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Polícia Civil alerta população para golpes por telefone

, 20 de junho de 2014 às 9h45

Arroio do Meio – Moradores do município vêm recebendo ligações de estelionatários em telefones fixos. Nas ligações o golpista se passa por um parente que está supostamente empenhado com o veículo por problemas mecânicos em outra cidade e que necessita de dinheiro para o conserto, já que o mecânico não aceita cartão ou cheque. Para isso ele pede que a vítima faça um depósito em uma conta bancária a fim de pagar as despesas. Alguns registros foram feitos neste mês na Delegacia de Polícia e pelo menos duas pessoas registraram ocorrência na última semana, mas outras pessoas também receberam ligações.

Vítima perde R$ 500

No início do mês, uma vítima de Arroio do Meio caiu na cilada dos estelionatários. Conforme boletim de ocorrência, a vítima que mora na rua Professor Alvino Schneiders, no bairro Novo Horizonte, em Arroio do Meio, recebeu uma ligação pelo telefone residencial. O homem alegava que seu sobrinho, residente em Porto Alegre, havia se acidentado e que estava sem dinheiro para o conserto do veículo, pois a oficina em questão não aceitava cartão ou cheque. O estelionatário solicitou um depósito de R$ 1,7 mil.

Como a vítima não tinha o dinheiro, disse ao estelionatário que tentaria arranjar o valor solicitado. Então foi até a residência de seu cunhado e este depositou R$ 500 em acordo com o golpista. A agência para a qual foi feito o depósito é do estado do Mato Grosso do Sul. Após a vítima conseguiu ligar para seu sobrinho, quando percebeu que se tratava de um golpe.

Golpe do sequestro

Na semana que passou uma mulher, que não quis se identificar, quase caiu no golpe do sequestro se não fosse a patroa desconfiar da ligação. A senhora que trabalha no ramo de confecções recebeu uma ligação por volta das 11h sobre um suposto sequestro da filha que mora em Porto Alegre. Só não caiu porque os patrões impediram que ela pagasse o dinheiro. A mulher ficou em pânico quando ouviu os gritos de socorro de uma pessoa que dizia ser sua filha ao telefone. Para liberar a suposta sequestrada os estelionatários pediram R$ 10 mil, depois R$ 5 mil chegando em R$ 1 mil. “No fim eles queriam somente R$ 300 em créditos de cartões telefônicos”, disse a senhora.

Ela conseguiu R$ 1 mil com os patrões. Logo a proprietária da confecção desconfiou da situação e tentou tirar o telefone da funcionária que falava há 40 minutos, acreditando se tratar realmente de um sequestro. “Primeiro achamos que era um acidente com a filha dela, mas quando pediram dinheiro vimos que se tratava de um golpe, então tive quase que arrancar o telefone dela que estava apavorada. Quando peguei o telefone eles não falaram mais nada”, relatou.

Na segunda-feira, outra tentativa de estelionato foi registrada na Delegacia de Polícia de Arroio do Meio, desta vez o golpe foi descoberto no momento em que a vítima chegava na agência bancária para tentar fazer um empréstimo de R$ 1 mil para pagar os supostos sequestradores. O golpe foi desvendado pela própria pessoa que os bandidos diziam estar sequestrada, que era a filha da vítima. Em registro feito na Delegacia de Polícia, a filha da vítima relatou que ao chegar no local percebeu que sua mãe estava muito nervosa. O número de origem da ligação era restrito o que dificultou a identificação da pessoa que fez a ligação.

O Delegado de Polícia da Delegacia de Arroio do Meio, João Selig, esclarece que no caso do golpe do mecânico, os bandidos ligam para um telefone fixo da vítima, dificultando que a pessoa identifique se realmente a ligação é feita por parentes ou se trata de um golpe.

Ele diz ainda que os bandidos preparam o golpe com bastante antecedência, ligando para a pessoa dias antes para saber dados pessoais. Geralmente uma ligação é feita para descobrir também informações familiares da vítima fazendo perguntas para saber algo a respeito.

“Eles ligam perguntando se a vítima comprou alguma mercadoria por exemplo, diante da negativa por parte da vítima, eles começam a ludibriar quem está do outro lado da linha para tentar arrancar informações dizendo: então deve ser um parente seu, você não tem parente fora do município que possa ter adquirido tal produto? fazendo com que a pessoa passe informações de algum parente que mora fora. Com esses dados eles aplicam o golpe”, disse o delegado.

Selig ressalta que o golpe é aplicado em pessoas mais velhas que acabam caindo, pois os bandidos envolvem entes queridos como netos e até parentes distantes como sobrinhos. “As pessoas mais jovens não caem tão fácil.”

Desconfie

Selig alerta que ao receber ligações de pessoas dizendo ser de parente que necessitam de dinheiro para conserto de automóveis ou coisa parecida deve-se desconfiar. Mensagens recebidas via celular de premiações mediante depósito também devem ser desconsideradas. “Não acredite nessa história. A primeira dica que dou para as pessoas é falar para o estelionatário que não tem dinheiro e que irá arrumar emprestado, nesse meio tempo tentar fazer contato com o parente de qualquer maneira”, disse.

Contas bancárias são de outros estados

O delegado João Selig esclarece que normalmente as contas bancárias usadas pelos bandidos para aplicar o golpe são de fora do estado e estão em nome de pessoas que desconhecem a existência, pois também foram vítimas de estelionatários, em virtude de perda ou roubo de documentos. “O ladrão que está em poder do documento abre a conta em nome de outra pessoa e movimenta por um período, para aplicação do golpe”, disse.

Difícil elucidação

Conforme o delegado os golpes ainda não foram esclarecidos, pois com a ligação para telefone fixo fica mais difícil a elucidação do crime. Outro fator relevante que dificulta a investigação do delito é a facilidade de compra de chipes de telefone celular no mercado, pois é possível pagar R$ 10 por eles. “O estelionatário compra um chip sem a necessidade de nota fiscal em ambulantes e depois se desfaz”, esclareceu.

Outros golpes

Supostos sorteios via mensagem celular dizendo que a pessoa foi sorteada ou ganhou algum prêmio em dinheiro e que para retirá-lo é necessário que seja depositada alguma quantia em dinheiro também devem ser desconsiderados. “Entrou uma mensagem para mim ainda hoje dizendo que eu havia ganhado dois ingressos para a Copa e mais R$ 10 mil. Quem dá dinheiro de graça? Isso não existe”, finalizou o delegado.

Por daiane