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Jornal da Semana
Dia das Mães

Vidas transformadas pelo amor

, 7 de maio de 2021 às 10h10

Há seis anos as irmãs Neusa Forster e Marisa Rempel, que residem em Arroio do Meio, tiveram suas vidas transformadas. De uma forma diferente, se tornaram mães no mesmo dia. Ambas assumiram a guarda legal dos irmãos Mateus e Eduarda, seus sobrinhos-netos, em comum acordo com os pais biológicos. De lá para cá, muita coisa mudou na vida das duas famílias.

Marisa, que não teve filhos biológicos por opção, transborda amor depois que Eduarda, a Duda, passou a morar com ela e o marido Roque Haas. Se encanta com os avanços gradativos da menina que está com 12 anos e vai aos poucos descobrindo o mundo. Diz que sempre tenta passar valores que considera importantes e entende que o caráter das crianças vai se formando a partir do dia a dia, com bons exemplos, orientação e limites, o que inclui ter mais rigidez em algumas situações.

Duda deu vazão a um lado maternal de Marisa que estava adormecido. Ela já havia considerado adotar uma criança, mas, por conta da burocracia, nunca levou a vontade adiante. “Esse meu desejo acabou se realizando ao natural. A Duda não nasceu da minha barriga, mas da minha alma. Me realizou de uma maneira que não tem explicação”, conta.

Neusa, que já era mãe de Débora, 22 anos, também afirma que a vida se transformou para melhor com a chegada de Mateus. O menino, hoje com 11 anos, a chamou de mãe desde o início, assim como ao marido, Décio, de pai. Virou o xodó da casa. Ela conta que não há diferença, tanto no tratamento como no amor, em relação à filha biológica. Como já diz o ditado, coração de mãe sempre tem lugar para mais um. “Sempre pensamos no melhor para os dois. Se faz o que está ao nosso alcance para que eles sempre estejam num bom caminho e sejam pessoas do bem”, declara.

Como as crianças já tinham convivência com Neusa e Marisa e as famílias, antes de residirem com elas, a adaptação foi mais tranquila. Houve e ainda há desafios, cuja superação sempre é buscada em conjunto. Ambos tiveram acompanhamento multiprofissional para auxiliar no processo e hoje compreendem a situação e estão bem adaptados.

O convívio dos irmãos é uma premissa básica e sempre que possível as duas famílias fazem programas juntas. Eles se veem praticamente todos os dias e mantêm vínculos próximos com a família biológica, especialmente a paterna. “São muito amados por todos nós. Sempre dizemos que eles têm dois pais e duas mães, o que é uma bênção”, pontua Marisa.

As duas irmãs acreditam que houve muito crescimento nestes seis anos. Ao olharem para trás, lembram que no início foi desafiador, pois viviam um momento delicado com a mãe, que ficou por cinco anos acamada. Observam que receberam muito apoio, seja da família ou de amigos, o que deu a certeza de que estavam no caminho certo. Se consideram mãezonas e o brilho nos olhos ao falar das crianças transparece realização.

Marisa, cuja referência de maternidade sempre foi a própria mãe, viveu um misto de sentimentos no primeiro Dia das Mães que passou com Duda. “Era o primeiro Dia das Mães que eu ia passar sem a nossa mãe e ao mesmo tempo o primeiro que eu era mãe. Agora eu era a referência de mãe para alguém. Ao mesmo tempo que sentia a falta da minha mãe, sentia alegria pela oportunidade de viver esta experiência”, confidencia.

Neste dia 9 de maio as duas famílias vão celebrar muito além do que uma data no calendário. Vão celebrar a coragem de enfrentar desafios e o amor que é capaz de se multiplicar e se apresentar de inúmeras formas. E nada representa melhor o amor do que um coração de mãe, que tudo supera e sempre deseja o melhor para os seus.

Neusa com Débora e Mateus: sempre pensamos no melhor para os dois

Marisa: a Duda completou a minha vida e a do Roque, nos transformando em uma família

Por Alan Dick