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Dia do Trabalho

Em meio à pandemia, saldo de 220 novas empresas

, 30 de abril de 2021 às 10h25

Entre março de 2020 e março de 2021, 95 empresas fecharam em Arroio do Meio. De acordo com o secretário da Fazenda, Valdecir Crecencio, os motivos foram diversos, nenhum exclusivamente ligado à covid-19. Paralelamente, 315 novas empresas foram abertas. Destas, 179 MEIs (Microempreendedores Individuais).

O número elevado de MEIs na concepção de Crecencio pode estar ligado a regularização de atividades para credenciamento ao auxilio emergencial. Só em 2021, em média, 30 novas empresas abriram mensalmente.

O secretário apurou que algumas empresas, prevendo a crise, fizeram cortes antes da pandemia, com a redução de funcionários e espaço físico. Entretanto, não percebe uma queda expressiva na arrecadação de ICMS e ISS. “Os consumidores acabaram se adaptando e mantiveram suas compras”.

Outro fato constatado é uma diferença de interpretação no Brasil do termo lockdown, em comparação com países da Europa. “Aqui estamos restringido o acesso e em outros locais, apesar da limitação de circulação de pessoas, os estabelecimentos ficam abertos por mais tempo. É uma questão de adequação de equipes e jornadas.

CONTADORES COMENTAM CENÁRIO EMPRESARIAL

A pandemia trouxe muita dificuldade para diferentes tipos de negócios e tem desafiado administradores a encontrar saídas para manter a rentabilidade. Embora o número de falências seja relativamente baixo, a mudança na rotina da sociedade afetou alguns segmentos como comércio, restaurantes, transporte escolar, estética e turismo, porém, incentivou o surgimento de MEIs, no setor de mercados, oficinas, construção e serviços em geral.


 

O Escritório Ely registrou a abertura de 21 novas empresas durante a pandemia, com destaque para a prestação de serviços industriais, mão de obra para construção civil, corretagem de seguros e lojas de utilidades domésticas. Outras sete empresas foram fechadas, sendo três lojas de roupas, dois restaurantes, uma produtora de eventos e um buffet para festas, totalizando 23 rescisões trabalhistas. E quatro empresas tiveram atividades suspensas, todas do setor de eventos, totalizando 29 rescisões. O contador José Eduardo Ely também confirma que uma das hipóteses do aumento de inscrições de MEIs é que as pessoas que perderam o emprego estariam empreendendo e realizando alguma atividade econômica nessa modalidade.


De acordo com informações dos escritórios de contabilidade, os ajustes no quadro de funcionários ocorreram mais no início da pandemia. A contadora Loraci Whathier revela que, com a redução do mercado, a estrutura técnica/tecnológica e folha de pagamento de algumas empresas ficou elevada e as obrigou a buscarem contratos terceirizados. Em resumo, muitos dos ex-funcionários acabaram abrindo MEIs para atender essa nova demanda e se manterem no mercado de trabalho.
Loraci conta que muitas empresas estão com sérias dificuldades e não descarta uma fase ainda pior, pois todos os negócios estão interligados direta ou indiretamente. Segundo ela, os governos falharam em não oferecer testes rápidos para as empresas. “Temos exemplos de famílias inteiras que tiveram de se ausentar do mercado de trabalho, em mais de uma oportunidade, por meras suspeitas. Infelizmente nem todas as famílias têm condições de comprar o teste do forma particular. Só que o ônus do afastamento dessa mão de obra por menos de 15 dias é exclusivo das empresas. É uma conta que fica pesada.


A contadora Ângela Suhre Borges acrescenta que todos os seus clientes do comércio tiveram sérias dificuldades. “Os decretos, se analisados ao pé da lei são ilegais. As empresas tiveram suas atividades paralisadas em boa parte do período e ainda estão, em alguns casos, sem poder operar nos principais horários e dias de movimento/faturamento. Os demais ramos de atividade também foram seriamente afetados, pois na verdade trata-se de uma “reação em cadeia”, onde apenas as atividades consideradas essenciais conseguiram manter-se em operação;
Ângela também observa que surgiram alguns nichos ligados às consequências da pandemia, seja pela migração de hábitos acusados pelas restrições, ou pelas oportunidades surgidas em função de (tele-entrega, e-commerce, área da saúde, etc).

Por Alan Dick