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Meio Ambiente

Escola recolhe embalagens plásticas e as encaminha para a reciclagem

, 4 de junho de 2021 às 9h30

Tendo como objetivos a sustentabilidade, a educação ambiental e a logística reversa, desde 2019 a Escola Municipal de Ensino Fundamental São Caetano, Arroio do Meio, desenvolve um trabalho que mobiliza alunos, professores, funcionários e comunidade. Com a instalação de um PEV (Ponto de Entrega Voluntária), comunidade escolar, moradores do bairro e de diferentes partes do município, levam até a escola garrafas PET, embalagens vazias de produtos de limpeza e de alimentos e plásticos em geral, para que recebam o seu destino correto.

A iniciativa começou com a estudante de Ciências Biológicas Bacharelado, Karine Hoffmeister, que também é mãe de aluno e que apresentou à escola a ideia, realizando um trabalho que integrava o seu TCC. Na época, o tema sustentabilidade já havia sido escolhido como o foco a ser trabalhado com os sétimos anos, pela professora de Ciências Leila Horst. Os assuntos complementaram-se e deu-se origem, assim, a uma iniciativa que segue, mesmo com a diminuição do movimento na escola, em função da pandemia.

As embalagens coletadas e depositadas no PEV passam depois por uma triagem simples. O material é recolhido periodicamente pela empresa Lorenzon Plásticos, de Encantado, que atua na recuperação de resinas plásticas desde 2004. A empresa realiza todo o processo de reciclagem mecânica (triagem, fragmentação, lavagem/separação, secagem e extrusão) e reinserção de todo o volume na cadeia econômica do plástico. A empresa fornece também os sacos onde todo o material reunido pela escola é armazenado, após sair das caixas coletoras. A atividade oportunizou a geração de renda extra para a escola a cada quilo de material recolhido.

Somente na primeira etapa do projeto, em 2019, conforme a diretora Andrea Barth, foram recolhidos 454 kg de plástico. Andrea conta que, em virtude da pandemia, o movimento de entrega dos recicláveis diminuiu, mas as famílias continuam levando as embalagens à escola, sendo que algumas delas são assíduas neste compromisso. Na época, a empresa pagava R$1 por quilo. Hoje, esse valor está em R$1,50. O dinheiro foi revertido para material pedagógico aos alunos.

Não custa nada

Maria Dalila Cardoso tem participado ativamente da campanha da escola. Avó de Lucas, estudante do 5º ano, tem mobilizado toda a vizinhança. Na rua onde mora são poucas as famílias com crianças na escola. Por isso, além de guardar as embalagens vazias da família, pede para que os vizinhos também guardem. “Alguns já deixam no nosso pátio porque sabem que levo para escola. Já levei bastante material. Não me custa nada ajudar. É bom para a escola que junta um dinheiro e é melhor para a natureza, porque isso tudo tem um destino correto, não fica jogado no meio ambiente”, defende.

Natural de Camaquã, Maria Dalila reside em Arroio do Meio há quatro anos e elogia o município e a escola. Diz que há boa educação, saúde e infraestrutura, segmentos precários na sua terra natal. Ela, que veio com a mudança sem conhecer nada do município, surpreendeu-se positivamente. Quatro meses depois, quando o neto passou a residir com ela, o esposo e o filho, percebeu a importância da Escola São Caetano. Conta que o menino era um pouco indisciplinado e a escola foi fundamental para sua educação. “Tenho muito a agradecer à São Caetano, porque não desistiram do meu neto. Ele frequentou o Mais Educação, o que também foi muito importante, porque tinha atividade no contraturno. O suporte da escola foi fundamental para que conseguíssemos dar uma boa educação a ele”.

Com a boa relação construída com a escola, a avó não podia deixar de se empenhar para que mais embalagens vazias, sejam plásticas ou pet, tenham um destino correto. “Recebi o Whats falando da proposta e saí pela vizinhança pedindo os materiais para reciclagem. Não me custa nada e a escola tem um bom aproveitamento”.

Semear a ideia para que ela cresça

Conforme a idealizadora do projeto, Karine Hoffmeister, o trabalho que realizou abordou questões sobre materiais plásticos, para assim despertar interesse e disseminar conhecimento quanto a separação e destinação correta de resíduos pós-consumo para a reciclagem. “Porque, atualmente, o consumo em grandes proporções acaba gerando uma alta quantidade de resíduos, e estes quando não destinados de forma correta acabam criando um grande impacto ambiental. Os materiais poliméricos, em sua maioria, podem ser de grande potencial de reaproveitamento, trazendo com isso o assunto do trabalho que é a logística reversa de embalagens plásticas e a volta como matéria prima”, explica.

Karine considera que a logística reversa pode ser abordada na educação ambiental pelas escolas em qualquer série da educação na atualidade. “As escolas desempenham um papel fundamental em prol do meio ambiente, pois elas conseguem mobilizar além dos alunos, seus familiares e toda a comunidade a desenvolverem novos hábitos”. Na atividade junto à São Caetano, ela levou os alunos para uma visitação na empresa de Encantado, para verem como o plástico volta a virar matéria prima. A escola, engajada na causa ambiental, desenvolveu projetos com ecobags de reaproveitamento de tecidos e fez panfletos e divulgação para a comunidade sobre o PEV. “Eu coloquei a sementinha lá, e a escola optou por continuar seguindo com o PEV ali. Sabe-se que hoje as escolas são carentes de verba, mas com uma iniciativa como essa só precisam ter o lugar para o PEV e, assim, recolher as embalagens”, diz, acrescentando que é um lixo limpo, que não envolve acumulo de sujeira e é muito simples de fazer.

Karine ressalta que é comum pensar que a comunidade não se engaja neste tipo de iniciativa, mas é bem o contrário disso. “Às vezes só falta aquele empurrãozinho. O pessoal participa, só que eles têm de ser estimulados e ter o local para onde levar o material. Desejo que no futuro, possamos ter uma PEV em cada escola”, encerra.

Projeto de plantio de mudas frutíferas

Não é apenas com o projeto de reciclagem de embalagens que a Emef São Caetano está envolvida em seu compromisso de melhorar o meio ambiente. Conforme a diretora, Andrea Barth, a escola desenvolve também um projeto de plantio de mudas frutíferas na Área de Lazer Pôr do Sol da Escola, pertencente à UNISCA (União da Comunidade de São Caetano). O local é gentilmente cedido à escola pela comunidade para a realização de atividades como Educação Física. “A área de lazer tem em torno de 20 anos de história e, como em 2019 também trabalhamos a importância das frutas, foi realizado o plantio de frutíferas como goiabeira, limoeiro, bergamoteira”, completa Andréa. A Escola tem acompanhado o desenvolvimento destas plantas que estão crescendo de forma satisfatória.

Maria Dalila recolhe o material reciclável na vizinhança e leva para a escola

Integrando seu trabalho em prol do meio ambiente, escola fez o plantio de mudas frutíferas na área de lazer Pôr do Sol e acompanha o crescimento delas

Por daiane