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Jornal da Semana
Greicy Weschenfelder

A ARTE DE GENERALIZAR

, 30 de abril de 2021 às 10h45

No dicionário significa estender-se, propagar-se, universalizar, dar mais extensão a algo e tornar-se geral e, do senso comum, poderíamos dizer que trata-se de “colocar tudo num saco só”.

Gosto dessas definições para partir para metaforizar, exemplificar ou até ilustrar a nossa realidade.

E, está tudo muito generalizado. Comece olhando para as redes sociais, depois vá para a rua, numa roda de conversa ou até mesmo no nosso imaginário. Não precisamos ir muito longe.

Política?! Na nossa mente já vêm muitas coisas ruins e logo, disparamos em voz alta ou para nós que são todos corruptos, que não precisamos de política, que está tudo perdido no que tange esse tema.

Mais além…. Volta às aulas. Os professores não querem voltar. As escolas não estão preparadas. Não voltam tão cedo. E por aí vai.

Bolsonaro versus Lula. Ou todos são bolsonaristas ou são lulistas. Generalizamos por suposições, ou por escutar uma opinião apenas ou ler uma postagem apenas.

Poderia ficar aqui escrevendo ainda outros tantos exemplos que comprovam que estamos na tendência do mais simples e de classificações dicotômicas e cheias de preconceitos. A isso podemos também chamar de generalizações.

Terra fértil para generalizar são as redes sociais. Lá você põe uma opinião e pronto, você com essa única ideia já pertence a um grupo, a uma corrente ou a alguma ala, enfim, não tem como remediar mais ou ter outra opinião ou migrar.

Costumo dizer que, a partir de muitas coisas que ouvi, de que a inteligência, o pensamento, ou até mesmo sua opinião vai se forjando a partir de vivência e muita audição de opiniões, construímos a nossa própria. Quer dizer, você não precisa nascer com uma ideia já formada ou nunca mais mudar de opinião. Faz parte do processo de crescimento e de amadurecimento que tudo que você pense seja analisado, refletido e, constantemente, é bom sair da zona de conforto e enxergar o mundo, as pessoas, os escritos, ideias, opiniões, sob outra ótica.

Costurando esse texto, começando por política, não precisamos ser A ou B para gostar do tema e, tampouco, dizer que todos são corruptos. Precisamos de política e ela, se bem usada, é fundamental.

Sobre volta às aulas, eu, por exemplo, como professora, sou a favor da volta às aulas e já estou ansiosa para ver meus alunos. A verdadeira aula se dá com a interação e estamos preparados para isso, sim!

Somos diferentes e temos nossas particularidades, então para quê fazer com que todos sejam iguais e que pensem da mesma forma? E escrevam tudo aqui que você quer ler?

Generalizemos sim, o amor, esse tem de ser universal, igual, propagado e ampliado.

Por Alan Dick