o teste, mas inicialmente o resultado foi negativo. No segundo dia em que voltou a trabalhar, após o isolamento obrigatório de dez dias, começou a sentir sintomas mais fortes e pediu para os colegas ficarem distantes, pois desconfiava de algo mais sério. “Quando fui ao posto de saúde, estava com todos os sintomas e eles me receitaram o kit contra covid-19. Era uma quinta-feira. Passou uma semana e eu não melhorei. Tossia e queria pôr o catarro para fora, mas eu não conseguia. Procurei o Hospital São José, no domingo, e o nível de saturação estava no máximo. Me internaram na ala covid e, na sexta-feira seguinte, me transferiram para a UTI do Hospital Bruno Born. Recebi oxigenação de alto fluxo em 100% do tempo e deitado de bruços. Estava lúcido. Eu achei que ia morrer. A todo instante ficava emocionado pensando nos filhos. Era minha motivação mais forte para lutar contra a covid. Achei que nunca mais ia rever ou abraçá-los novamente”.

A esposa Mariane relata que os filhos sentiram o maior impacto emocional quando o marido foi transferido para UTI. “A ficha caiu em torno da gravidade da situação. A filha mais velha, Eduarda, ficou tão abalada que não se alimentava direito. Como ela é tímida e gosta de escrever, pedi para ela se expressar colocando no papel todas as angústias, inseguranças e medos. Yuri, de dois anos, ficou triste e com muita saudades. Todo carro que passava pela rua após as 18h, ele se parava na frente da porta esperando pelo pai. Ele nunca havia se comportado assim”, detalha a mãe.

Após ser transferido para o quarto comum, Fábio teve de lidar com um período de recuperação lento. No hospital, praticamente não se alimentou, apenas recebeu soro. Em casa, as primeiras refeições foram a base de frutas. Levou umas três semanas para a ingestão de outros alimentos e recuperar o apetite. Os primeiros banhos foram sentado.

Retornou a rotina de trabalho, na Construtora Diamond, de forma muito limitada. “Não tinha fôlego para carregar ou descarregar dois tijolos. Perdi uns 15kg. Ainda não recuperei a massa muscular e condicionamento cardiovascular. Devo estar com 75% da capacidade que tinha antes. Sinto muita dor nas articulações, na parte superior da coluna e no nervo ciático. O cansaço persiste”, revela.

O VALOR DA FAMÍLIA

Antes de trabalhar na Diamond, Fábio foi funcionário da Serraria Irmãos Körbes, de Arroio Grande, onde atuou desde os 14 anos de idade. Conheceu sua esposa há 20 anos, por meio de amigos, na localidade de Palmas. Na época, estava no quartel e só voltava para o município nos fins de semana.

Os dois decidiram morar juntos, já em São Caetano, quando foi planejada a vinda da primeira filha, Eduarda. O segundo filho, Yuri, também foi planejado. Na rotina, gostam da vida comunitária. São associados ao Pituca, ao União de Arroio Grande e frequentam as comunidades católica de Arroio Grande e Evangélica de Palmas. Fora isso, curtem a propriedade da mãe de Fábio, onde as crianças brincam e ele cuida do pátio, e locais públicos do município, como a Área de Lazer Pérola do Vale, onde tomam chimarrão.

Fábio nunca cometeu exageros na alimentação e outros hábitos não recomendados, e sempre foi um pai presente na rotina dos filhos. Agora, pretende intensificar os cuidados com a saúde e ficar ainda mais junto da família, agora que teve uma nova chance para recomeçar. “Percebi que os nossos filhos são o amor maior. Quero dar ainda mais atenção e o meu melhor por eles”, contou emocionado.

Em setembro, vai completar três anos que Fábio perdeu seu pai Guido, devido a complicações ocasionadas por uma leptospirose.

Por daiane

Após estar entre a vida e a morte em decorrência da covid-19, Fábio Kreutz pretende intensificar o afeto e atenção a família