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ELISÂNGELA CRISTINE STOLL: a maior felicidade é ver um paciente ganhando alta

, 30 de abril de 2021 às 10h25

De forma imediata médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem passaram a conhecer algo novo, um vírus novo, a covid-19. Na linha de frente das emergências e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) dos hospitais, estes profissionais se desdobraram entre plantões, cargas horárias estendidas, tensão e exaustão, tudo para manter a vida de pacientes infectados.

O aumento de internações principalmente na chamada segunda fase, ou segunda onda da pandemia, exigiu adequações em todas as casas hospitalares que adaptaram leitos de enfermaria, adquiriram novos equipamentos e qualificaram a equipe profissional para garantir atendimento qualificado. A enfermeira responsável técnica do Hospital Marques de Souza, Elisângela Cristine Stoll, 39 anos, sentiu e acompanhou de perto este drama.

Funcionária do hospital desde o dia 3 de novembro de 2008, ela foi uma das primeiras vacinadas em Marques de Souza e afirma que a chegada da pandemia foi assustadora em um primeiro momento. “Era um medo do desconhecido, de não saber como lidar com um paciente”, explica Elisângela.

Na linha de frente, ela explica que a primeira mudança no hospital foi a reunião de toda equipe hospitalar onde foram repassadas as técnicas corretas de proteção, como o uso correto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), a criação de parâmetros para lidar com o paciente e quais os materiais necessários a serem usados em determinadas situações.

Com as primeiras internações e em momentos críticos sentidos principalmente em março de 2021, a jornada de trabalho alterou completamente. “Na primeira fase da doença tivemos poucas alterações. Mas, neste ano, com a segunda onda da covid-19, nossos dias foram muito exaustivos. A jornada de trabalho chegou numa média de 15 horas/dia. Nossa equipe de trabalho é muito engajada. Muitos aqui deixaram as suas famílias e se dedicaram quase que exclusivamente ao hospital”, destaca.

Elisângela afirma que escolheu a profissão guiada muito mais pelo instinto do que pela razão. “Sempre tive o desejo de ajudar as pessoas”. Para ela, um dos momentos mais difíceis enfrentados dentro do hospital foi o sentimento de impotência ao ver alguns pacientes perdendo suas vidas. “Muitos jovens, inclusive conhecidos nossos, foram infectados e lutaram pela vida. Pacientes que tiveram um agravamento no estado de saúde necessitavam de leitos na UTI e tínhamos muita dificuldade em conseguir a transferência, que muitas vezes ocorria para hospitais distantes”, relata.

FELICIDADE E TRISTEZA

Para Elisângela o momento de maior felicidade de quem atua na linha de frente e acompanha o tratamento de pacientes é ver o momento da alta e a resposta positiva aos tratamentos. Do outro lado, uma das piores notícias é a piora no quadro de saúde nos internados. “Se o paciente tem uma redução no quadro de saúde, necessitará de leito na UTI ou até mesmo precisa ser intubado. Nos colocamos no lugar destes pacientes. Não podemos esquecer que ele tem uma família que está sofrendo tanto quanto ele”.

Mesmo com um cenário favorável de andamento na vacinação, redução de casos e internações, Elisângela entende que é necessária a conscientização da população, com respeito ao uso de máscaras, higienização das mãos, evitar festas e aglomerações para, assim, proteger a todas as famílias e também aos profissionais de saúde que atuam na linha de frente.

Por Alan Dick