Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 02 de Julho de 2020

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Jornal da Semana
Agricultura

Nuvem de gafanhotos

26 de junho de 2020 às 8h50

Definitivamente este ano de 2020 está deixando marcas e fatos estranhos em especial no nosso Estado, mas, sobretudo, no campo onde são desenvolvidas atividades agropecuárias.

No começo do ano convivemos com uma das mais duras estiagens das últimas décadas. Esse episódio foi sucedido pela pandemia, que nos assola de uma forma cada vez mais preocupante. E, nesta semana, anuncia-se a possibilidade de termos a presença de uma “Nuvem de gafanhotos”, vinda do Paraguai, passando pela Argentina, com a ameaça de chegar ao Rio Grande do Sul em breve.

Comenta-se que nos locais onde os insetos já marcaram sua passagem, restaram sinais de devastações em lavouras de milho e pastagens. E o seu poder de destruição é equivalente ao consumo de um rebanho de dois mil bois em pastagens.

O calor e o tempo bom dos últimos dias contribuíram para o avanço dos insetos e a perspectiva de mudanças do clima, com uma provável temperatura baixa, poderá frear o avanço dos gafanhotos pelo interior do Estado, a partir das fronteiras.

Como forma de prevenção e de combate aos insetos, os produtores rurais e entidades estão organizando uma mobilização, que envolve a utilização de aviões agrícolas, possivelmente com sistemas de pulverização com produtos químicos.

Os agricultores mais vividos recordam episódios idênticos ocorridos na década de 1970, quando experimentaram a indesejada presença nociva de gafanhotos.

PREÇO REFERÊNCIA DO LEITE

O Conselho Estadual do Leite – Conseleite, definiu o preço referência do leite entregue pelos produtores no mês de junho em R$ 1,3721 pelo litro. Comparado este valor com o do mês de maio, que foi de R$ 1,2630, tem-se um reajuste de 8,63%. Se de fato essa evolução se confirmar na hora dos acertos de contas, os leiteiros poderão saudar o fato como positivo, embora não signifique a superação da prolongada crise que afeta a atividade.

O que se percebe, ainda como consequência da recente estiagem, os produtores que têm rebanhos mais numerosos deparam-se com a qualidade da alimentação dos animais não condizente com a necessidade. E a maioria precisa recorrer a uma complementação do trato, com a compra de rações ou mesmo milho em grão. E esses insumos tiveram os seus preços elevados, aumentando o custo de produção, neutralizando assim os ganhos com o reajuste de seu produto.

PLANO SAFRA 2020-2021

O Plano Safra 2020-2021, anunciado pelo Governo Federal na semana passada continua sendo debatido e comentado no meio rural. Alguns aspectos, destaquei na Coluna da edição anterior e, conforme já salientada, a questão das tabelas de juros é motivo da maior insatisfação nas manifestações referentes ao assunto.

O setor da agricultura familiar tem a ressalva quanto aos juros de 2,75% a 4,0% ao ano, argumentando que esses índices ficam acima da taxa de juros básicos, a Selic que é de 2,25%.

E além desse fator, há um expressivo número de agricultores que ainda aguarda pela reativação do Programa do Crédito Fundiário que o Plano Safra não contempla neste primeiro momento.

Por Alan Dick