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Mônica Leal avalia mobilização da direita

, 27 de agosto de 2021 às 8h50

Esteve na região, na última sexta-feira, a vereadora progressista de Porto Alegre, por quatro mandatos, Monica Leal. Além de visitar veículos de comunicação, a legisladora teve agenda com líderes políticos de Estrela e de Arroio do Meio, sendo recebida no gabinete do prefeito Danilo José Bruxel.

Em visita ao AT, a jornalista especializada em Ciência Política revelou que foi convocada pelo presidente do PP-RS Celso Bernardi, enquanto líder feminina da Região Metropolitana, a se candidatar a AL/RS.

A ex-secretária estadual de Cultura do governo Yeda Crusius, avalia que a pandemia foi uma catástrofe na cultura e setor de eventos, levando muitos artistas e pessoas do meio a terem sérias dificuldades. “Se as maiores emissoras e redes de comunicação do país tiveram que reprisar conteúdo, imagina os artistas locais. Na Capital, várias placas de vende-se, aluga-se, e pessoas, inclusive crianças, pedindo esmola na rua, morando na frente de lojas evidenciam as dificuldades. Fome também mata. Fecharam tudo de forma muito precoce e total. Sempre defendi que não se resolve uma crise criando outra. Poderiam ter assistido e analisado melhor o avanço da pandemia. Faltou confiança nos empresários. Além disso a mídia terá que refletir sobre o seu papel na sociedade, pois em parte influenciou para aterrorizar a sociedade”, analisou.

Segundo a vereadora, a evasão escolar é reflexo na ineficiência das aulas remotas e falta de visão dos gestores. “A realidade gaúcha não é de notebooks e smartphones para todos os estudantes. A internet não funciona. As crianças não sabem entrar nos aplicativos. Os pais pegam o ônibus para ir trabalhar, ficam horas no trânsito, e precisam levar o celular consigo. Os filhos ficaram com irmãos mais velhos ou vizinhos”, detalhou.

Apesar de condutas questionáveis de algumas autoridades e representantes políticos, e censura em redes sociais, a pré-candidata avalia que a democracia no Brasil está garantida, pois, o povo respeita as instituições. Porém, defende investimentos massivos do país em educação, para as futuras gerações terem capacidade de reflexão e análises mais apuradas. Além de uma reforma institucional total para acabar com as ‘amarras’ que são perigosas e preocupantes.

Em âmbito estadual revela que o PP tem o senador Luís Carlos Heinze como pré-candidato ao Piratini. “Temos um partido forte, grandes nomes e quadros experientes. Não precisamos ser reboque de ninguém. Heinze é um homem preparado, uma referência no agro com uma reputação ilibada. Em meio a dificuldades de comunicação e estrutura em comparação com outras siglas que foram protagonistas nos governos anteriores, sobrepõe a necessidade de um perfil honesto, equilibrado, leal e competente”, defende.

Em uma breve análise sobre a militância, ela também avalia que é nítido um aumento de participação da direita em manifestações nos últimos anos e lamenta episódios de oportunismo. “A direita trabalha muito, mas tem dificuldades para divulgar isso. Não importa integrar um governo ou não. O patrimônio é a palavra, que tem o poder de formar opiniões”. Sobre as citações de “intervenção militar já” em manifestações, revela que, possivelmente, têm origem em infiltrados. “Nossa democracia é nova e veio à duras penas, precisa ser valorizada e respeitada”, dimensionou.

TRAJETÓRIA – Filha do ex-deputado da antiga Arena, Coronel Pedro Américo Leal, por quatro mandatos e vereador de Porto Alegre, empresária do ramo de moda, Mônica iniciou seu trabalho na política enquanto assessora de seu pai na década de 1990. Em 2004 concorreu para vereadora ficou na suplência, mas devido à composição do governo municipal, assumiu cadeira na casa legislativa tendo como bandeira a segurança pública. Em 2006 foi convocada pelo PP a ser candidata ao Senado, conquistando 850 mil votos. Durante a campanha, apresentou propostas para segurança pública, como a criação do Ministério da Segurança Pública, implementado 12 anos depois pelo presidente Michel Temer.

No segundo turno, apoiou a campanha de Yeda Cruisis (PSDB), que a convidou para ser secretária da Cultura. Sua gestão foi marcada pelo zelo do dinheiro público, com destaque para recuperação da credibilidade da Lei de Incentivo a Cultural, que estava com déficit orçamentário, entre renúncias de receitas e valores aplicados em projetos culturais, pelo corte de despesas (aluguéis, veículos, pessoal, telecomunicações, entre outros gastos) e transparências durante uma investigação do MP que apurava fraudes em assinaturas e repasses, que resultou em oito servidores afastados e três prisões.

Na parte cultural, a principal ação foram programas socioculturais para despertar talentos e vocações por meio de oficinas e projetos sociais, em áreas de alta vulnerabilidade social e criminalidade. “Conseguimos fazer aqueles jovens se sentirem valorizados, levando o hip-hop ao Teatro São Pedro”, exemplificou.

Voltou à Casa Legislativa da capital gaúcha e em 2019 foi a única mulher de direita presidente em 247 anos de história.

Por daiane