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Carta Branca

TER SORTE OU NÃO

23 de julho de 2021 às 15h29

Andando por uma estradinha meio abandonada, avistei uma ferradura na valeta. Ferraduras, você sabe, servem para proteger os cascos dos cavalos. As mais tradicionais são feitas de ferro – o próprio nome diz. Como novidade, apareceram as de alumínio e até de materiais flexíveis, mas eu não sei se estas têm igual valor. Bom, a ferradura que estava à minha frente era das antigas e já bem gasta pelo uso. Provavelmente estaria jogada ali um bom tempo.
Claro que eu recolhi a ferradura.
Levei pra casa pensando que serviria de amuleto. Não pendurei na porta – como ensinam os que conhecem os macetes para atrair a sorte – disfarcei um pouco. Coloquei no vaso entre as folhagens que cultivo na entrada, antes da porta. Mas a esperança era a mesma: chamar sorte, proteger de mau olhado.
– Se eu acredito no poder da ferradura?
– Não sei.
É a velha história: “No creo em las brujas, pero que las hay, las hay.”

§§§

Se você botar na mesa o tema “sorte”, vai ver que o papo rende. As opiniões variam.
Muitos pensam que não há o que fazer. Que o destino comanda a vida. Antes do nascimento, as estrelas já conheceriam o nosso rumo e ponto. Até dizem que, se ferradura desse sorte, burro não puxaria carroça.
Outros acreditam que dá para atrair sorte com recursos meio mágicos – ferraduras, trevo de quatro folhas, pé de coelho – ou, então, com o poder do esforço. Estes últimos pertencem ao partido de Tiger Woods, o campeão de golfe. Tiger Woods costuma dizer: “quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho”.

§§§

Para botar lenha na fogueira, chamo Frans Johansson, um sueco descendente de negros e de indígenas americanos, que foi educado nas melhores universidades do mundo. Hoje em dia é empresário e palestrante junto às plateias mais qualificadas.
Em 2012 lançou um livro intitulado “O momento do click”. Ali procura demonstrar que o mundo é imprevisível e que aproveitar as oportunidades, frequentemente inesperadas, é o que faz toda a diferença.
Um dos exemplos de Johansson é a Nokia, empresa que dominou o mercado dos celulares, mas falhou em perceber o potencial dos smartfones. O que faltou para a Nokia foi um “click”.
– E como se faz para ter um “click”, senhor Johansson?
Ao que se espera, a resposta vem no livro. Se for comprado pela Amazon, custa R$ 263,30.
Uma perfeita barbada! (considerando o que pode entregar…)

Por daiane