Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 26 de Novembro de 2020

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Criação de gado e preços da carne provocam mudanças no setor agropecuário

, 13 de novembro de 2020 às 10h45

O mercado de criação de gado e consumo de carne vem se apresentando de forma atípica neste ano de 2020 no estado do Rio Grande do Sul. O normal entre os meses de agosto e novembro, considerado período de safra é aumentar a oferta de boi gordo e a conseqüente baixa no preço da carne para o consumidor. Este mercado está se apresentando de forma contrária com a falta de oferta de animais e o aumento do preço da carne e seus derivados, que segundo informações, apresentou aumento em alguns cortes chegando a mais de 25% nos últimos 60 dias, provocando a queda no consumo. Os últimos preços praticados para carnes de churrasco são de R$ 30 pelo quilo de costela e chuleta, podendo outros cortes serem mais valorizados. Em outros anos, o Rio Grande do Sul vendia carne para outros estados, enquanto que, agora, está acontecendo o contrário.

Essas alterações estão sendo constatadas por Armindo Paludo, 73 anos, proprietário de fazenda com criação de gado e que ao mesmo tempo, mantém um minimercado com açougue ao lado da BR-386, em Pouso Novo. Armindo tem uma tradição de mais de 60 anos no ramo da carne, desde o tempo de menino, quando acompanhava o seu pai Ernesto Paludo. A situação atual nunca se viu e nunca se imaginava, comentou Armindo, atribuindo-a à estiagem que aconteceu na virada de 2019 para 2020, que retraiu a criação e desenvolvimento dos animais pela falta de uma pastagem adequada e também pela exportação de grandes lotes de animais vivos para o exterior.

Criação no campo

Armindo possui propriedade de mais de 170 hectares em São José do Herval onde, junto com o filho Júnior, 28 anos, atua na criação e engorda de gado, mantendo mais de 200 animais das raças angus e braford na invernada. “A engorda é feita basicamente no pasto com pastagens nativas e campo melhorado”, citou Júnior. “Este tipo de engorda diferencia no sabor da carne”, frisou Armindo. Sem ter um abatedouro particular, Paludo abate seus animais em Marques de Souza. Em seu minimercado, comercializa entre dois e três bois por semana, quase sempre animais de sua propriedade, havendo exceções, quando adquire carcaças inteiras de outros fornecedores. Além de comerciante, Armindo já foi vice-prefeito em Pouso Novo por dois mandatos.

Armindo Paludo lida com animais e carne há mais de 60 anos

Por Alan Dick