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Saúde

Doces, refrigerantes e frituras são banidos de bares e cantinas escolares

, 15 de julho de 2018 às 10h00

Em breve as alunas do terceiro ano e amigas, Taísa Parolin e Sabrina Schneider não poderão mais saborear seus lanches preferidos adquiridos na cantina, nas dependências de uma escola da rede estadual, onde estudam. As trufas de chocolate, tão apreciadas por Taísa, não poderão ser mais vendidas. Tampouco os pasteis e as coxinhas compradas quase todas as noites por Sabrina, que os classifica como lanches deliciosos.

O motivo é a aprovação do projeto de lei 23/2016 de autoria do deputado Tiago Simon (MDB), aprovado na última semana na Assembleia Legislativa, que proíbe a comercialização de vários produtos em cantinas e bares de escolas, tanto da rede pública como privada do Rio Grande do Sul. A medida passa a valer em 180 dias após a sanção do governador.

Estão na lista de produtos banidos balas, pirulitos, gomas de mascar, biscoitos recheados, refrigerantes, salgadinhos industrializados, frituras em geral, entre outros. O projeto cita ainda que a cantina/bar escolar deverá oferecer, diariamente, pelo menos duas variedades de fruta da estação, inteira ou em pedaços, ou na forma de suco.

O objetivo é promover a alimentação saudável por meio da proibição de alimentos que colaborem com a obesidade, diabetes e hipertensão. Na justificativa do PL, o deputado citou o exemplo de outros Estados que também aprovaram leis semelhantes, como Santa Catarina que proibiu alimentos do gênero em cantinas. Aprovada primeiramente em Florianópolis, a lei se estendeu posteriormente para todo o Estado. Cita ainda o Paraná onde lei parecida começou a vigorar em 2005. As capitais dos estados do Rio de Janeiro e Belo Horizonte também possuem legislação similar que visam o bem-estar dos estudantes.

O RS é o Estado com maior prevalência de sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes. Entre crianças de 5 a 10 anos, o sobrepeso é de 19,65% e, em adolescentes, atinge 21,51%. Já a obesidade atinge 17,39% das crianças e 12,65% dos adolescentes gaúchos.

Estima-se que no Brasil os gastos no sistema de saúde com doenças relacionadas ao sobrepeso e obesidade alcancem quase US$ 2,1 bilhões por ano. São moléstias relacionadas à má alimentação, aos modos de comer e de viver da atualidade e preponderantemente ao sistema alimentar vigente no Brasil.

Alimentação saudável

Outro educandário de Arroio do Meio, este da rede privada, também possui em suas dependências um bar destinado à venda de lanches. Entretanto, visando pela saúde dos estudantes, opta por alimentos saudáveis a exemplo de sucos e sanduíches naturais, frutas, entre outros. A gestora Maria Cristina Gabriel Gonzatti salienta que, por orientação, doces, salgadinhos, frituras e alimentos do gênero não são oferecidos aos estudantes no bar que é privado.

A alimentação saudável também faz parte da rotina dos estudantes das escolas municipais de Arroio do Meio que tem à disposição alimentos preparados pela própria escola. Parte deles, a exemplo de verduras, legumes e frutas são produzidos por agricultores familiares do município. A secretária de Educação de Arroio do Meio, Mara Betina Forneck, explica que 40% dos alimentos oferecidos aos alunos são orgânicos. A orientação é de que mesmo em festividades não sejam oferecidos aos alunos refrigerantes e alimentos que não sejam saudáveis.

Hábitos consolidados na infância

A nutricionista da secretaria de Educação de Arroio do Meio, Joice Johann Bordignon, explica que mudar hábitos alimentares na fase adulta é difícil, por isso, a oferta de alimentos saudáveis deve começar na infância. É nessa fase que os hábitos se solidificam, os quais permanecem na fase adulta e por toda a vida.

Ela explica que oferecer a maior variedade de alimentos saudáveis possíveis fará com que a criança crie uma biblioteca mental de sabores e assim prefira consumi-los em relação a sabores desconhecidos. “O contrário também acontece, ou seja, se oferecermos alimentos não saudáveis nessa fase, a criança poderá desenvolver uma aversão futura aos alimentos ricos em nutrientes e necessários ao correto desenvolvimento, causando prejuízos à saúde”, destaca.

Fazer com que os alunos compreendam que as mudanças no padrão alimentar na escola são necessárias para a prevenção de doenças e que todos da família podem ser beneficiados se modificarem seus hábitos é um desafio como profissional da saúde, explica. “Sabemos que mudar um hábito não é tarefa fácil e não acontece de hoje para amanhã, mas pequenos ajustes na nossa alimentação diária trazem inúmeros benefícios a curto e longo prazos”.

Ficam proibidos

• Balas, pirulitos, gomas de mascar, biscoitos recheados;

• Refrigerantes e sucos artificiais;

• Salgadinhos industrializados;

• Frituras em geral;

• Pipoca industrializada;

• Bebidas alcoólicas;

• Alimentos industrializados cujo percentual

de calorias provenientes de gordura

saturada ultrapasse 10% das calorias totais;

• Alimentos em cuja preparação seja

utilizada gordura vegetal hidrogenada;

• Alimentos industrializados com alto teor de sódio.

Por daiane

Produzidos por agricultores do município, os alimentos oferecidos aos alunos da rede municipal são livres de agrotóxicos, proporcionando uma alimentação saudável