Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 09 de Agosto de 2020

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Fórum de Entidades debate o cenário pós-pandemia

, 29 de maio de 2020 às 9h05

A construção do novo cenário pós-pandemia foi a temática de um encontro com diversos setores da comunidade de Arroio do Meio na tarde de terça-feira, na Acisam. Denominada de Fórum de Entidades, a programação articulada pela Administração Municipal, reuniu setor público, empreendedores do comércio, indústria e serviços, representantes do setor primário, do Legislativo, da saúde, educação, entre outros. A ideia principal era a de ouvir o que pensam os representantes destes segmentos, expondo suas dificuldades no momento, tanto em função da pandemia ou da estiagem, bem como ações que permitam estruturar uma retomada das atividades econômicas, sociais e de saúde com segurança.

O prefeito Klaus Werner Schnack ressaltou que o foco é olhar para frente, para ver como é possível avançar. Disse que, assim como em outros momentos de dificuldades, a união é fundamental na construção de alternativas. “A construção do novo cenário é coletiva”, destacou.

Num primeiro momento, foram explanadas as ações que vêm sendo realizadas no município na prevenção e enfrentamento ao coronovírus. A secretaria de Saúde reorganizou os atendimentos na atenção básica (veja na página 3), criando o telessaúde com atendimento 24h e investiu na compra de EPIs, estruturação da ala covid-19 no HSJ e convênio com o Hospital Estrela para os casos que necessitam de UTI. A Assistência Social registrou um aumento na busca por cestas básicas, passando de 20 ao mês, para 60.

O diretor do Hospital São José, José Clóvis Soares, relatou uma série de dificuldades que se originaram com a pandemia. A menor ocupação – queda de 46% – reduziu a receita, ampliando os desafios. Além disso, os insumos e EPIs tiveram os preços inflacionados, comprometendo o já apertado orçamento. Como resultado, o hospital teve de demitir 16% do seu quadro de funcionários e acumula um déficit econômico de – 24%.

O impacto econômico da pandemia e da estiagem é grande. A estimativa é de que no setor primário as perdas sejam superiores a R$ 14 milhões, enquanto que a pandemia provoca uma série de prejuízos no setor produtivo e comercial, que impactam diretamente na arrecadação municipal. Mesmo que o governo federal disponibilize recursos para compensar as perdas com a arrecadação de ICMS e ISS, há desafios.

Levantamento da secretaria de Indústria, Comércio e Turismo aponta que 90 empresas recorreram aos programas emergenciais de manutenção de emprego e renda e os aluguéis foram até 40% renegociados. Uma das queixas de participantes, é de que muitas das medidas de apoio anunciadas pelo Governo Federal não estão acontecendo na prática, ou então não são boas alternativas para quem precisa de socorro financeiro.

Num segundo momento, os participantes explanaram a realidade dos setores representados, opinando sobre eventuais ações que podem ser desenvolvidas. De modo geral, há o entendimento de que é preciso manter a sistemática de precaução e fazer com que as pessoas se sintam seguras para que as atividades sejam retomadas de forma gradativa. Se cada um tomar os devidos cuidados consigo e com o próximo, os riscos de contágio são menores, permitindo que as pessoas possam trabalhar e consumir com segurança, evitando maiores perdas econômicas e, consequentemente, sociais.

Dentre as sugestões, o apelo para que a população valorize os produtos feitos em Arroio do Meio, bem como o comércio e o setor de serviços local. Além de fazer com que o dinheiro circule no município, gerando impostos, beneficia os empreendedores que tiveram mais dificuldades porque não puderam abrir seus negócios por um longo período e são importantes geradores de empregos e renda.

Por Alan Dick