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Jornal da Semana
Dia das Mães

Período de grandes adaptações

, 8 de maio de 2020 às 9h55

Assim como em muitas casas, o Dia das Mães será diferente na família da comerciária Indianara Hilgert. O tradicional almoço, que reuniria sua mãe e a sogra, vai ter de esperar. A comemoração será mais íntima, ajustada ao momento. A rotina da casa já não é a mesma há quase dois meses. Antes a filha Manuella, de quatro anos, passava a maior parte do dia na escola infantil. Hoje, demanda cuidados exclusivos da família.

Com o avançar da pandemia também vieram outras mudanças e as preocupações. Nas primeiras duas semanas Indianara e o marido Martinho Träsel estavam de férias, na expectativa de voltar à rotina no dia 4 de abril. Aproveitaram o período para ficar com a pequena, viver momentos em família, de brincadeiras e descobertas. Contudo, tiveram de voltar ao trabalho sem o serviço prestado pelas escolas infantis. Um momento de tensão e incertezas.

Como a loja em que trabalha atuou por 15 dias com as portas fechadas e em meio turno, somente fazendo cobrança e contatos com clientes, Indianara chegou a sugerir para a supervisora que levaria a filha para o trabalho. Vendo esta situação, a avó Leidice, mãe de Martinho, decidiu parar de trabalhar para cuidar da neta. “Foi um alívio, porque para nós era inviável pagar uma pessoa para cuidar dela porque estamos recebendo menos”, declara a mãe que pôde voltar à rotina com mais tranquilidade. Como a empresa em que o pai trabalha aderiu à redução da carga horária, Manuella passa meio turno com a avó e meio turno com o pai.

Preocupada com a filha e sua avó, Indianara tem tomado uma série de cuidados após o término do expediente. Ao chegar em casa tira o calçado, toma banho e só então abraça a filha. “Até às compras do mercado não chegam até ela sem antes ser tudo higienizado”.

A rotina com a Manuella em casa, acostumada com os coleguinhas e atividades da escolinha, é desafiadora. “No começo foi agradável, pois tivemos oportunidade de fazer muitas atividades em casa juntas, de ficar juntos mesmo. Mas, com o passar dos dias, começou o tédio da rotina e ela começou a pedir dos colegas, das avós, pedia para ir na pracinha. Conversamos e explicamos do coronavírus e começamos a fazer ligações de imagem o que ajudou bastante na saudade. O ponto positivo é que a quarentena fortalece ainda mais nosso relacionamento, mas o maior desafio é fazer uma criança entender que a situação não passa de uma hora para a outra e que nada voltará a ser como antes”, ressalta a mãe, que se orgulha de alguns avanços feitos no período. “Incentivamos com atividades e ela já aprendeu a escrever e a soletrar as letras do seu nome”.

Por Alan Dick