Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 02 de Junho de 2020

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Acordo entre justiça e frigoríficos mantém abates de frangos na região

, 22 de maio de 2020 às 10h15

Diante da retomada da operação em Lajeado e em decorrência de acordo homologado pela Justiça, ainda na sexta-feira, dia 15, a BRF não precisou realizar o abate sanitário de 100 mil aves programado para ocorrer em granjas de Cruzeiro do Sul na última segunda-feira, dia 18. Os animais foram abatidos seguindo todos os procedimentos de controle do Ministério da Agricultura, por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF), no frigorífico da Companhia Minuano de Alimentos.

A intervenção jurídica foi motivada pelo fato de que 30% dos leitos de UTI do Hospital Bruno Born de Lajeado, estavam sendo ocupados por pessoas ligadas à rotina dos frigoríficos, no tratamento contra o novo coronavirus, além do elevado número de casos registrados há cerca de três semanas.

No acordo estipulado entre a empresa e o MP, foi estabelecida a redução de 50% no número de funcionários na linha de produção por 15 dias, testagem de todos os empregados que entrarem na planta frigorífica, além de análises clínicas por equipes médicas.

Outros pontos acordados foram a contratação de assistente social e enfermeiro para visitar moradores dos bairros onde vivem os colaboradores, por um período de seis meses e doação de R$ 1,2 milhão para os hospitais de Lajeado, que receberá 70% do recurso, e de Estrela, que deve receber 30% do valor.

Já para os produtores rurais, o Ministério Público determinou que a BRF terá que arcar com possíveis prejuízos por conta da paralisação das atividades do frigorífico. Essa determinação inclui perdas por conta de eventuais abates sanitários (sacrifício) dos animais.

Essa compensação por danos aos criadores do vale, releva que tanto o frango como o suíno que está na propriedade já pertence à companhia, não é uma compra pura e simples de produto custeado pelo agricultor e adquirido pela mesma, é um sistema diferente de produção em que o agricultor presta serviço e é remunerado.

A companhia Minuano de Alimentos também informou, por meio de nota, que chegou a um acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul e vai manter as atividades de sua planta em Lajeado com 50% da presença humana na linha de produção. No acordo, a empresa vai oferecer assistência à comunidades carentes, doação de kits de higiene e disponibilizar reforço ao sistema de saúde de cinco municípios da região.

Nos bastidores, informações dão conta de que a parceria entre as duas companhias é antiga, e que eventuais situações de sobrepeso que deixam as aves fora do padrão exportação serão contornadas, com o direcionamento de produtos para abastecer o mercado interno ou fabricação de ração. Já a redução de funcionários em 50% circulando nas plantas frigoríficas, não indica necessariamente uma redução da capacidade de abate na mesma proporção. Apesar do esforço para garantir o máximo de abates possíveis, eventuais sacrifícios podem ocorrer, devido a uma sobrecarga na demanda.

A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) confirmou a informação de que há diversos lotes de aves passando do peso de abate, em decorrência da demora em negociações entre integradoras e a Justiça para conseguirem a reabertura das plantas. Também existe uma preocupação dos produtores quanto aos indexadores que serão utilizados nas tabelas de remuneração.

Em Arroio do Meio, de acordo com o secretário da Agricultura Eloir Lohmann, por enquanto, não há nenhum abate sanitário previsto.

Por Alan Dick