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A visita de Cesare Battisti

22 de junho de 2012 às 14h29

Acompanhamos no sábado passado a visita do ex-ativista italiano Cesare Battisti ao município de Progresso. Amado por uns, odiado por outros, o fato agitou a cidade de 6400 habitantes. Cerca de 200 pessoas, a maioria com sobrenome Battisti, participaram da recepção ao visitante na Fazenda Sinuelo, durante o lançamento de suas obras literárias, Minha Fuga Sem Fim, Ao Pé do Muro e Ser Bambu. Porém, mesmo com toda a receptividade, a visita do ex- ativista não foi unanimidade na cidade. Na noite anterior, os organizadores receberam telefonemas com ameaças de bomba no local do evento.

Natural de Sermoneta, na Itália, onde nasceu em 1954, ao manifestar-se na abertura do evento, o ex-ativista disse que sentia-se como se estivesse na Itália. “Meus bisavós são da região de Trentino, de onde os Battisti vieram para o Brasil. Aqui em Progresso junto a tantas pessoas com este sobrenome, sinto-me em casa novamente. É um retorno ao passado”. Relatou sua vida na roça até os 16 anos. “Nasci numa família de comunistas e senti a discriminação da sociedade, pois o padre não falava conosco, em sala de aula sentávamos nos últimos bancos e éramos vistos como os comedores de criancinhas. Em 1980, assim como no Brasil, vivíamos os anos de chumbo e foi neste período que participei da luta armada através do grupo revolucionário Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).”

Em seu país de origem, é acusado de quatro homicídios e assaltos. Condenado, fugiu para o Brasil em 1981. Passou pelo México e França onde foi preso em 1990. Em seguida fugiu para o Brasil onde permaneceu preso até 2010, quando o presidente Luís Inácio Lula da Silva não concedeu sua extradição conforme exigia o governo italiano. Sobre as acusações de assassinatos a ele imputadas, disse que nunca recebeu qualquer condenação por isso. “Quem me condenou foi a grande mídia a serviço de interesses diversos. Da Justiça nunca recebi qualquer comunicado sobre estes crimes”.

Ainda sobrou tempo também para atender as pessoas individualmente, vestir uma pilcha gaúcha e pousar para fotografias em frente à Igreja Matriz e em estabelecimentos comerciais de proprietários com sobrenome Battisti.

Por Jaqueline Manica