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Saúde

Fique atento aos sinais

, 18 de setembro de 2020 às 10h40

Rio Grande do Sul é líder no ranking dos Estados brasileiros com maior incidência de suicídio


Por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde, 800 mil pessoas, ao redor do mundo, tiram a própria vida. É como se a população inteira de Amsterdã, capital da Holanda, fosse dizimada. Ou, então, um suicídio a cada 40 segundos.

No Brasil, os números também são altos. São 11 mil mortes por suicídio ao ano. Dados que nos levam à 8ª colocação do ranking dos países com os maiores índices. É a terceira maior causa de morte de homens de 15 a 29 anos.

O Rio Grande do Sul é líder no ranking dos Estados, com maior incidência de suicídio. Os dados são elevadíssimos e superam a média nacional. Taxas relativas de suicídio no mundo são de 11 a cada 100 mil habitantes. No Brasil, 5. No Rio Grande do Sul chega a 20 suicídios por 100 mil habitantes, dependendo da região.

Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e do abuso de substâncias químicas.

Diante de dados alarmantes, o Setembro Amarelo é uma iniciativa que contribui para que possamos debater e conscientizar a população sobre o tema e a aceleração dos números. Você sabia que há sinais sensíveis comuns entre as pessoas que pensam em tirar a própria vida?

Ansiedade: estudos mostram que uma semana anterior à tentativa de suicídio, a ansiedade piora. Ela pode se manifestar por inquietude, tensão, irritabilidade. Uma piora da ansiedade indica que as coisas não estão bem.

Insônia: o sinal mais difícil de perceber afinal, muitas vezes, nem as pessoas que convivem na própria casa percebem que o familiar não está dormindo bem. A insônia é um sinal de alerta, pois aumenta a ansiedade e a irritabilidade. É extremamente importante que pessoas que possuem transtornos psiquiátricos tenham um sono de qualidade.

Avisos: a maioria dos indivíduos que tentam suicídios avisam explícita e implicitamente. Frases subjetivas como “não aguento mais”, “quero sair andando e não voltar mais”, “quero sumir”, “melhor dormir e não acordar mais” e avisos claros de suicídio não devem ser ignoradas. Atenção também às ações: contato com seguro de vida, separação de objetos pessoais e afins.

E o que fazer quando identificamos que alguém próximo dá esses sinais? O psiquiatra do Hospital São José, da Rede de Saúde Divina Providência, Rafael Moreno, explica qual a melhor abordagem nesta situação. “Jogue claro com o indivíduo. Não tenha medo de abordar o assunto. Em geral, as pessoas se sentem acolhidas com essa ação. O segundo passo é o encaminhamento ao atendimento médico. Nunca diga ‘vá ao psiquiatra’, e, sim, leve a pessoa. Procure você um profissional e conduza a pessoa. Outra possibilidade, é o CVV, 188. É importante reforçar: sinais suicidas necessitam de um colo de amigo, mas, precisam, urgentemente, de intervenção médica”, instrui Moreno.

Sinais suicidas necessitam de um colo amigo, mas, precisam, urgentemente, de intervenção médica

Por Alan Dick