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Saúde

Hospital São José completa 10 anos de atendimento em saúde mental

, 13 de maio de 2017 às 9h30

Quando a ideia de oferecer um serviço focado na saúde mental foi divulgada no Hospital São José (HSJ), as primeiras reações foram de surpresa. Isso porque há 10 anos atender pacientes da saúde mental num hospital geral era uma grande novidade. Até então pessoas com depressão, transtornos psiquiátricos, alcoolistas e demais dependentes químicos eram transferidos para outras casas de saúde.

Vendo que o Vale do Taquari carecia deste tipo de atendimento e que o Estado estava repassando recursos para os hospitais que o fizesse, a direção do HSJ, com o aval da mantenedora, a Sociedade Sulina Divina Providência, decidiu inovar. Foi o primeiro hospital do Vale do Taquari a aderir para atendimento de pacientes psiquiátricos, fazendo parte da Rede de Atendimento Integral e Saúde Mental no Rio Grande do Sul.

Do início para os dias atuais, houve uma grande evolução. Se no começo havia dúvidas, hoje há a certeza de que o atendimento em saúde mental foi um grande passo dado pelo hospital. Capacitações, aprimoramento das atividades, ampliação da equipe, quebra de paradigmas e aumento no número de leitos são apenas alguns dos muitos avanços obtidos nesta década. Mas o legado mais importante é que o serviço fez e continua fazendo a diferença na vida de muitas pessoas.

Tanto o faz que desde 2015 o HSJ conta com o Programa de Residência Médica em Psiquiatria, vinculado ao MEC. Com isso, o hospital deu um passo ainda maior, passando a ter participação ativa também na formação de novos médicos psiquiatras. O Programa de Residência Médica trouxe ainda mais qualificação para o atendimento. Houve uma considerável ampliação na equipe médica e desde a metade de 2015 está em funcionamento o ambulatório, que oferece consultas e acompanhamento psiquiátrico.

Hoje o atendimento à saúde mental é feito por uma equipe interdisciplinar que inclui psicólogos, assistente social, enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticas, nutricionistas, educadora física, médicos psiquiatras, médicos residentes, entre outros. Engana-se quem pensa que os pacientes ficam acamados ou inativos nos quartos. Todos, salvo raras exceções, seguem um cronograma ocupacional que inclui arteterapia, oficina de cerâmica e de nutrição, atividades físicas, cinema, rodas de conversa e grupos terapêuticos, oficinas de farmácia, grupos de família e outros.

“A equipe interdisciplinar amplia a escuta e os olhares sobre o paciente. A ideia da saúde mental é o cuidado para com a pessoa e não o tratamento de uma doença. Também é um desafio para a equipe hospitalar no sentido de resgatar a essência do cuidado como um todo. Cada paciente é único, é chamado pelo nome, tem sua história e sua família. É uma pessoa e não uma doença”, frisa a gerente assistencial Rosi Mari Barboza.

Ampliações

Os números nesses 10 anos referendam a qualidade e a importância do serviço. Em 2007 eram disponibilizados cinco leitos destinados a pacientes psiquiátricos e dependentes de álcool e outras drogas. Em 2010 o número foi ampliado para nove – oito adultos e um pediátrico – sendo que destes cinco eram destinados a pacientes psiquiátricos e quatro para desintoxicação de dependentes de álcool e outras drogas. Em 2014 o número de leitos foi ampliado novamente. Desde então são 12 leitos – 11 adultos e pediátrico – para saúde mental, sem a distinção de ser paciente psiquiátrico ou dependente químico. Dos 12 leitos dois possuem incentivo financeiro da União e 10 do Estado. Um dos leitos sempre é pediátrico.

Os pacientes ficam em média de 15 a 20 dias e são procedentes de vários municípios do Vale do Taquari e fora dele. A maioria dos pacientes é de Arroio do Meio.

IV Caminhada Lokadeboa

Comemorando os 10 anos do serviço de saúde mental no HSJ e especialmente lembrando o Dia da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio, o hospital realiza na próxima quinta-feira, dia 18, a IV Caminhada Lokadeboa. A atividade inicia às 13h30min com saída em frente à loja Paludo, na entrada de cidade. De lá o grupo segue até a Rua de Eventos, onde haverá roda de chimarrão, apresentações e música.

O objetivo é chamar a atenção para o tratamento dos pacientes psiquiátricos de forma que estes possam continuar sua interação com a sociedade, com autonomia, sem sofrer preconceito, discriminação ou qualquer tipo de segregação. “Queremos olhar para o potencial de cada um e não apenas para o seu adoecimento”, enfatiza a psicóloga Graziela Piassini.

A Caminhada Lokadeboa tem recebido apoio de pessoas e equipes de saúde de outros municípios da região. Neste ano deve contar novamente com participantes de Capitão, Travesseiro, Encantado, entre outros municípios. O convite é estendido às escolas e a todos os interessados.

Por daiane

Na terça-feira a gerente assistencial Rosi Mari Barboza, a enfermeira de saúde mental Viviane Vianini, a psicóloga Grasiela Bolgenhagen Piassini, a assistente social Roseleni Feil e a gerente administrativa Fabiane Hammes Gasparotto receberam a imprensa para falar sobre os 10 anos do atendimento em saúde mental