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Dia das Mães

Mãe: um desejo que sobrepõe limitações

, 8 de maio de 2020 às 9h55

A técnica em segurança no trabalho, Roseli Raquel Neumann, 34 anos, moradora de São Caetano e portadora de necessidades especiais, não fez de suas limitações físicas motivos para não encarar os desafios de uma gravidez de alto risco e da criação dos filhos.

O nascimento de seu segundo filho, Ezequiel, com 2,74kg, às 11h40min do dia 27, no Hospital das Clínicas, em Porto Alegre, evidencia que o desejo e o sentimento de ser mãe é maior do que todas as dificuldades que a vida impõe. Muito pelo contrário, apesar tetraplégica, em consequência de uma inflação aguda na medula (Mielite Transversa), sofrida em 2011, sempre fez questão de levar uma vida saudável e ativa nos âmbitos profissional e social.

A vontade de ter mais que um filho é antiga. Ela e seu marido, o veterinário Adriano Becker, mesmo antes de se conhecerem, sempre sonharam em constituir uma família de pelo menos dois filhos. Pois ambos vêm de famílias numerosas. A dele com nove irmãos e da dela com sete. “Ter irmãos é interessante para as crianças e para os pais. É muito especial apreender a conviver e dividir experiências e importante o apoio nos momentos difíceis como superar a dor de uma perda, por mais que se tenha amigos”, dimensiona.

O segundo filho veio quase quatro anos depois de Emanuele, nascida em agosto de 2016. “Planejamos para que não tivessem idades muito próximas, nem muito distantes, e com certa independência para Manu”, explica.

Roseli trabalhou até a 35ª semana da gestação. Desde fevereiro estava trabalhando em home office, em decorrência da gravidez. A gestação foi tranquila, sem contratempos, obviamente com cuidados redobrados, medicações específicas, períodos de descanso maiores e alongamentos, como erguer as pernas. Como Manu estava sem ir à Ecei, a rotina da família estava tranquila. Apenas Adriano teve que manter compromissos laborais e garantir os mantimentos da família de forma segura, adotando medidas essenciais.

Por ser gestante e portadora de necessidades especiais, Roseli era considerada duplamente integrante do grupo de risco. “Mantive a confiança. O pior é se apavorar. Obvio que havia um receio de se estar no hospital em meio à pandemia, de se ter o contato com pessoas contaminadas ou precisar de UTI e não ter. Mas não aconteceu nada. Ezequiel nasceu saudável e estamos muito felizes […] No primeiro dia em que fiz o pré-natal, em 19 de março, o comércio começou a fechar. Por ser referência no tratamento da covid-19 na Capital, já era possível constatar uma série de medidas no Hospital das Clínicas, como profissionais com máscaras e restrições de circulação de pessoas. Apenas eram feitos atendimentos estritamente urgentes e necessários. Para não ter que retornar tanto a Porto Alegre, acabaram agendando apenas mais duas consultas. Na última consulta realizada em 23 de abril fui internada para cesariana”, detalhou.

Durante a internação Roseli percebeu que havia ainda maior rigidez em torno da segurança sanitária e hospitalar. Pacientes e funcionários não podiam circular em todas as alas do hospital. Foi reservado um elevador exclusivo para suspeitos de covid-19. As visitas eram restritas e familiares não podiam passar a noite no hospital. “Abriram exceção para o meu marido em decorrência da distância e da minha necessidade de cuidados especiais”, explica. Como recebeu anestesia local pode acompanhar todo o parto. Ela também destaca a qualidade e humanização no atendimento, e boa recuperação pós-parto.

Para Roseli seu amor e dedicação em gerar, criar e educar filhos, é muito maior que a condição de deficiente física, embora seja necessária superação diária. “Ser mãe pela segunda vez é uma sensação maravilhosa. Só quem é mãe sabe que se trata de um sentimento único. O primeiro choro, o primeiro contato, é muito gratificante”, reflete.

Ezequiel é considerado um bebê calmo. Por segurança, a família não está recebendo visitas, com exceção de pessoas muito próximas, que têm de ficar numa distância segura. Nem todos familiares ainda puderam conhecer o novo integrante da família. Apenas quem reside na casa – a mãe, o pai e a irmãzinha – estão dando colo ao bebê. A tendência é de que os cuidados continuem redobrados até a pandemia passar. Enquanto isso, o pai Adriano terá que continuar zelando pelos mantimentos e suporte especial à família. Não está descartada a contratação de uma profissional para auxiliar, caso for necessário. No entanto, a regra do momento é curtir e cuidar do menino que trouxe uma alegria muito grande para todos.

Por Alan Dick