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Coluna do Alício

O exemplo que vem da Argentina

19 de julho de 2012 às 15h03

Diante da carnificina em que se transformou o nosso trânsito, acreditamos de grande utilidade a entrevista concedida para o jornal Zero Hora, edição de terça-feira desta semana, pelo diretor da Agência Nacional de Segurança Viária da Argentina, Felipe Rodríguez Laguens, que revela como o país vizinho colhe bons resultados em suas ruas e estradas. Desde 2008 houve redução na quantidade de acidentes e de mortes. A agência atua em áreas como educação, fiscalização e formação de condutores. Questionado sobre os resultados conseguidos, ele diz que é positivo. “A partir de nossas ações de educação, prevenção, conscientização, controle e sanção, já se vislumbram mudanças importantes de comportamento. De 2008 para 2010, aumentou em 57% o uso de cinto de segurança e em 65% o uso de capacete. Além disso, a velocidade média caiu 19,5% e o uso de álcool, 44%.” Também revela que os estudos para o período de 2008 a 2010 revelam diminuição de 12% nas mortes. Houve ainda uma redução de 22% nos acidentes de trânsito, enquanto a frota cresceu 14,27%. São dados alentadores. A ANSV defende que “se é possível evitar, não é um acidente”. De acordo com Rodrigues, a mudança de cultura no trânsito depende de conscientização, acima de tudo de educação. As futuras gerações devem compreender desde muito cedo os riscos de não respeitar as regras. “Por isso, produzimos materiais para os alunos e os professores de todas as 12.005 escolas argentinas, públicas e privadas. Isso quer dizer que 109.519 professores e 4.740.218 alunos trabalharam a temática. A agência também patrocina o curso superior de Segurança Viária, destinado a pessoas e funcionários públicos ligados à área, ministrado pela Universidade Tecnológica Nacional.” Também afirma que um dos pilares do trabalho em segurança no trânsito é a colaboração de todos os setores da sociedade. “Fazemos isso na Argentina. Como o desrespeito às regras de trânsito é uma questão cultural, a conscientização leva tempo. Por isso é importante trabalhar a educação e chegar até a família.” Questionado sobre o que acontece na Argentina com quem bebe e dirige, ele responde: “A agência executa o Plano Nacional de Álcool Zero. Nossos agentes realizam controle de alcoolemia em diversos pontos do território nacional, com o objetivo de prevenir acidentes. Se a presença de álcool é verificada, recolhe-se a carteira de habilitação. Se não há um condutor alternativo, o veículo também é retido. Em paralelo, agentes da ANSV percorrem bares e restaurantes para conscientizar os jovens. Nesses locais, trabalham para designar condutores responsáveis, que se comprometem em não consumir álcool. Eles são identificados com uma pulseira celeste. Instalamos bafômetros na saída de bares e restaurantes, que podem ser usados gratuitamente.” E acrescenta: “ No nosso país, se uma pessoa se nega a fazer o exame, presume-se que o resultado é positivo. Nossa legislação estabelece como limite 0,5 gramas de álcool por litro de sangue para motoristas particulares, 0,2 para motociclistas e zero para motoristas profissionais. O controle da alcoolemia é extremamente importante. Para cada condutor alcoolizado que morre no trânsito, há quatro mortos passivos.”

Por daiane