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Meio Ambiente

Verão é época de prudência na água

, 7 de fevereiro de 2020 às 9h13

A revitalização da orla e do Balneário Municipal de Arroio do Meio e os recentes afogamentos na Cascalheira em Lajeado, nas imediações da Ponte de Ferro, no encontro do Forqueta com o rio Taquari, geram discussões em torno das condições de banho do rio e afluentes. Isto porque no auge do balneário, entre as décadas de 1980 e 1990, também ocorreram alguns óbitos.

No Balneário Municipal serão instaladas placas com orientações sobre o risco de buracos, mesmo com o nível do rio baixo, da inexistência de salva-vidas, e da responsabilidade de que cada banhista tem sobre seus atos.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Paulo Roberto Heck, antes de se banhar em qualquer recurso hídrico do município o banhista precisa ter em mente que além de perigosos, determinados locais podem estar poluídos.

As placas de orientação só serão instaladas no Balneário Municipal pelo elevado número de pessoas que frequentam o local, incluindo os próprios moradores e turistas. Na cascalheira da localidade de Passo do Corvo, a instalação não é vista como necessária, pois é considerado um local mais restrito onde os frequentadores geralmente são os mesmos e já adotam medidas de segurança. Para garantir a segurança, na retirada de cascalhos, feita pela secretaria de Obras, evita-se a abertura de buracos.

Já na praia do Arsênio, situada na mesma localidade, cujo acesso está situado em área particular, está em estudo o fechamento da via para público. “Só realizamos a manutenção quando os proprietários da área pedem”. No travessão São Caetano, nas imediações do Salto, o Poder Público fará cumprir antiga decisão judicial que todos os cidadãos devem respeitar.

A banalização das cascatas

Pela inviabilidade econômica, a maioria dos campings não contrata salva-vidas e faz delimitações para a área de banho. A colocação de placas de advertência é comum, como cada vez é maior o número de veranistas que buscam locais diferentes ou mais exclusivos, para se banhar, pescar e até acampar.

Entretanto, uma série de ressalvas devem ser feitas pelos banhistas para evitarem que o momento de lazer se transforme numa tragédia. O empreendedor de turismo, Alício de Assunção, orienta aos turistas que filtrem o máximo de informações positivas sobre os locais a serem visitados e, se possível, falar com os proprietários a respeito da profundidade, acesso e possibilidade de prática de esportes radicais.

Segundo Assunção, o Vale do Taquari tem mais de 100 cascatas, porém, algumas são só parar tirar foto. A prática do banho e esportes radicais são perigosas. Outras têm animais peçonhentos, não possuem trilhas seguras e estão distantes de acessos e da urbanização, como a cascata do Canudo, em Pilão Alto, Coqueiro Baixo, onde há relatos de pessoas que se depararam com cobras corais. “Não é errado curtir, mas é preciso cuidar da vida”, avalia.

Assunção observa também que as pessoas precisam ter em mente que estão invadindo a habitat de outros animais e devem evitar poluir os locais durante piqueniques. Nos locais onde há cobrança de ingresso geralmente existe contrapartida, como estrutura com banheiros, lixeiras, energia elétrica, segurança, venda de lanches e outros serviços.

Por fim, salienta que antes de divulgar um ponto turístico é preciso estar preparado para receber visitantes, e dá um puxão de orelha em alguns gestores públicos que banalizam a divulgação de belas imagens em seus portais, mas não oferecem estradas de qualidade e estrutura de segurança. “É uma irresponsabilidade com os visitantes e uma propaganda negativa para o turismo nesses locais”, define.

Bombeiros exigiram a colocação de placas na orla revitalizado do bairro Navegantes em Arroio do Meio

Por Alan Dick