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Saúde

Obesidade e covid: uma combinação perigosa

, 24 de julho de 2020 às 9h15

Muito se fala nos fatores de risco para a covid-19: diabetes, cardiopatias, complicações respiratórias, hipertensão… Mas a obesidade ainda aparece muito pouco em peças educativas a respeito da doença que assola o planeta. A obesidade é, sim, uma das condições elencadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como comorbidade para a piora dos sintomas de pacientes infectados com o novo coronavírus.

Uma pesquisa feita com 124 pessoas no Instituto Lille Pasteur, da França, mostrou que 47,6% das pessoas infectadas pelo Sars-Cov-2 que estavam internadas eram obesas. Ainda foi constatado que 68,6% do total precisaram de ventilação mecânica, e a proporção foi maior entre os obesos graves.

Outro dado grave vem do Ministério da Saúde: a obesidade é o principal fator de risco para pessoas com menos de 60 anos infectadas com o novo coronavírus. O índice preocupa médicos e especialistas, já que mais da metade da população está acima do peso. Hoje, a obesidade atinge um a cada cinco brasileiros. Segundo o coordenador do Centro de Tratamento da Obesidade e Cirurgia Metabólica do Hospital Divina Providência (CITOM), Dr. Renato Souza, a obesidade é uma doença crônica, que causa inflamação, o que acaba por dificultar a resposta imunológica (as defesas do organismo) dos pacientes acima do peso.

Nesta semana, um estudo da Unicamp apontou que o Sars CoV-2 é capaz de infectar o tecido adiposo, e que essa seria uma das razões de casos graves em obesos e idosos. Todas as pessoas têm células adiposas (de gordura) espalhadas por todo o corpo, porém obesos as têm em maior quantidade e tamanho. A hipótese dos pesquisadores é a de que o tecido adiposo serviria como um reservatório para o coronavírus. Com mais e maiores células adiposas, pessoas obesas tenderiam a apresentar uma carga viral mais alta. É importante ressaltar que o estudo ainda não foi publicado e deverá ser ampliado pelos pesquisadores.

De acordo com o mais recente boletim oficial do Governo no Estado do RS, aproximadamente um em cada 10 óbitos por covid-19 tinha a obesidade como fator agravante. Índice mais alto do que fatores como a asma, por exemplo. “A obesidade traz consigo uma série de condições que também são comorbidades para a doença, o que a torna ainda mais traiçoeira e perigosa aos seus portadores”, alerta Souza.

Por Alan Dick