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Queda nas vendas de Páscoa pode comprometer o planejamento para o Dia das Mães

, 20 de abril de 2020 às 8h37

A presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Arroio do Meio, Leonísia Kunzler, proprietária da LS Confecções afirma que o setor de vestuário é uma das atividades mais afetadas pelos decretos e também pela mudança dos hábitos de consumo, por não se tratar de um item de primeira necessidade. Conforme interpretações jurídicas, o atendimento individualizado e algumas formas de venda on-line também estão suspensas. Isso afeta, inclusive, uma modalidade bem comum, adotada há décadas, a venda condicional.
Segundo Leonísia, a prova de roupas é um diferencial das lojas físicas e essencial para satisfação dos clientes, pois nem todos os modelos que são bonitos nas vitrines, mostruários e manequins, têm bom caimento no corpo das pessoas. São poucas as marcas que mantêm uma confecção padronizada (número e dimensão) e menor ainda o número de consumidores fidelizados e habituados a comprar a mesma marca, o que dificulta a venda sem provar.
Entretanto, avalia que venda on-line direta, será uma tendência, pelo menos no período de reclusão social. Um dos ônus será o maior número de trocas e devoluções. Em sua ótica, o comércio local terá que se qualificar no ambiente virtual, no qual as grandes redes lojistas já estavam preparadas.
Outra constatação é o vazio no campo das interações humanas e sociais com os clientes. “É um momento de descobrir via on-line uma forma de conversar e estreitar parcerias. As ferramentas já existem. Fornecedores já estão fazendo teleconferências com consultores de moda para disseminar novas tendências”, revela. Essa prática, segundo ela, também precisa ser levada aos clientes.
Leonísia está ciente de que muitas pessoas não são adeptas as compras on-line e têm como hábito passar nas lojas físicas, mas, com as portas fechadas, esse dinheiro acaba migrando para outros lugares, sem necessariamente serem roupas. Com a queda, ou até perda completa da receita das vendas de Páscoa, a reposição de estoque para o Dia das Mães ficará comprometida. “Mesmo se liberarem o comércio antes do Dia das Mães, muitos lojistas terão dificuldade de se preparar para a data, que é a segunda melhor do ano depois do Natal. É preciso de receita para pagar os fornecedores e tempo hábil para receber as mercadoras e preparar o mostruário. Muitos estão com caixas de roupas lacradas, que só serão abertas caso o pagamento dos boletos for possível, senão, pode haver a devolução”, dimensiona.
A presidente também observa que muitas lojas menores não terão condições para fazer a transição para as vendas on-line e destaca que, diferentemente de grandes centros comerciais, como a rua 25 de Março, em São Paulo, ou a rua dos Andradas, em Porto Alegre, as lojas daqui têm como fazer o atendimento de forma muito segura. “A generalização pode ter sido um equívoco. A maioria dos estabelecimentos daqui tem ambientes muito arejados e é possível disciplinar e evitar aglomerações”, argumenta.
Leonísia ainda ressalva que apesar das adversidades, o momento é de muitas oportunidades e valorização das atividades. “Antes não se vivia um dia de cada vez. Já se pensava no outro ano. As pessoas nem sabiam mais como era ficar próximo de suas famílias e a importância disso. E com isto passarão a dar mais valor ao trabalho do próximo”.
Dicas para lojas
de vestuário:

Como intuito de ajudar as lojas de vestuário, a Câmara de Dirigentes Lojistas divulgou para seus associados material com sugestões criativas da master coach, especialista em inteligência emocional e desenvolvimento humano, Mardi Denise Rohr De Conto. Veja algumas das dicas a seguir:
Criação de sacolas delivery, com looks para entregar ao cliente; lançamento de linha de máscaras; locação de roupas para digital influencers e profissionais de mídia; assinatura de arara semanal para os clientes receberem os looks da semana em casa; envio de bisnagas de álcool gel para clientes usarem antes de abrir a sacola; incentivar looks mais confortáveis para ficar em casa; campanha solidária; desfile on-line com interação com os clientes; cupom desconto; dicas para o cliente de como organizar o guarda-roupas e montar looks diversos com dicas de como combinar peças fundamentais com o que já tem em casa, como combinar tons de pele e estruturas corporais diferentes; uma relação de peças básicas que não podem faltar na estação; fazer um vídeo explicando sobre o quanto as roupas dizem sobre nós; dicas de como aumentar a vida útil das roupas; divulgar conteúdo sobre tudo o que envolve maquiagem e moda; investir em e-commerce, criando site para vendas on-line; oferecer consultoria de moda on-line e imagem; dicas de looks para trabalho home office; levar as coleções até o cliente, com todo o processo de higienização, vaporizando a roupa já que o vírus não suporta altas temperaturas; fazer uma parceria com algum restaurante ou floricultura, na compra de uma peça da nova coleção, concorra a um jantar em sua casa (Dia dos Namorados logo ali); clube de benefícios cliente vip, com descontos em joias, calçados, acessórios, serviços agregados, makes; colocar QR Code nas imagens das peças na internet; brindes e bônus para a próxima compra se indicar e marcar amigas no storie; investir mais em Moda Pijama; criar o closet móvel; negociar com fornecedores, fazendo pedidos apenas de encomendas de clientes; capacitar time de vendas para vender nas casas; contatar clientes com prestações mais altas com vencimento próximo, sugerindo possibilidades de prorrogação de parcelas; criar o condicional móvel.

Por daiane