Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 03 de Junho de 2020

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Agricultura

Acordo evita o caos

22 de maio de 2020 às 9h15

Na semana anterior esta Coluna tratou do episódio do fechamento de unidades frigoríficas, projetando algumas consequências que tal fato traria para os produtores integrados, os consumidores e a economia, de uma forma geral.

Os intensos debates que se sucederam, envolvendo o Poder Judiciário, o Ministério Público Estadual, forças políticas, a Secretaria Estadual de Saúde, além de outros segmentos, felizmente chegaram a um denominador, senão o ideal, mas que foi capaz de evitar um grande caos nos setores de produção de aves de corte e suínos, principalmente.

Sabe-se que caso não acontecesse o acordo para o retorno parcial das atividades de abate das várias plantas industriais, teríamos, a partir da última segunda ou no máximo terça-feira, o início do abate sanitário, ou o descarte de extraordinárias quantidades de animais.

Grandes valas ou covas estavam preparadas para o enterro das aves e suínos abatidos. Isto seria inevitável, apesar de representar uma medida drástica de parte das empresas integradoras. Os prejuízos se acumulariam em todos os estágios da produção, a partir do agricultor, das indústrias e provocaria possivelmente um desabastecimento, lesando também o consumidor.

Com o retorno das atividades, em 50% da capacidade das indústrias, não se tem a volta da normalidade dessas cadeias produtivas. A programação de toda a estrutura, desde as matrizes, os alojamentos, os abates precisa ser reordenada. Mas fica a expectativa de que essas dificuldades logo mais sejam superadas, com o restabelecimento do ritmo de trabalho e de produção que anteriormente ocorriam.

CAPACIDADE AUMENTADA

O Conselho Estadual do Meio Ambiente – Consema, em reunião extraordinária, na quarta-feira, 20, tomou uma decisão interessante para os produtores integrados e que impactará diretamente na produção de aves de corte e de suínos.

Por um período de 90 dias, os produtores poderão exceder em até 30% a capacidade de alojamento de animais, conforme definem os processos de licenciamentos concedidos pelos municípios.

Esta decisão deve ser confirmada através da publicação de uma Resolução no Diário Oficial do Estado, e o objetivo da medida é uma forma de apoio aos produtores que já têm prejuízos acumulados, inicialmente pela prolongada estiagem e na sequência pelos efeitos da covid-19.

AGRICULTOR FICA SEM AUXÍLIO EMERGENCIAL

Diferentemente do comentado em matérias anteriores, o trabalhador rural não tem acesso ao auxílio emergencial de R$ 600, concedido pelo governo federal aos trabalhadores informais. Dentre as alegações consta o fato de os agricultores familiares não estarem cadastrados no Programa do Bolsa Família.

Entidades ligadas à agricultura familiar têm se manifestado contrariadas com a falta de atenção à categoria, com a discriminação que acontece. Pois as reivindicações da classe, como a Bolsa Estiagem, o Crédito de Emergência e a renegociação das dívidas, são questões que tiveram o aceno positivo do governo, mas estão ficando apenas nas promessas, dizem os representantes dos agricultores.

Por Alan Dick