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Tainá Bücker: a coragem de encarar o empreendedorismo em home office

, 30 de abril de 2021 às 10h25

Mulher, mãe, dona de casa e empreendedora. Olhando assim, a situação parece muito similar a de muitas famílias brasileiras. Se não fosse o contexto da pandemia, que fez tudo ficar ainda mais desafiador, a história da relações públicas Tainá Bücker, 37 anos, poderia ser apenas mais uma entre tantas. Conciliar os cuidados do filho Augusto, de cinco anos e que está praticamente há mais de um ano sem aulas presenciais, com o trabalho, pode não ser tão simples como parece.

Tainá, que nasceu e reside em Arroio do Meio, viu na crise a oportunidade que estava esperando e não sabia. Conta que sempre tenta tirar uma lição de tudo que acontece na sua vida e a experiência de empreender em meio à pandemia só lhe trouxe aprendizados. “Eu não conseguia mais conciliar o meu emprego CLT, na época era funcionária de uma agência de publicidade de Lajeado, com toda a função de casa, filho, almoço, atividades da escola, etc. Eu estava em home office pela empresa, mas eu já não conseguia mais me dedicar como deveria e meu rendimento estava caindo muito, pois uma coisa é você trabalhar sozinho em casa, a outra é com uma criança pedindo atenção o tempo todo”.

Ainda trabalhou por um período em meio turno e foi nesse tempo que começou a amadurecer a ideia de trabalhar por conta própria. “Antes de conversar com meu chefe e pedir as contas eu passei por um processo de mentoria, pois eu ainda não sabia exatamente o que iria fazer. A mentoria me ajudou muito a dar um rumo para o meu espírito empreendedor. Então logo depois nasceu a TAG Comunicação”.

Entre os desafios enfrentados pela empreendedora, um dos maiores foi se manter motivada diante do cenário, como um todo. “Todos os dias. De novo, e de novo e de novo. Tive que entender que o momento está complexo para todas as pessoas, mas a economia não poderia parar de girar. Bem no início (em agosto de 2020), tive alguns casos em que precisei aguardar o momento certo para abordar uma empresa e oferecer os meus serviços, pois a maioria estava com o ‘freio de mão puxado’ para novos investimentos e, infelizmente, a minha área que é o marketing, é uma das primeiras a entrar no corte de gastos durante uma crise. Mas desta vez foi diferente, pois em virtude do advento da transformação digital, as empresas entenderam que, se ainda não haviam migrado para as plataformas digitais, iriam fechar suas portas logo ali na frente”.

Para Tainá, a pandemia fez com que muitos negócios passassem por um processo de reestruturação. E esta foi uma grande oportunidade para a TAG. “O marketing serviu de alicerce para muitos negócios não quebrarem e, muito pelo contrário, se reinventarem em meio à pandemia. A pandemia trouxe todo um caos, uma insegurança e tristeza para a humanidade, mas em contrapartida ela trouxe um novo olhar para os negócios. Muitos negócios, assim como o meu, nasceram em meio a ela e estão conseguindo se manter”, avalia.

Para quem pensa que trabalhar em casa é moleza, Tainá dá uma visão bem realista de como é conciliar o papel de mãe, dona de casa e profissional 24 horas por dia e no ambiente doméstico. “Difícil e muito exaustivo. É uma realidade cansativa para quem acorda, come, dorme e trabalha no mesmo ambiente. O home office não é lá esse glamour todo não (risos). Tu tens de fingir que não está vendo a louça na pia, se não vira refém da própria casa e não consegue produzir”, relata.

Para ela, a escola está fazendo muita falta, assim como a convivência com outras pessoas. Por mais que trabalhe com redes sociais, afirma que nada vai substituir um encontro de amigos, uma troca de olhares e um abraço apertado. “Meu filho, o Augusto sente muita falta dos amiguinhos e por mais que a gente faça de tudo para mantê-lo ocupado, nunca conseguiremos oferecer o mesmo entretenimento em casa que ele teria se estivesse indo na escola. Agora, um ano depois, estamos todos esgotados dessa rotina”.

Tainá observa que cada pessoa tem uma história diferente para contar da pandemia. Umas mais tristes, outras nem tanto. “Eu diria que a minha história é de superação. De forma geral, a maioria das pessoas me questionava sobre o empreender num momento difícil como esse. Mas eu sempre tive uma certeza comigo: se nada der certo, eu volto para o mercado de trabalho depois. Sempre fui uma funcionária dedicada, sem emprego eu não fico! Mas graças a Deus, a TAG deu certo e hoje já estamos começando a ficar conhecidos e o mais legal de tudo é que a gente leva algo de todas as experiências profissionais que teve. Hoje tenho reencontrado pessoas das antigas e tenho feito negócios que nunca imaginei fazer. A pandemia me ensinou a ter mais coragem, aliás, acho que é isso que tem me movido nesses últimos meses”.

Por Alan Dick