Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 02 de Julho de 2020

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Política

Vereadores rebatem críticas das redes sociais

, 17 de abril de 2020 às 9h41

Na quarta-feira, dia 15, a Câmara de Vereadores de Arroio do Meio, realizou a segunda sessão ordinária do mês, novamente sem a possibilidade de acesso ao público, para evitar aglomerações. Apenas um dos dois projetos de autoria do Executivo foi aprovado. Ele autoriza concessão de férias antecipadas aos servidores e empregados públicos municipais incluídos no grupo de risco da pandemia da Covid-19, seguindo orientações do Ministério da Saúde. Os vereadores foram taxativos em pedir que as pessoas realmente fiquem em casa e cobrando fiscalização de condutas inapropriadas.
Já o projeto que previa a contratação temporária de um veterinário e formar cadastro reserva para suprir necessidade Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi), teve pedidos de vistas do vereador Roque Haas (PP). Também foi prestada uma moção de pesar pelo falecimento do veterinário Alberto Suing, vereador no município na Legislatura de 1989-1992.
Na tribuna, a maioria das manifestações foi em defesa das críticas recebidas pelos vereadores nas redes sociais pela a aprovação dos projetos que estabeleceram os salários dos agentes políticos a partir de 2021.

FALTA DE BOM SENSO DO EXECUTIVO AUMENTOU CRÍTICAS

José Elton Lorscheiter, o Pantera (PP) se disse aberto a receber críticas e opiniões, porém, avaliou que alguns fatos repercutidos não são verídicos. “Votamos o congelamento dos salários. Porém, pessoas, talvez mal-intencionadas, dizem que é um aumento de salário”. Ele acrescentou ter ficado admirado com o decreto do prefeito em reduzir o seu salário, da vice e secretários, contudo, avaliou que a Câmara foi injustiçada, pois não foi procurada para uma proposta coletiva e o que aumentou o nível das críticas. Em aparte a vereadora Adiles Meyer (MDB) disse que a Casa tem autonomia para fazer isso. Mas Pantera entendeu se tratar de uma questão de bom senso, como teria ocorrido em Teutônia. Lorscheiter, repercutiu mobilizações semelhantes em toda a região, e afirmou que por se tratar de um ano eleitoral, poderá haver questionamentos jurídicos. “Estamos aí para ajudar, mas temos que ter cuidado, pois algumas coisas não podem ser usadas para promoção política”. Ele frisou que não é legal reduzir os seus salários e doar o dinheiro, tendo em vista que a lei eleitoral não permite.
Rodrigo Kreutz (MDB): “Fomos cobrados no meio social e por vezes não da maneira correta. Sei que muitos colegas fazem sua parte, ajudando com diversas ações, mas de forma anônima”.

“TEM ORIGEM NAS RESTRIÇÕES DE LOTEAMENTOS EM ÁREAS AGRICULTÁVEIS”

Roque Haas, o Rocha (PP) enfatizou que as críticas se originaram pelo fato de alguns vereadores terem defendido restrições para loteamentos em áreas agricultáveis, uma causa justa. “É simplesmente uma pessoa que está querendo denegrir a imagem da Câmara. Sugestões são aceitas, mas da forma que ele se expressa é lamentável”. “Esse cidadão que acha que sabe muito, deve ter feito lotes no meio dos agricultores. Além disso, todos estamos cientes de que fez loteamentos com calçamentos de péssima qualidade, onde hoje os cofres públicos estão puxando dinheiro para corrigir o serviço mal feito por ele. Quem acha que não é, pode conferir”. O vereador ainda acusou o referido munícipe de estar colocando a mão no bolso de cada contribuinte, trazendo um prejuízo maior do que o custo da Câmara. “Está na hora do mesmo ser fiscalizado, pois cobrou caro pelos lotes e fez ruas de péssima qualidade, e agora a responsabilidade foi transferida para o munícipe”. Em aparte, o vereador Pantera disse concordar com Rocha, convidando as pessoas que compartilham as colocações desse cidadão, a dar uma olhada em algumas ruas de seus loteamentos, onde a prefeitura precisa agora recuperar as vias. Haas disse que a Câmara sempre foi muito transparente e as pessoas aplaudem suas atitudes. “Se fosse ter vergonha na cara, poderia doar parte de seu salário, que não é pouco, para ajudar o próximo”.

“É PRECISO UM CURRÍCULO DE TRABALHO COMUNITÁRIO”

Vanderlei Majolo (PP): “O salário não é alto e sim justo. A opinião pública tem todo o direito de se manifestar, mas existem muitas informações destorcidas”, disse. Observou que existem municípios menores onde os salários realmente são fora da realidade. Além disso, reforçou que a Câmara não aumentou os salários e sim congelou para a próxima legislatura. “Isso é obrigatório no final de cada legislatura, antes das eleições, analisar e votar o salário para a próxima. Entendemos em fazer nessa época, para que os partidos estejam cientes em termos de subsídios, para transmitir aos seus candidatos. Tomamos uma atitude certa em resolver essa situação, enquanto outros municípios estão fazendo politicagem para se promover”, pontuou. Em aparte, Marcelo Schneider (MDB) disse ser uma questão de lei. “Além disso, esse salário é para qualquer cidadão de Arroio do Meio que queira se candidatar e assumir uma cadeira a partir de 2021”. Majolo destacou ainda que cada vereador tem seu estilo de trabalho e que muitas vezes o que se faz não fica aparecendo. “Se não fôssemos bons vereadores, a maioria não teria sido reeleito várias vezes”. Por último, falou um pouco sobre o seu currículo de envolvimento na comunidade até assumir uma cadeira no Legislativo e convidou críticos a apresentarem seu cartaz e se candidatarem.

PREJUÍZOS EM RUAS MALFEITAS CHEGAM A R$ 300 MIL

Pedro Volmir de Freitas Noronha, o Kiko (PDT) falou que os gastos da prefeitura para recuperar duas ruas malfeitas em loteamentos novos chegarão a R$ 300 mil e foi o único a citar e acusar João Hilgert, sugerindo que ajude a comunidade doando uma parte deste valor. “Foi serviço mal feito dele mesmo. Está lá para qualquer um que quiser ver. Se alguém quiser vou junto e mostro, porque sou do ramo e entendo”. Se diz sentido por este cidadão estar distorcendo o sentido de solidariedade no Facebook. “Se preciso, dou meu salário todo também, desde que seja dentro da lei. Desafio esse munícipe, que ajude dessa forma, doando seu salário, e não batendo nos vereadores. É fácil falar que os vereadores não estão nem aí. Mas como já foi dito, não conquistamos essas cadeiras por acaso. O João é um derrotado na política e tem inveja e ciúme”, concluiu.

POLITICAMENTE FRUSTRADOS

Darci Hergessel (PDT) também falou da redução de salários, dizendo ter se informado com advogados, que alertaram que isso pode gerar problemas em ano eleitoral. Ainda destacou o baixo percentual que a Câmara de Arroio do Meio representa aos cofres públicos. “Tem aquela pessoa que está frustrada politicamente e colocando coisas no Facebook, nos jogando contra a população. Está chateada comigo e com o Rocha pois entramos com pedido para mudar o Plano Diretor para diminuir um pouco a zona urbana dentro da rural”. O vereador ainda sugeriu a doação de um valor mensal de cada legislador, mas em nome da Câmara, o que seria legalmente possível, para ser destinado para entidades ou na compra de alimentos para famílias carentes.

Por daiane

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